VIII Congresso Internacional da Abrates

Agora, sim, deu para sentar e dizer:
O VIII Congresso Internacional da Abrates foi sensacional. É a segunda edição a que vou, desta vez também como palestrante, e a cada vez aumenta minha convicção de que um evento como esse é muitíssimo necessário. Palestras em seis salas ao mesmo tempo, com temas variados para um público igualmente diverso, que vai do iniciante ao veterano, do generalista ao especialista. (Difícil é escolher a palestra, queria poder voltar uma hora no tempo para ver mais de uma, mas cadê máquina do tempo quando a gente precisa?) Chance de troca de conhecimentos, reencontro com velhos conhecidos, criação de novos contatos, enfim, aprendizado em muitos níveis pessoais e profissionais num fim de semana cheio de boa vontade.
Valeu, diretoria da Abrates! Valeu, pessoal da Quest e da Haas, palestrantes e participantes. Ano que vem tem mais e é no Rio de Janeiro.

Ignorante

De uns tempos para cá adquiri o hábito de confessar minha ignorância com todas as letras. Sou ignorante mesmo. Nada de “hum, como assim xyz?” (coisa que a gente ouve muito quando usa uma palavra que o outro não conhece, mas não quer admitir). Mando logo um “desculpe, não entendi, você pode explicar?”, ou então “não sei o que é xyz, me explica?”.
Recomendo. É libertador fazer isso quando você está cansada de ambientes onde parecer inteligente é mais importante que sê-lo de fato. Se isso me fizer parecer a burrinha do rolê, paciência. Quem não pergunta não quer aprender.

Paella vegetariana

Fiz hoje pela primeira vez e gostei do resultado. Como acertar um prato é um verdadeiro acontecimento nesta casa, registrei a obra e a receita. Para quem se interessar, segue abaixo.

 

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Se o desfoque das bordas te incomoda, saiba que é só para desviar sua atenção do fogão sujo. 😛

 

Primeiramente, existem muitas formas de fazer paella, assim como existem muitos modos de preparar arroz. Mesmo que a sua receita se restrinja a ingredientes vegetarianos. Como a vegetariana já é em si uma variação, não uma tradição, o prato é seu e você pode colocar os legumes que quiser: frescos, desidratados ou em conserva. O importante é enriquecer a paella com sabores e texturas diferentes. Já vi até quem sugerisse usar leite e algas japonesas desidratadas. Consultei algumas receitas na internet, umas mais complexas, outras mais simples, com modos de fazer variados, peguei o que tinha em casa e cheguei ao “meu” jeito.

Segundamente, vamos ao que interessa.

1 copo de arroz integral
3 copos de água
1/2 cebola picada
1/3 de uma berinjela grande cortada em cubos
1/3 de uma abobrinha grande cortada em cubos
1/3 de um pimentão vermelho cortado em cubos
1 tomate italiano cortado em cubos
1 punhado de lentilha
1 punhado de feijão branco grande
1 punhado de cogumelo paris fatiado em conserva (pode ser o fresco também)
1 colher de sopa de açafrão em pó (pode ser açafrão-da-terra)
sal a gosto
azeite a dar com pau (ou “quanto baste”, se você for elegante)

Por que esse monte de terços?, você pode perguntar. Se já preparou alguma coisa com abobrinha, berinjela ou pimentão, sabe que esses vegetais rendem muito mais do que a gente espera. Cheguei a picar mais que isso e não consegui usar tudo! Vá por mim, quantidades pequenas é mais seguro. Afinal, são vários ingredientes.

Ferva 2 copos de água numa panela. Acrescente o arroz, a lentilha, o sal e o açafrão e cozinhe em fogo médio. Mexa de vez em quando. (Aqui coloquei também o feijão branco hidratado, mas ele ficou um pouco duro; se quiser usar o feijão é melhor cozinhá-lo previamente.) Desligue antes de ficar totalmente seco.

Aqueça uma paellera (no meu caso foi uma frigideira bem grande), ponha uma dose generosa de azeite e refogue a cebola. Acrescente o pimentão picado, a abobrinha, a berinjela (fiz nessa ordem mesmo) e deixe refogar até “murchar” um pouco. Por último, o tomate, que é mais molinho. Sal à vontade (lembrando que o arroz já está salgado).

