The Best of the Three na IGMS

Meu conto “The Best of The Three”, ganhador da terceira edição do Concurso Hydra de Literatura Fantástica, acaba de sair na edição #58 da OSC’s Intergalactic Medicine Show!

No site dá para ler os primeiros parágrafos da história em inglês gratuitamente. Ela foi publicada em português como “A Melhor das Três” na coletânea Bestiário 2, outras criaturas, em 2013.

Agradeço mais uma vez aos organizadores do concurso, Christopher Kastensmidt e Tiago Castro, e ao editor da revista, Scott M. Roberts; sem eles não haveria concurso, nem prêmio, nem publicação. E à Ana Lúcia Merege; sem o convite dela para participar de Bestiário 2, eu nunca teria escrito esse conto. E não estaria aqui agora dando pulinhos e sacudindo alucinadamente as mãos.

Se meu dia começou meio ruim… agora não posso mais reclamar.

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De máquinas do tempo enguiçadas e grifos que gritam com os vizinhos no elevador

 

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Grifo com a coroa mural da Perúgia, século XIII. Fonte: Wikipédia (sob licença Creative Commons).

Há algum tempo penso em voltar a estudar a língua de modo mais disciplinado, com acompanhamento de um professor e incentivo dos colegas. O objetivo principal, além do óbvio prazer de aprender, seria aprimorar meu inglês o bastante para passar a escrever nessa língua com a mesma propriedade com que escrevo em português, além de oferecer serviços de versão (que tantas pessoas me pedem e eu, ó, nada).

Então fui à Cultura Inglesa fazer uma avaliação do meu nível de conhecimento. Parte dela mandava compor uma redação em inglês. Havia duas opções: resenha de filme e e-mail em resposta a uma amiga ou amigo.

Acabou sendo um exercício de criatividade. Como não tinha o menor compromisso de dar continuidade ao texto, acabei escrevendo uma ficção curta misturando todas as doideiras que me vieram à mente porque sim. (O professor riu bastante. Diverti uma pessoa, estou feliz. Também me diverti escrevendo.)

Maridoffmann quis ler o texto quando voltei, mas ficou com a escola. (Agora, basta esperar até eu virar uma escritora rica e diva e eles podem leiloar o manuscrito por vários dinheiros…) Então, chegando em casa, tentei reescrever a redação. Não é o mesmo texto, pois obviamente não o memorizei e agora tenho o que não tinha naquele momento: um teclado (detesto escrever à mão e tenho letra de médico) e acesso ao corretor do Grammarly para não pisar (muito) na bola.

Minha expressão verbal em inglês é muito limitada, considerando tudo. Então, críticas à forma serão bem-vindas. Mas esquece a trama, ela não existe. (Por enquanto. Vai saber?)

A redação era mais ou menos assim:

Option 1: Answering a friend’s email. Your friend wrote to you telling he/she has just found a job and moved to São Paulo.

Mandatory items:

Comment on your friend’s big news;

Tell him/her what you’ve been doing since you last met;

Mention something extraordinaire that happened to you;

Make plans to see your friend soon.

 

Hi there, Paola! How’s it going?

I’m so glad to hear from you! I’m rather impressed to know that you’re living in São Paulo. Even more so that you’re living in the 21st century. Are you tired of the Renaissance already?

I’m living in Santos ever since my time machine went FUBAR. I finally managed to successfully make a deal with the English pirates so they’d stop getting nasty with the local mermaids in the 1700’s. It was about time! But now I’m pretty much retired from Time Law Enforcement.

Also, I’m now the proud mother of two baby gryphons named Artemisia and Altaïr, and yes, the last one was named after Assassins Creed’s best character ever. I’ll leave you to guess why I haven’t named the first one Sophonisba like I promised your favorite Italian painter back in the 1600’s. I’m having a hard time trying to teach them not to scream at the neighbors in the elevator. Can you give me some tips on how to do it? You’re the expert!

Please come to Santos, David and I will love to have you here. Or else I can go to São Paulo. With the New Transbrazilian Railroad I can get there in less than 30 minutes.

Love you always.

Podcast Curta Ficção #025: Tradução Literária

 

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Imagem oficial de divulgação do Podcast Curta Ficção #025

Mas eu ando muito pimpona mesmo.

