O perfeccionismo está te afastando do sonho de escrever?

 

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Foto de Aaron Burden via Visual Hunt.

A escritora norte-americana Kaitlin Hillerich é dona do ótimo site Ink and Quills, onde publica uma série de dicas para autores iniciantes. Também tem uma newsletter que eu assino e um ouriço de estimação que se chama Camilla, olha, somos quase xarás.

Assim, em outubro passado recebi dela um e-mail que falava do perfeccionismo exacerbado pelo qual muitos autores se deixam levar, o medo de chegar ao fim da jornada da escrita e soltar a cria literária no mundo (ao contrário dqueles que publicam qualquer texto sem leitura crítica nem revisão, mas isso já são outros quinhentos). Não tenho medo de publicar, mas muitas vezes me pego procrastinando a escrita por uma série de outros motivos (bobos) que, percebo, me separam dos meus objetivos.

O artigo da Kaitlin era exatamente o que eu precisava ler naquele momento. Gostei tanto que pedi à autora permissão para traduzi-lo. Ela disse sim!

Esta tradução é especialmente para aqueles dentre vocês que amam escrever e sonham em publicar, mas temem o próprio sonho.

13/10/2016

O perfeccionismo está te afastando do sonho de escrever?

E aí, escritor? Como vai a sua história? Estive editando meu livro THESE SAVAGE BONES e me abastecendo com muito chocolate e quantidades absurdas de cereais. (Sou viciada em cereais, ok? Não me julgue.)

Hoje, vou entrar num campo um pouco pessoal e compartilhar com você uma dificuldade que venho enfrentando há algum tempo… Perfeccionismo. Se você também encara essa dificuldade, quero que saiba que não está sozinho, amigo.

Ultimamente, percebi que meu perfeccionismo na escrita está me impedindo de desenvolver uma carreira como autora. Já faz quase um ano que terminei de escrever minha novela e ainda estou procrastinando os toques finais. Deveria ter começado a procurar um agente há meses, mas, toda vez que pensava nisso, ficava paralisada.

Demorei um tempo para descobrir por que insistia em arranjar desculpas para não começar o processo de publicação. Não é que eu tivesse medo de mostrar meu trabalho às pessoas — por mim, tudo bem deixar os amigos, a família e os leitores beta lerem minhas histórias. O xis da questão era um pouco mais específico.

Sabe o que finalmente percebi?

Estou morrendo de medo de publicar. E isso, você sabe, é um baita problema se eu pretendo ser escritora.

Finalmente descobri que esse medo vinha da minha natureza perfeccionista. Tenho receio de lançar um trabalho e deixá-lo para sempre à vista de todos, algo que nunca mais poderei mudar, e que ele seja uma porcaria. A simples ideia me dá um nó no estômago.

E se não for tão bom quanto pensei que fosse? E se me arrepender depois? E se as pessoas detestarem? E se for um fracasso total?

Fiquei tão obcecada com a perfeição nas minhas histórias que isso passou a me bloquear como escritora. Esta foi uma das razões pelas quais decidi escrever e lançar por conta própria minha próxima novela, THESE SAVAGE BONES: me forçar a superar meu perfeccionismo e meu medo de publicar.

E vou te dizer uma coisa: estou com medo. Já devo ter me perguntado “que diabo eu estava pensando?” pelo menos um zilhão de vezes desde que defini a data de publicação. Mas sabe o que mais? PERFEIÇÃO É ILUSÃO.

Arrã, ilusão, assim como esses modelos photoshopados que você vê nas capas das revistas. Nenhuma história que você escreva jamais será perfeita. Os livros publicados também estão cheios de defeitos. Até mesmo a J.K. Rowling disse que há coisas que ela gostaria de poder mudar em seus livros, se pudesse voltar atrás.

Há mais uma coisa que percebi: AS IMPERFEIÇÕES NÃO NECESSARIAMENTE IMPEDEM OS LEITORES DE APRECIAR SUA HISTÓRIA. A série Harry Potter pode ter defeitos, mas veja quantas pessoas a adoram (inclusive eu). Já pensou se a J.K. Rowling nunca tivesse publicado Harry Potter por achar que não era bom o bastante? O mundo teria ficado sem essa história sensacional.

