Leitor crítico também é gente: vídeo

No mês passado, visitei o pessoal do Who’s Geek, canal do YouTube dedicado à literatura, principalmente ficção científica e fantasia, e a nerdices correlatas. A Gabriela Colicigno e eu conversamos sobre publicação, editais de literatura, leitura crítica, procrastinação, as mensagens da ficção e muito mais.

E teve a participação especial de uma fofura chamada Thor. 😀

E a Gabs ainda conseguiu condensar tudo em 11 minutos!

Além do canal, o Who’sGeek também é um site onde a Gabs, o Roberto Fideli e seus colaboradores publicam resenhas e análises de filmes, livros, games, HQs e afins, escritas com cuidado profissional. Conheça o site aqui!

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Pérolas acessíveis

Correndo o risco de chover no molhado: pessoas, procurem diversões gratuitas na sua cidade. Vale a pena e rende ótimas surpresas.

No último fim de semana, maridoffmann e eu estávamos contendo gastos e recebi a dica providencial da minha amiga Ana Cristina Kashiwagi (valeu, Ana!) sobre a apresentação Kurasawa e Sonhos no sábado, 5/5, no Sesc Santos. Uma exibição do filme Sonhos (na verdade, oito curtas do diretor japonês baseados em seus sonhos recorrentes), com trilha sonora do compositor Anselmo Mancini, executada ao vivo por ele (piano), Kooi Kawazoe (koto e shamisen), Silnei Doomacil (flauta transversal e piccolo) e Rubens Alves (vibrafone e percussão). Foi uma experiência sensorial mágica.

No domingo (6/5), fomos ao Museu do Café, no centro da cidade, ver a exposição intinerante Estação da Língua Portuguesa, com parte do conteúdo do Museu da Língua Portuguesa (aquele que pegou fogo), que vinha percorrendo cidades do estado de São Paulo. Eu nem sabia dessa mostra, mas estava decidida a fazer alguma coisa diferente no domingo e peguei a dica no site Juicy Santos, que sempre tem alguma opção para quem quer ver mais que praia por aqui. Chegamos a tempo de pegar o último dia.

Aproveitando que Santos é uma pequena grande cidade, fizemos tudo a pé, depois do almoço, voltando para jantar em casa. Curtimos: horrores. Gastamos: zero dinheiro.

Verifiquem sempre a programação do Sesc mais próximo da sua casa. Acompanhem os eventos nas bibliotecas públicas. Procurem. Sei que às vezes a gente não tem dinheiro nem para o ônibus, mas, tendo chance, aproveitem. Adoro meu combo costumeiro de domingo, praia+videogame+Netflix, mas isso é confortável, e conforto não cria novidade. Sair da rotina faz bem à cabeça. Para quem pretende criar algum tipo de arte, contar histórias, dar um jeito de se expressar e tocar o mundo, é mais que bom: é essencial.

P.S.: Quem passar por Santos até 1/7, confira no Sesc a mostra “Barroco Ardente e Sincrético Luso-Afro-Brasileiro“, com curadoria de Emanoel Araujo e “pinturas, esculturas e artefatos religiosos apresentam referências do barroco na religião e nas culturas erudita e popular do Brasil e de Portugal, entre os séculos XVII e XIX.”

P.S.2: Outra opção com eventos culturais gratuitos em Santos é a Pinacoteca Benedicto Calixto, lindo casarão na orla com mostra permanente do pintor, belo jardim e um bistrô nos fundos (investimento opcional, rs!).

P.S.3: Quem perdeu o filme/música ainda pode ouvir a trilha no site do Anselmo!

Mas poderia ser

Não tenho tido muito tempo para editar meu romance, mas anteontem escrevi um miniconto no ônibus que descia a serra.