Na semana passada corri um bocado e acabei não avisando aqui, mas saiu a edição número 25 do Podcast Curta Ficção, um dos melhores podcasts brasileiros sobre literatura especulativa. Esta edição é sobre tradução literária e tive o privilégio de participar dela com os anfitriões Janayna Bianchi PinRodrigo Assis Mesquita e Thiago Lee, além do também tradutor e escritor Santiago Santos, tão elogiado pelos colegas que vou ter que conferir sua obra. Esse povo todo é sensacional e eu quero andar com eles no recreio.

Acredite se quiser: falei pouco! Mas são 45 minutos preciosos com reflexões sobre a relação entre a literatura e o fazer tradutório (e uma conclusão hilária!).

Para escutar, clique aqui.

Acompanhe a página do Podcast Curta Ficção no Facebook.

E fique com o recado da equipe:

PARTICIPE DO NOSSO PROGRAMA #026!
Enviem suas perguntas sobre escrita e mercado editorial, criação, universo e tudo mais até o dia 05/10 através de comentários no site, mensagem no Facebook, no Twitter ou por e-mail no contato@curtaficcao.com.br.
http://bit.ly/curtaficcao025

David D. Levine, pesquisa e Wild Cards

 

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Imagem oficial de divulgação da Editora LeYa. Ilustração de capa por Marc Simonetti.

“O legal da pesquisa é que você aprende coisas sobre o mundo real que enriquecem a trama. Comecei com uma vaga noção do Tiago como um menino da favela — não sabia nada sobre o Rio, a não ser que era uma cidade grande com umas partes muito ricas e outras muito pobres —, mas as coisas que descobri pesquisando se infiltraram no personagem e na história em desenvolvimento de um jeito que agora parece inevitável. Principalmente quando aprendi sobre os catadores e como eles reciclam lixo e o transformam em coisas úteis, a ligação com Tiago e seus poderes ficou óbvia — mas eu não sabia nada sobre isso até começar a pesquisar. As tensões entre os ricos e os pobres acrescentaram drama ao cenário, e os traficantes de drogas se mostraram vilões perfeitos.”

David D. Levine

David D. Levine é autor de O Reciclador, que conta a história do primeiro personagem brasileiro do universo de Wild Cards, série editada por George R. R. Martin. Nesta entrevista ao Omelete ele conta um pouco sobre o processo de pesquisa e escrita do livro.

Tradução minha (tanto da entrevista quanto do livro). 

Neste link oficial da LeYa você pode ler as primeiras páginas de O Reciclador.

Nunca a esqueci

A escritora Ana Lúcia Merege perguntou hoje aos colegas em sua timeline do Facebook se havia um personagem que os acompanhara em diferentes fases da vida e como ele havia evoluído.
Tenho uma personagem sobre a qual escrevi muito na adolescência. Desenhei vários retratos seus. Ainda tenho alguns. Outros foram roubados. Depois a abandonei com a promessa de um dia voltar a registrá-la quando eu fosse boa o bastante para fazer-lhe justiça.
Lá se vão vinte anos. Nunca a esqueci.
Uns anos atrás, numa noite de insônia, o cérebro só sossegou quando levantei e escrevi duas páginas sobre ela, prometendo, de novo, voltar quando estivesse pronta.
O curioso é a forma como a imaginei quando a criei: uma mulher entre 30 e 40 anos, fisicamente baixa, de ombros largos, pele amarelada, cabelos pretos rebeldes e vincos bem fortes em torno da boca, o que, combinado às pálpebras pesadas, dava-lhe um ar um tanto arrogante.
Não sei se ela evoluiu. Só que eu, hoje “entre 30 e 40 anos”, me tornei fisicamente parecida com ela.

O perfeccionismo está te afastando do sonho de escrever?

 

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Foto de Aaron Burden via Visual Hunt.

A escritora norte-americana Kaitlin Hillerich é dona do ótimo site Ink and Quills, onde publica uma série de dicas para autores iniciantes. Também tem uma newsletter que eu assino e um ouriço de estimação que se chama Camilla, olha, somos quase xarás.

Assim, em outubro passado recebi dela um e-mail que falava do perfeccionismo exacerbado pelo qual muitos autores se deixam levar, o medo de chegar ao fim da jornada da escrita e soltar a cria literária no mundo (ao contrário dqueles que publicam qualquer texto sem leitura crítica nem revisão, mas isso já são outros quinhentos). Não tenho medo de publicar, mas muitas vezes me pego procrastinando a escrita por uma série de outros motivos (bobos) que, percebo, me separam dos meus objetivos.