Coloque o arroz da panela com os outros ingredientes na paellera ou frigideira. Misture, acrescente 1 copo de água quente (aquele terceiro da lista de ingredientes) e deixe cozinhar em fogo médio.

Toque pessoal: enquanto a mistura toda cozinhava, arrumei uma parte do pimentão e do tomate que havia cortado em tirinhas por cima da paella, como enfeite. Algumas receitas sugerem isso. Nessa hora coloquei também os cogumelos. Pode afundar essas coisas um pouco com uma colher ou escumadeira para que peguem o sabor do resto do cozido. Um último fio de azeite por cima de tudo fica bom também.

Fique de olho. Tá com a cara boa? Tá cremosinho, não muito seco nem muito molhado? Desligue o fogo. Coma. Lamba os beiços!

Tempo de preparo: 40 minutos.

Serve: 3-4 pessoas (ou duas muito comilonas).

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Moana

Maridoffmann e eu conseguimos achar Moana, um mar de aventuras ainda em cartaz num cinema de rua de Santos.

O filme é lindo, divertido e emocionante. Chorei umas quatro vezes (mas lembrem-se de que não sou um bom parâmetro, caio feito mosca na teia de qualquer cena destinada a comover). Com roteiro bem construído, aborda questões interessantes e atuais, como o progresso desenfreado versus a convivência harmoniosa com a natureza, ponto em que se aproxima fortemente de Mononoke Hime. Aliás, notei uma ou outra referência visual aos filmes de Miyazaki, não sei se proposital ou não.

Moana vive numa ilha belíssima e é a filha do líder da tribo, cuja cultura é de inspiração polinésia. Ela é educada para governar, vivendo não uma vida de luxo, mas de serviço. De fato, é mostrada trabalhando para o povo. Tudo indica que será a primeira mulher a governar a tribo, mas isso não é abordado como novidade ou aberração.

Nos primeiros minutos já sabemos que tipo de pessoa Moana é: desde criança, tem o desejo de atravessar o recife de corais que separa a ilha do mar aberto, o que é proibido, mas está disposta a deixar de lado seus desejos pessoais para ajudar os necessitados (morram de fofura com a cena da tartaruguinha). Tem o perfil de uma líder desbravadora, mais interessada no desenvolvimento que nas tradições impostas pelo pai.

Porém, logo ela encontra um bom motivo para quebrar as regras. Sua missão é encontrar o semideus Maui, fazê-lo devolver o coração que roubou de Te Fiti, deusa da Terra, e com isso restaurar a saúde da própria natureza, em rápido declínio.

Moana é uma protagonista que mete as caras e aprende na marra o que é necessário para desempenhar seu papel. Não segue a cartilha e reivindica aquilo que outros disseram que não era para ela, enfrentando a resistência da família. Ao mesmo tempo que luta por seus sonhos, busca melhorar a vida de todos, servindo a uma causa maior que ela.

Assim, tem muito em comum com Juddy Hopps, a coelhinha do excelente Zootopia. Ambas também passam longe de viver um romance. Estão ocupadas tentando arrastar consigo um parceiro de trabalho relutante e debochado, cujo respeito precisam conquistar. Não por acaso, o roteirista Jared Bush trabalhou nos dois filmes.

Moana, a exemplo de Frozen (“você não pode se casar com alguém que acabou de conhecer”), brinca com alguns paradigmas clássicos da Disney. Há um momento em que a protagonista faz questão de dizer a Maui que não é uma princesa, ao que ele responde algo como: “É filha do chefe, tá de saia e tem um bichinho, então dá no mesmo”. Não conto mais para não estragar as piadas.

A trilha sonora é linda, misturando as canções típicas dos filmes da Disney com músicas do compositor Opetaia Foa’i, cantadas em samoano. Outro compositor da parte cantada é Lin-Manuel Miranda, do elogiadíssimo musical Hamilton.

Se vocês ainda não viram, deem um jeito de ver! Filmaço.