Gostei de escrever THESE SAVAGE BONES, acho que é uma história boa e estou feliz com o resultado, ainda que não seja perfeito. Fiz tudo o que pude para tornar a história tão boa quanto possível. E sabe de uma coisa? É o suficiente. O MELHOR QUE VOCÊ PODE FAZER COMO ESCRITOR É O SUFICIENTE.

É inevitável que algumas pessoas não gostem da sua história — é impossível agradar a todos os leitores, e tudo bem. Mas, se você está feliz com o que obteve, é o suficiente. Se consegue se orgulhar do seu trabalho, é o suficiente. Se há leitores que gostem de ler sua história tanto quanto você gostou de escrever, é o suficiente.

Mesmo que ainda tenha defeitos.

Estou aprendendo que um escritor não pode se agarrar a uma história para sempre, tentando chegar a uma perfeição inalcançável. Você precisa publicar suas histórias e começar a desenvolver sua carreira. É o que estou tentando fazer agora, começando com THESE SAVAGE BONES. Estou cansada de deixar meu perfeccionismo me controlar e me afastar do sonho de me tornar escritora. É hora de lançar minhas histórias pelo mundo.

E você, amigo? O perfeccionismo está te segurando? Vamos superá-lo juntos. Se você enfrenta esse problema e precisa de apoio e incentivo, fique à vontade para me mandar um e-mail ou me procurar no Twitter como @ink_and_quills.

Tenho fé em nós. Agora, vamos lá ser escritores destemidos e confiantes e publicar histórias maravilhosas!

Boa escrita e até a próxima!

Kaitlin
Copyright © 2016 Ink and Quills, Todos os direitos reservados.

A propósito: a obra da Kaitlin já está à venda como e-book na Amazon. Está na minha lista de desejos!

Abaixo, o texto original em inglês:

Hey there, writer! How’s your story coming? I’ve been editing away on THESE SAVAGE BONES and powering through with lots of chocolate and ridiculous amounts of cereal. (I have a cereal addiction okay? Don’t judge).

Today, I’m going to get a little personal and share with you something I’ve been struggling with for a while now… Perfectionism. If this is something you struggle with as well, I want you to know you’re not alone, friend.

Lately, I’ve come to realize that my perfectionism in my writing is holding me back from building a career as an author. It’s been almost a year since I’ve finished my full-length novel, and I’m still procrastinating about finishing up the final edits. I should have started querying agents months ago, but every time I thought about it, I froze.

It took me a while to figure out why I kept looking for excuses to avoid starting the publication process. It wasn’t that I was afraid of letting people read my work—I’m fine with letting friends, family, and beta readers read my stories. The true issue was a little more specific.

You know what I finally realized?

I’m terrified of publication. Which is, you know, kind of a problem if I intend to be an author.

I finally figured out this fear was coming from my nature as a perfectionist. I’m afraid of putting a piece of work out there permanently for everyone to see that I can never change again, and I’m afraid it will suck. The thought of it makes my stomach twist into knots.

What if it isn’t as good as I thought it was? What if I regret it later? What if people hate it? What if it totally bombs?

I’ve become so obsessed with perfection in my stories that it’s holding me back as a writer. This is one of the reasons I decided to write and self-publish my upcoming novella, THESE SAVAGE BONES—to force myself to overcome my perfectionism and my fear of publication.

And let me tell you, I am afraid. I’ve probably said to myself “What the hell was I thinking?” at least a kazillion times since setting my publication date. But you know what? PERFECTION IS AN ILLUSION.

Yep, an illusion, just like those photoshopped models you see on the covers of magazines. No story you write will ever be perfect and even published books are full of flaws. Even J.K. Rowling has said there are things she wishes she could go back and change about her books.

Here’s something else I’ve realized: IMPERFECTIONS DON’T NECESSARILY KEEP READERS FROM ENJOYING YOUR STORY. The Harry Potter series may have flaws, but look how many people adore it (myself included). Can you imagine if J.K. Rowling never published Harry Potter because she thought it wasn’t good enough? The world would have been deprived an amazing story.

I enjoyed writing THESE SAVAGE BONES and I think it’s a good story and I’m happy with how it turned out even though it isn’t perfect. I’ve done everything I can to make the story the best it can be. And you know what? That’s enough. YOUR BEST IS ENOUGH AS A WRITER.

Inevitably, there will be people who won’t like your story—it’s impossible to please every reader and that’s okay. But if you’re happy with how it turned out, it’s enough. If you can take pride in your work, it’s enough. If there are readers who enjoy reading your story as much as you enjoyed writing it, it’s enough.