Naquela semana que passamos juntas ela falou muito. Sobre os livros que amou, os filmes que a cativaram, os lugares pelos quais passou, mas que nunca passaram. Nada sobre gente. Nem família, nem amigos, muito menos amante. Deu a entender que não os tinha ou, se tinha, não importavam.
Uma semana é pouco para conhecer alguém. Uma semana não é uma vida, eu sei. Mas poderia ser.
Na absoluta falta de gente em sua existência, eu me senti rainha dos seus dias e privilegiada por sê-lo, já que ela não procurava quem ocupasse o trono. A solidão não lhe pesava nos ombros. Ao contrário: dava-lhe asas. Reinava sem par nem pesar num castelo feito de céu e fez para mim um trono ao seu lado porque quis. Em suas asas vi o mundo do alto, sem peso nem queda.
Ela não era um pássaro, eu sei. Mas poderia ser.
Quando nos despedimos, entendi que provavelmente não nos veríamos de novo. Achei que seria apropriado sofrer de saudade antecipada, só que não consegui. Nunca gostei de pássaro em gaiola. Sempre gostei de pássaro no céu.
No beijo que ela me deu havia aceitação e afeto. Afeto não é amor, eu sei. Mas poderia ser.

Metáfrase #8

Saiu em dezembro o número 8 da Metáfrase, a revista da Abrates! A edição reúne textos sobre as apresentações mais apreciadas no VIII Congresso da Abrates, com temas como currículos visuais, de Carolina Walliter, e tradução literária para o inglês, de Luciana Bonancio, além das reflexões da professora Alzira Allegro sobre versões de contos brasileiros e muito, muito mais!

Destaquei as matérias de que mais gostei pessoalmente, mas este número conta ainda com ótimos textos de Carolina Selvatici, Cristiane Tribst, Karla Lima, Leilane Papa, Luis Fernando Alves, Ricardo Souza, Samantha Santos, Sidney Barros Junior e Ulisses Wehby de Carvalho.

A Metáfrase é feita POR tradutores PARA tradutores, é digital e GRATUITA. Faço parte da equipe editorial como revisora, com Petê Rissatti como editor-chefe, Carolina Caires Coelho como editora adjunta e Dener Costa como designer e diagramador.

Para baixar a revista, clique aqui!

Queria ouvir os pássaros

Dezembro de 2017.
Queria ouvir os pássaros, mas o som dos motores não deixou, o carro motocicleta roçadeira, a gasolina, que é petróleo, que é fóssil, que é natureza morta calando a natureza viva, que é resto de bicho, talvez por isso tão feroz, talvez por isso tão fadado a morrer e matar todo o resto.
Só queria ouvir os pássaros. Se não é petróleo é falatório, é boca ocupada com mente vazia, que há de nos matar também.

Algazarra

Encontrei uns versinhos que escrevi em outubro de 2017, guardei no celular e esqueci que existiam. Havia muito tempo que não brincava com rimas.

Minha alma é uma algazarra.
É silêncio o que eu busco,
Mas no mundo há tal ruído
Que é como um cravar de garra
Na vontade e no sentido,
E meu ser se torna brusco,
Besta-fera que na marra
Sai dos eixos e dá ouvido
Às vozes do lusco-fusco,
Demônios que, sempre em farra,
Matam tudo o que é querido.

 

Um estranho numa terra estranha

As pessoas que não leem ficção científica acham que ficção científica é (só) nave espacial, raio laser, explosão. Mas:
 
“O amor é aquela condição em que a felicidade de outra pessoa é fundamental para a sua… O ciúme é uma doença, o amor, uma condição saudável. A mente imatura muitas vezes confunde um com o outro ou presume que, quanto maior o amor, maior o ciúme.”
Robert A. Heinlein, Um Estranho numa Terra Estranha
“Love is that condition in which the happiness of another person is essential to your own… Jealousy is a disease, love is a healthy condition. The immature mind often mistakes one for the other, or assumes that the greater the love, the greater the jealousy.”
Robert A. Heinlein, Stranger in a Strange Land
Traduzi o trecho acima porque esbarrei com ele em outro livro do gênero. Há pérolas espalhadas pelo caminho.
Um Estranho numa Terra Estranha foi lançado no Brasil pela Editora Aleph com tradução do Edmo Suassuna.