P.S.: A vovó da Moana, todo mundo quer uma avó como ela.

P.S. 2: Se houvesse um concurso de Melhor Animal Ajudante de Mocinha da Disney, o galo Heihei seria páreo duro para o dragão Mushu, de Mulan. “Desonra pra tu, desonra pra tua vaca!” Se bem que Heihei não é ajudante: é atrapalhante!

Sobre a vida fora do Facebook

Outro dia, um amigo meu, escritor de mão cheia, lançou um livro em São Paulo. Eu sabia que ele estava para lançar, mas não imaginava quando. Estava em São Paulo, mas não soube do lançamento. Ele provavelmente divulgou muito no Facebook e convidou todo mundo para o evento criado na rede social, mas, ainda assim, eu não soube. Perdi o lançamento. Claro que ainda dá para comprar o livro, ora. Mas o grande dia, o abraço, o autógrafo, perdi.

Moral da história: não dependam só do Face, amiguinhos! A gente não vê tudo o que rola por lá, mesmo que tente. Aliás, dependam cada vez menos dele! Usem também o bom e velho e-mail. Visitem os blogs nos quais vocês eram viciados há uns anos. Escrevam, convidem, contem as novidades, perguntem “como vai?”. Aí fica quase impossível a amiga dizer “ih, não sabia do seu lançamento/aniversário/festa do divórcio” (mas ela ainda pode dizer, “ah, esqueci” ou “ih, não deu pra ir”, e tudo bem).

Os colegas que já têm newsletters estão promovendo um retorno à comunicação via e-mail, felizmente livre de apresentações em PowerPoint, correntes supersticiosas e historinhas ingênuas e edificantes (que migraram para o Facebook e o Whatsapp, porque nada é perfeito, né?). Esses colegas estão dando um bom exemplo. Até eu, que nem sempre tenho algo assim superimportante a dizer, estou considerando montar uma newsletter… E aí assina quem quer.

Ainda sobre a relação de amor e ódio com o Facebook, recomendo duas leituras:

Então eu meio que resolvi sair do Facebook. Oh noes! O tom e a intenção do autor são muito pessoais, mas eu “me li” em cada parágrafo.

Facebook’s Mental Health Problem. É longo e está em inglês, mas vale a pena. A autora fala sobre a relação entre a depressão e o uso de redes sociais. A situação pode não ser verdadeira para todo mundo, mas com certeza vale para muitos. Foi-me enviado por um amigo que saiu do Facebook e não se arrependeu.

Dezesseis livros

Resgatei este texto de uma postagem que fiz no Facebook em 19/9/2014, pois adoro me surpreender com as memórias do aplicativo On this day. É uma lista não exaustiva de livros que indico por terem sido marcantes para mim. Se tiver curiosidade, ficam aí as dicas. 😉

Cinco amigos já me chamaram na chincha para a lista dos DEZ LIVROS MARCANTES. Estava com preguiça de brincar, mas agora me sinto querida e vou fazer a simpática. Incluo apenas romances e antologias, não HQs nem peças de teatro, e não necessariamente em ordem de importância:

1. Coleção O Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato. A série toda, tirando um livro ou outro. Ensinou-me a gostar de leitura, história, mitologia, folclore. Resvalava na distopia e tinha personagens complexos. (Sim, eu sei que o autor exala racismo em vários momentos e isso é deplorável. Mas não foi o que me marcou na infância. Recomendo a leitura com cautela. Se for ler com uma criança, aproveite para discutir esses pontos.)

2. Breviário das Más Inclinações, de José Riço Direitinho. Sabe quando você compra um livro do qual nunca ouviu falar porque estava em promoção e bateu curiosidade, e não se arrepende nem um pouco? Foi assim. Num fim de mundo em Portugal, onde as pessoas vivem da mesma maneira provavelmente há séculos, uma trama sutil envolve superstições, um possível lobisomem e principalmente a maldade humana. Um livro diferente, no mínimo.

3. O Círculo da Cruz, de Iain Pears. Caiu na minha mão meio por acaso. Trama de mistério, assassinato e misticismo na Inglaterra da Restauração (século XVII), contada sob quatro pontos de vista diferentes, alguns de pessoas francamente detestáveis, o que só enriquece a trama. Magistral.