Even if it still has flaws.

I’m learning that as a writer, you can’t hold on to a story forever trying to achieve unattainable perfection. You need to publish your stories and start building your career. That’s what I’m trying to do now, starting with THESE SAVAGE BONES. I’m tired of letting my perfectionism control me and hold me back from my dream of becoming an author. It’s time for me to release my stories into the world.

What about you, friend? Is perfectionism holding you back? Let’s overcome it together. If you struggle with perfectionism and need a friendly, encouraging ear, feel free to shoot me an email or hit me up on Twitter @ink_and_quills.

I believe in us. Now let’s be fearless, confident writers and
publish amazing stories!

Until next time, happy writing!

-Kaitlin

_Copyright © 2016 Ink and Quills, All rights reserved._

Meu novo livro: Contos Sombrios

Além da edição digital de Reino das Névoas ter finalmente voltado à Amazon por R$ 7,00, lancei também um novo livro: Contos Sombrios, compilação de histórias que escrevi ao longo dos últimos anos editada pela Editora Dandelion. Segue a sinopse:

Dezesseis contos sombrios. Terrores pessoais e coletivos que a escrita tenta exorcizar: sequestradores e assassinos, canibais, vampiros e coisas piores. Talvez você também queira exorcizá-los.

Custa apenas R$ 6,00. Quem compra, apoia a autora. 😉

Na página de compra você pode pedir que uma amostra grátis seja enviada ao seu dispositivo de leitura. Mas, para já dar um gostinho, segue a introdução.

Introdução

Escrevi os contos reunidos neste livro entre 2004 e 2010. Alguns apareceram em blogs, sites e zines. Outros são inéditos. Alguns deles, hoje, eu não escreveria do jeito que escrevi. Outros, não escreveria de jeito nenhum. Já os chamei de contos de terror, mas não tinha a pretensão de aterrorizar quem os lesse. O que eu queria era falar de coisas sombrias. Das minhas sombras. E isso, acho, consegui.

Já que estou aqui, prefaciando meu próprio livro, aproveito para martelar: esta é uma obra de ficção. Não faz apologia à violência e seu propósito não é incitar nenhum tipo de agressão. Confio no discernimento de quem me lê. Mas vale o trigger warning, ou aviso de conteúdo: aqui tem sangue, sim, e morte, e violência sexual. Alguns terrores pessoais, que tentei exorcizar pela escrita. Se você chegou até aqui, talvez também precise exorcizá-los.

Vivemos tempos em que as notícias viajam muito rápido, alimentando nossa curiosidade — inclusive pelo que é sórdido. Enquanto sonhamos em (e, de preferência, fazemos nossa parte para) banir a violência do mundo real, a ficção, a fantasia e a arte nos acenam como válvulas de escape fundamentais. Ao mesmo tempo, a imaginação do ficcionista, essa esponja impregnada de tinta e alucinação, se embebe justamente da realidade, do absurdo nos casos diários. Sequestradores, amantes vingativos, assassinos de ocasião. Psicopatas, fanáticos religiosos, estupradores. Até canibais e vampiros.

Deliramos dentro de nosso horror coletivo, real ou imaginário. Temos um fascínio um tanto doente pelo que é sombrio, uma ânsia de testemunhar e registrar. É o pássaro morto no meio da estrada. Torto e esparramado em meio ao próprio sangue, uma coisa terrível de se ver. Mas a gente não consegue parar de olhar…

Por isso, convido você a experimentar estes pequenos surtos, em forma de contos, de desejo, truculência e morte, entre casos realistas e indícios sobrenaturais. Torço para que a ficção possa tocar os pontos do seu ser que a realidade não alcança.

Não foi para isso que você veio?

Meu livro por R$ 7,00 na Amazon

Antes tarde do que nunca: meu livro Reino das Névoas, contos de fadas para adultos está à venda como e-book na Amazon por R$ 7,00!

Se você gostou do livro, por favor, compartilhe! 🙂

Se ainda não conhece, eis uma chance difícil de perder… 😉

Se quiser saber um pouco mais sobre o livro, visite o blog oficial com resenhas e opiniões de leitores.