O artigo da Kaitlin era exatamente o que eu precisava ler naquele momento. Gostei tanto que pedi à autora permissão para traduzi-lo. Ela disse sim!

Esta tradução é especialmente para aqueles dentre vocês que amam escrever e sonham em publicar, mas temem o próprio sonho.

13/10/2016

O perfeccionismo está te afastando do sonho de escrever?

E aí, escritor? Como vai a sua história? Estive editando meu livro THESE SAVAGE BONES e me abastecendo com muito chocolate e quantidades absurdas de cereais. (Sou viciada em cereais, ok? Não me julgue.)

Hoje, vou entrar num campo um pouco pessoal e compartilhar com você uma dificuldade que venho enfrentando há algum tempo… Perfeccionismo. Se você também encara essa dificuldade, quero que saiba que não está sozinho, amigo.

Ultimamente, percebi que meu perfeccionismo na escrita está me impedindo de desenvolver uma carreira como autora. Já faz quase um ano que terminei de escrever minha novela e ainda estou procrastinando os toques finais. Deveria ter começado a procurar um agente há meses, mas, toda vez que pensava nisso, ficava paralisada.

Demorei um tempo para descobrir por que insistia em arranjar desculpas para não começar o processo de publicação. Não é que eu tivesse medo de mostrar meu trabalho às pessoas — por mim, tudo bem deixar os amigos, a família e os leitores beta lerem minhas histórias. O xis da questão era um pouco mais específico.

Sabe o que finalmente percebi?

Estou morrendo de medo de publicar. E isso, você sabe, é um baita problema se eu pretendo ser escritora.

Finalmente descobri que esse medo vinha da minha natureza perfeccionista. Tenho receio de lançar um trabalho e deixá-lo para sempre à vista de todos, algo que nunca mais poderei mudar, e que ele seja uma porcaria. A simples ideia me dá um nó no estômago.

E se não for tão bom quanto pensei que fosse? E se me arrepender depois? E se as pessoas detestarem? E se for um fracasso total?

Fiquei tão obcecada com a perfeição nas minhas histórias que isso passou a me bloquear como escritora. Esta foi uma das razões pelas quais decidi escrever e lançar por conta própria minha próxima novela, THESE SAVAGE BONES: me forçar a superar meu perfeccionismo e meu medo de publicar.

E vou te dizer uma coisa: estou com medo. Já devo ter me perguntado “que diabo eu estava pensando?” pelo menos um zilhão de vezes desde que defini a data de publicação. Mas sabe o que mais? PERFEIÇÃO É ILUSÃO.

Arrã, ilusão, assim como esses modelos photoshopados que você vê nas capas das revistas. Nenhuma história que você escreva jamais será perfeita. Os livros publicados também estão cheios de defeitos. Até mesmo a J.K. Rowling disse que há coisas que ela gostaria de poder mudar em seus livros, se pudesse voltar atrás.

Há mais uma coisa que percebi: AS IMPERFEIÇÕES NÃO NECESSARIAMENTE IMPEDEM OS LEITORES DE APRECIAR SUA HISTÓRIA. A série Harry Potter pode ter defeitos, mas veja quantas pessoas a adoram (inclusive eu). Já pensou se a J.K. Rowling nunca tivesse publicado Harry Potter por achar que não era bom o bastante? O mundo teria ficado sem essa história sensacional.

Gostei de escrever THESE SAVAGE BONES, acho que é uma história boa e estou feliz com o resultado, ainda que não seja perfeito. Fiz tudo o que pude para tornar a história tão boa quanto possível. E sabe de uma coisa? É o suficiente. O MELHOR QUE VOCÊ PODE FAZER COMO ESCRITOR É O SUFICIENTE.

É inevitável que algumas pessoas não gostem da sua história — é impossível agradar a todos os leitores, e tudo bem. Mas, se você está feliz com o que obteve, é o suficiente. Se consegue se orgulhar do seu trabalho, é o suficiente. Se há leitores que gostem de ler sua história tanto quanto você gostou de escrever, é o suficiente.

Mesmo que ainda tenha defeitos.