4. O Ornamento do Mundo, de María Rosa Menocal. Não ficção. A história da Al-Andalus, a Espanha medieval governada pelos mouros. Uma narrativa encantadora, releio-a sempre que posso.

5. Um Espinho de Marfim e Outras Histórias, de Marina Colasanti. Contos de fadas de um lirismo simples e cativante, que fala com partes do meu ser que às vezes tenho dificuldade em contatar. Forte influência no meu estilo de escrita.

6. As Crônicas de Artur, de Bernard Cornwell. Dispensa apresentações, né? Para mim, a história do Rei Artur é conforme contada pelo Bernardão.

7. Harry Potter, de J.K. Rowling. Série completa, em especial O Prisioneiro de Azkaban. Meu envolvimento com esse livro foi tamanho que cheguei a ter dor de cabeça enquanto lia o clímax. Também dispensa apresentações, então só digo que reavivou meu interesse por fantasia e literatura infanto-juvenil.

8. Fábulas do Tempo e da Eternidade, de Cristina Lasaitis. Estilo firme, com lirismo e bom-humor nos lugares certos. Impressiona o fato de a autora ter apenas 24 anos quando o lançou. Aproveite que o livro foi relançado em e-book este ano.

9. O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë. De jeito nenhum poderia estar fora da lista. Um livro difícil para a menina de 13 anos que eu era quando li. Ampliou meu vocabulário e minha percepção da complexidade emocional humana. Apesar de ser considerado por gente mal-informada como “só um livro de mulherzinha”, foi na contramão das obras da época, considerado perverso e negativo pelos críticos (talvez por seus protagonistas dolorosamente humanos). E Brontë escreveu-o aos 19 anos…

10. Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes. Apesar de este também dispensar apresentações, quero dizer que é provavelmente o livro mais engraçado que já li. E, por que não, um dos mais tristes.

11. Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice. Profundo, íntimo, perverso, apaixonante. Nunca houve um livro de vampiros como esse, e nunca mais haverá.

12. Memórias de um Diabo de Garrafa, de Alexandre Raposo. O personagem central, um demoninho conjurado e lacrado numa garrafa, conta uma história que atravessa o mundo e os séculos, em meio a personagens e momentos históricos reais, com bom humor e originalidade. Do jeito que eu gosto.

13. Zigurate, de Max Mallmann. A trama reúne doses bem pensadas de aventura, mistério, bom humor, sensualidade e momentos filosóficos ao contar a história de dois personagens que, basicamente, testemunharam toda a história da humanidade. Divertidíssimo.

14. Territórios Invisíveis, de Nikelen Witter. Tem folclore, mitologia, mistério, aventura, perigo, momentos engraçados e personagens humanos e complicados, que despertam simpatia e às vezes até revolta. Um infanto-juvenil cheio de nuances, para adulto nenhum botar defeito.

15. Meio óbvio, mas vá: A Song of Ice and Fire, de George R.R. Martin. Levei uns 6 meses para ler os 5 tijolões da série (ainda incompleta) e, no final, estava tão emocionalmente envolvida que foi como terminar um relacionamento. Bateu vazio existencial e tudo. Sim, é tão legal quanto dizem.

Aumento a lista, que deveria ser de 10, para 16: The Last Unicorn, de Peter S. Beagle. Porque unicórnios são MUITO legais, ponto. Mentira, não é só por isso. É uma história delicada, irônica, bem-humorada e ao mesmo tempo triste (oi, Quixote) sobre a busca pelo amor e pela beleza, e como o desejo pode se transformar em cobiça e crueldade, e levar à morte da magia no mundo. Um dos livros mais bonitos que já li. Falei um pouco mais sobre ele e outros aqui.

Noite Estrelada

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Noite Estrelada. Van Gogh, 1889. Via Wikipedia.