Reino das Névoas foi ganhador de uma bolsa para publicação do ProAC (Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura) em 2010. Com sete histórias e ilustrações de minha autoria, contém o conto A outra margem do rio, primeiro lugar no Concurso Hydra de Literatura Fantástica em 2014.

10 conselhos para a Mila de 21

De 21.7.2016.

Gosto de usar o recurso On this day do Facebook para rever coisas que já fiz ou disse em anos recentes. Noto que me curei de uma porção de besteiras e suspiro com boas memórias de viagens e momentos com gente querida. Hoje topei com esta: ano passado, circulou pela rede a brincadeira das dez coisas que você diria, se pudesse, ao seu eu mais jovem. A pessoa passava a brincadeira adiante sugerindo uma idade a cada amigo que quisesse brincar: 15, 19, 32, qualquer uma. A Fabiana Zardo me deu 21. Reli o que escrevi na época e resolvi trazer para cá. Quem sabe não haja outra jovem Mila por aí precisando de umas dicas do seu eu mais velho e rabugento?

1. Curta mais suas bochechas de aborrecente. Acredite, você vai sentir falta delas daqui a alguns anos. Fotografe-se mais, curta-se e cobre menos perfeição estética de si mesma. Até porque, ó, estamos com 35 e até hoje você não precisou disso para nada.

2. Por outro lado, tem MUITA COISA MIL VEZES MAIS IMPORTANTE do que as suas bochechas, sua peitoca mixuruca e todo o resto da sua aparência. Como integridade, bom humor, senso crítico, vontade de ser melhor consigo mesma e com os outros. Cultive essas coisas. Ou você veio ao mundo para ser enfeite? Bunda cai, fia. Caráter, não.

3. Sei que parece triste, mas não é: você vai largar o desenho. Não para sempre, mas como profissão. Você não vai ser ilustradora, vai ser tradutora, e vai ser MUITO feliz com essa escolha.

4. Você se acha a CDF, é? Pois TRATE DE ESTUDAR MAIS, prego. Tá estudando pouco, e cada vez menos. Aproveita que é mais fácil enquanto você ainda mora com seus pais. Aliás, comece a estudar tradução agora mesmo. Nunca é tarde psra se reinventar, verdade. Mas você vai querer ter começado mais cedo, e why the fuck not?

5. Falando em estudar, lembra um treco chamado feminismo? Estude isso também. Você ouviu falar quando era criança, mas acabou deixando de lado. Vá atrás. Você vai redescobrir cedo ou tarde, mas por que não já? Vai te ajudar horrores. Vai te fazer pensar duas vezes antes de encher a boca para julgar outras mulheres e vai te ensinar que seu valor não é medido por opiniões masculinas a seu respeito. Em suma, vai expandir seus horizontes (e render umas tretas aí, mas beleza). Vai ser uma delícia, catártico e o escambau.

6. Seja mais legal com ele. Sim, ele mesmo. Vale a pena e ele merece. Daqui a 13 anos vocês ainda vão estar juntos e querendo mais. Esse rolê vai ser a maior aventura da sua vida. Vai nessa que é sucesso.

7. Não insista em tentar cativar quem não te respeita ou apenas não se interessa pela sua companhia. Não aceite migalhas. Não mendigue afeto. Não tente ser alguém que você não é só porque acha que com isso mais gente vai gostar de você. NUNCA, JAMAIS. É mentira, dá trabalho e não funciona. Ninguém é tão fodão que valha essa canseira. E, acredite, ninguém quer que você faça isso; ninguém quer que você faça coisa nenhuma. Pare de tentar adivinhar o roteiro do filme dos outros e esperar que sigam o seu.

8. Você sempre vai ser meio solitária. Sempre vai ser chorona, invocada, carente, tagarela, boca suja e palhaça de lagriminha no canto do olho. TUDO BEM. Aceite isso. Tem seu charme. Ou não, mas, de um jeito ou de outro, vai ter gente que vai gostar de você de verdade. Talvez não para sempre, mas quem é que está contando? Vai durar e vai ser bom. Você nunca vai ser adorável, fofa, corajosa e elegante, mas tem gente muito mais escrota que tem amigos fiéis, sabia? Vai entender. Enfim, tem gosto pra tudo. Para você também.