Estou aprendendo que um escritor não pode se agarrar a uma história para sempre, tentando chegar a uma perfeição inalcançável. Você precisa publicar suas histórias e começar a desenvolver sua carreira. É o que estou tentando fazer agora, começando com THESE SAVAGE BONES. Estou cansada de deixar meu perfeccionismo me controlar e me afastar do sonho de me tornar escritora. É hora de lançar minhas histórias pelo mundo.

E você, amigo? O perfeccionismo está te segurando? Vamos superá-lo juntos. Se você enfrenta esse problema e precisa de apoio e incentivo, fique à vontade para me mandar um e-mail ou me procurar no Twitter como @ink_and_quills.

Tenho fé em nós. Agora, vamos lá ser escritores destemidos e confiantes e publicar histórias maravilhosas!

Boa escrita e até a próxima!

Kaitlin
Copyright © 2016 Ink and Quills, Todos os direitos reservados.

A propósito: a obra da Kaitlin já está à venda como e-book na Amazon. Está na minha lista de desejos!

Abaixo, o texto original em inglês:

Hey there, writer! How’s your story coming? I’ve been editing away on THESE SAVAGE BONES and powering through with lots of chocolate and ridiculous amounts of cereal. (I have a cereal addiction okay? Don’t judge).

Today, I’m going to get a little personal and share with you something I’ve been struggling with for a while now… Perfectionism. If this is something you struggle with as well, I want you to know you’re not alone, friend.

Lately, I’ve come to realize that my perfectionism in my writing is holding me back from building a career as an author. It’s been almost a year since I’ve finished my full-length novel, and I’m still procrastinating about finishing up the final edits. I should have started querying agents months ago, but every time I thought about it, I froze.

It took me a while to figure out why I kept looking for excuses to avoid starting the publication process. It wasn’t that I was afraid of letting people read my work—I’m fine with letting friends, family, and beta readers read my stories. The true issue was a little more specific.

You know what I finally realized?

I’m terrified of publication. Which is, you know, kind of a problem if I intend to be an author.

I finally figured out this fear was coming from my nature as a perfectionist. I’m afraid of putting a piece of work out there permanently for everyone to see that I can never change again, and I’m afraid it will suck. The thought of it makes my stomach twist into knots.

What if it isn’t as good as I thought it was? What if I regret it later? What if people hate it? What if it totally bombs?

I’ve become so obsessed with perfection in my stories that it’s holding me back as a writer. This is one of the reasons I decided to write and self-publish my upcoming novella, THESE SAVAGE BONES—to force myself to overcome my perfectionism and my fear of publication.

And let me tell you, I am afraid. I’ve probably said to myself “What the hell was I thinking?” at least a kazillion times since setting my publication date. But you know what? PERFECTION IS AN ILLUSION.

Yep, an illusion, just like those photoshopped models you see on the covers of magazines. No story you write will ever be perfect and even published books are full of flaws. Even J.K. Rowling has said there are things she wishes she could go back and change about her books.

Here’s something else I’ve realized: IMPERFECTIONS DON’T NECESSARILY KEEP READERS FROM ENJOYING YOUR STORY. The Harry Potter series may have flaws, but look how many people adore it (myself included). Can you imagine if J.K. Rowling never published Harry Potter because she thought it wasn’t good enough? The world would have been deprived an amazing story.

I enjoyed writing THESE SAVAGE BONES and I think it’s a good story and I’m happy with how it turned out even though it isn’t perfect. I’ve done everything I can to make the story the best it can be. And you know what? That’s enough. YOUR BEST IS ENOUGH AS A WRITER.

Inevitably, there will be people who won’t like your story—it’s impossible to please every reader and that’s okay. But if you’re happy with how it turned out, it’s enough. If you can take pride in your work, it’s enough. If there are readers who enjoy reading your story as much as you enjoyed writing it, it’s enough.

Even if it still has flaws.

I’m learning that as a writer, you can’t hold on to a story forever trying to achieve unattainable perfection. You need to publish your stories and start building your career. That’s what I’m trying to do now, starting with THESE SAVAGE BONES. I’m tired of letting my perfectionism control me and hold me back from my dream of becoming an author. It’s time for me to release my stories into the world.

What about you, friend? Is perfectionism holding you back? Let’s overcome it together. If you struggle with perfectionism and need a friendly, encouraging ear, feel free to shoot me an email or hit me up on Twitter @ink_and_quills.

I believe in us. Now let’s be fearless, confident writers and
publish amazing stories!

Until next time, happy writing!

-Kaitlin

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