“No outono de 1970, eu trabalhava cantando no sistema escolar, tocando violão em salas de aula. Um dia, estava sentado na varanda de manhã lendo uma biografia de Van Gogh e, de repente, soube que precisava escrever uma música dizendo que ele não era louco. Ele tinha uma doença, assim como seu irmão Theo. Isso o torna diferente, a meu ver, de um ‘louco’ qualquer – porque ele tinha sido rejeitado por uma mulher [como muitos pensavam]. Então, sentei com uma cópia de Noite Estrelada e escrevi a letra numa sacola de papel.”

Don McLean em entrevista a Helen Brown para o Telegraph.

A defesa de Van Gogh foi gravada em 1971 com o nome de Vincent ou Starry, Starry Night. Nela, McLean faz referência a várias obras do pintor e argumenta que ele tentou se comunicar com o mundo por meio da beleza de sua arte; a incompreensão e o desespero, aliados à sua doença, o teriam levado ao suicídio. Uma verdadeira ode ao acolhimento das pessoas portadoras de psicopatologias, numa época em que pouco (ou nada?) se falava sobre isso.

É uma das músicas mais bonitas que já ouvi, e não lembro quando foi a primeira vez que o fiz. Escutar acompanhando a letra é garantia de choro para mim.

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Doze Gisassóis numa Jarra. Van Gogh, 1888. Via Wikipedia.

Agora, não estou conseguindo publicar o vídeo da música no YouTube aqui, porque o WordPress não me ama mais. Mas você pode ouvi-la toda aqui. O vídeo traz a letra, mas os tempos estão um pouco adiantados, então, é mais confortável ouvir a canção lá e ler a letra aqui.

Caso você ainda não tenha muita familiaridade com o inglês, ofereço uma tradução não poética (sem preocupação com as rimas e a métrica do original) abaixo.

Noite estrelada, estrelada
Pinte sua paleta de azul e cinza
Olhe para fora num dia de verão com olhos que conhecem a escuridão na minha alma

Sombras nas colinas
Esboce as árvores e os narcisos
Capture a brisa e o frio do inverno em cores na terra nevada e linhosa

Agora entendo o que você tentou me dizer
E como sofreu por sua sanidade, e como tentou libertá-los
Eles não quiseram ouvir, não sabiam como
Talvez ouçam agora

Noite estrelada, estrelada
Flores flamejantes que ardem e brilham
Nuvens rodopiando na bruma violeta refletem-se no azul-anil dos olhos de Vincent

Cores mudando de matiz
Campos matinais de grãos ambarinos
Rostos gastos marcados pela dor são suavizados sob as mãos amorosas do artista

Agora entendo o que você tentou me dizer
E como sofreu por sua sanidade, e como tentou libertá-los
Eles não quiseram ouvir, não sabiam como
Talvez ouçam agora

Pois não puderam amar você, mas ainda assim seu amor foi verdadeiro
E, quando não restou nenhuma esperança dentro daquela noite estrelada, você tirou sua vida como os amantes costumam fazer
Mas eu poderia ter lhe dito, Vincent, este mundo não foi feito para alguém tão bonito quanto você

Noite estrelada, estrelada
Retratos pendurados em salas vazias
Cabeças sem moldura em paredes sem nome com olhos que observam o mundo e não conseguem esquecer

Como os estranhos que você conheceu
Os homens esfarrapados em trajes esfarrapados
O espinho de prata, uma rosa de sangue, jazem esmagados e quebrados na neve virgem

Agora acho que sei o que você tentou me dizer
E como sofreu por sua sanidade, e como tentou libertá-los
Eles não quiseram ouvir, ainda não estão ouvindo
Talvez nunca ouçam

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Trigal com Corvos. Van Gogh, 1890. Via Wikipedia.

De acordo com o site Van Gogh Gallery, “olhe para fora num dia de verão” é uma referência ao ponto de vista do pintor no asilo em Saint-Remy, onde pintava o jardim visto pela janela do quarto; as “flores flamejantes” referem-se à sua série de girassóis; as “nuvens rodopiantes” estão no próprio quadro Noite Estrelada; os “campos de grãos ambarinos” são o Trigal com Corvos; e os “rostos gastos” são Os Comedores de Batata. Ah, e “terra linhosa” é porque a tela de pintura é feita de linho.

P.S.: McLean é o mesmo autor e cantor da famosa American Pie.