9. Você vai amar profundamente algumas pessoas que vão pegar seu coração, picar bem miudinho e servir para o gato, e o pior é que o gato vai cheirar, fazer aquela cara que só gato faz de “ih, é caca!” e tentar enterrar no piso da cozinha. Tudo bem. Ame mesmo assim. Sem essa de “nunca mais”. “No fim, o amor que você leva é o amor que você dá” e coisa e tal. Você sabe que não vale a pena viver de outro jeito.

10. ESCREVA, diabo.

 

Mão dupla

“Amizade é uma via de mão dupla. Mantenha o caminho até a porta da sua casa desobstruído, mas não perca tempo contornando os obstáculos que os outros erguem diante das deles. Quando os dois caminhos estiverem livres, a amizade ocorre.”
Marcelo Paschoalin

Caraval

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A história pessoal da Stephanie Garber é um belo exemplo para todos os escritores que estão a ponto de desanimar depois de várias tentativas infrutíferas de obter um lugar ao sol no mercado editorial (e principalmente no coração dos leitores).

A jovem norte-americana é autora de Caraval, young adult que chega ao Brasil pela Novo Conceito com tradução minha. No fim do livro, ela é muito sincera ao fazer “um agradecimento mais que especial aos meus pais, que ajudaram a me manter e me deixaram morar com eles para que eu pudesse terminar este livro. Um agradecimento ainda maior porque vocês dois acreditaram em todos os livros inéditos que vieram antes deste”.

“Antes de Caraval, escrevi outros cinco livros que nunca venderam, nunca foram publicados. Foi doloroso”, conta a autora em entrevista ao Estadão.

Este ano ela finalmente publicou pela primeira vez. Caraval esgotou na Amazon só duas semanas depois do lançamento. É best-seller do New York Times. Foi traduzido para 26 países. Os direitos de adaptação cinematográfica foram comprados pela Twentieth Century Fox. Dizem que estão desenvolvendo um longa-metragem. Na minha opinião, deveriam fazer uma série. O potencial é alto e o momento é perfeito.

É claro que nem toda obra de estreia terá esse impacto. A maior parte NÃO terá. Mas essa não é a primeira história que Stephanie escreve; só a primeira que publica. Ela estava mais preocupada em escrever o que queria do que em publicar. Porém, insistiu até encontrar uma editora que apostasse nela (e depois disso muitas outras). Escritores, façam como ela e não desistam. Insistam. Mais que tudo, evoluam.

Escrever é suar

Devido ao trabalho e ao resto da vida, que consiste em partes mais ou menos iguais de deveres e prazeres, faz três meses que não escrevo meu livro. Mas ontem à noite, ao voltar de uma visita às minhas tias, vim germinando ideias no caminho e tive um daqueles raros momentos-eureca, em que a solução para um problema (no caso, uma cena) aparece com clareza na cabeça da gente, como se alguém arrastasse o sofá da sala e dissesse “pronto, sua tonta, foi aqui atrás que você escondeu e não lembrava, agora trata de usar”.

Digo raro por não acreditar que a maior parte do fazer literário venha da inspiração e do acaso, mas sim do estudo, da prática e do esforço, talvez partindo de um momento-eureca, sim, mas quase nunca se alicerçando nele. Escrever é suar. Não por acaso, é delicioso e deixa a gente exausta.

Para empreender esse esforço cada autor trabalha no seu ritmo. Uns separam algumas horas para escrever no fim do dia de trabalho (outro trabalho, entenda-se), e assim funcionam; outros precisam de mais horas, até dias seguidos de dedicação quase integral, e reservam um fim de semana, feriado prolongado ou até as férias para a escrita.

Em geral sou do segundo tipo (lembra os três meses sem escrever?). Preciso imergir e dar uma boa olhada nas profundezas do cenário antes de sair nadando por ele. Poupo umas tardes de sábado e domingo para a escrita, se puder até uma semana inteira de folga-sem-folga, e mergulho. E aí, como dizem os andaluzes, no estoy pa na. Não telefone, não mande carta, não mande alguém me avisar, que eu só quero escrever.

Mas tem os momentos-eureca. Não dá para conjurá-los, mas quando eles baixam na gente é melhor aproveitar. Nunca espere a inspiração. Também não a rejeite quando vier.

Daí cheguei à casa da minha sogra, tomei banho, hora de escrever. Não tinha computador nem caderno, saquei o celular: 436 palavras. Pouco, mas muito bom para um dia que eu nem dediquei à escrita. Solucionei uma cena-chave que precisava de drama e ação. Dormi feliz.