Meu novo livro: Contos Sombrios

Além da edição digital de Reino das Névoas ter finalmente voltado à Amazon por R$ 7,00, lancei também um novo livro: Contos Sombrios, compilação de histórias que escrevi ao longo dos últimos anos editada pela Editora Dandelion. Segue a sinopse:

Dezesseis contos sombrios. Terrores pessoais e coletivos que a escrita tenta exorcizar: sequestradores e assassinos, canibais, vampiros e coisas piores. Talvez você também queira exorcizá-los.

Custa apenas R$ 6,00. Quem compra, apoia a autora. 😉

Na página de compra você pode pedir que uma amostra grátis seja enviada ao seu dispositivo de leitura. Mas, para já dar um gostinho, segue a introdução.

Introdução

Escrevi os contos reunidos neste livro entre 2004 e 2010. Alguns apareceram em blogs, sites e zines. Outros são inéditos. Alguns deles, hoje, eu não escreveria do jeito que escrevi. Outros, não escreveria de jeito nenhum. Já os chamei de contos de terror, mas não tinha a pretensão de aterrorizar quem os lesse. O que eu queria era falar de coisas sombrias. Das minhas sombras. E isso, acho, consegui.

Já que estou aqui, prefaciando meu próprio livro, aproveito para martelar: esta é uma obra de ficção. Não faz apologia à violência e seu propósito não é incitar nenhum tipo de agressão. Confio no discernimento de quem me lê. Mas vale o trigger warning, ou aviso de conteúdo: aqui tem sangue, sim, e morte, e violência sexual. Alguns terrores pessoais, que tentei exorcizar pela escrita. Se você chegou até aqui, talvez também precise exorcizá-los.

Vivemos tempos em que as notícias viajam muito rápido, alimentando nossa curiosidade — inclusive pelo que é sórdido. Enquanto sonhamos em (e, de preferência, fazemos nossa parte para) banir a violência do mundo real, a ficção, a fantasia e a arte nos acenam como válvulas de escape fundamentais. Ao mesmo tempo, a imaginação do ficcionista, essa esponja impregnada de tinta e alucinação, se embebe justamente da realidade, do absurdo nos casos diários. Sequestradores, amantes vingativos, assassinos de ocasião. Psicopatas, fanáticos religiosos, estupradores. Até canibais e vampiros.

Deliramos dentro de nosso horror coletivo, real ou imaginário. Temos um fascínio um tanto doente pelo que é sombrio, uma ânsia de testemunhar e registrar. É o pássaro morto no meio da estrada. Torto e esparramado em meio ao próprio sangue, uma coisa terrível de se ver. Mas a gente não consegue parar de olhar…

Por isso, convido você a experimentar estes pequenos surtos, em forma de contos, de desejo, truculência e morte, entre casos realistas e indícios sobrenaturais. Torço para que a ficção possa tocar os pontos do seu ser que a realidade não alcança.

Não foi para isso que você veio?

Meu livro por R$ 7,00 na Amazon

Antes tarde do que nunca: meu livro Reino das Névoas, contos de fadas para adultos está à venda como e-book na Amazon por R$ 7,00!

Se você gostou do livro, por favor, compartilhe! 🙂

Se ainda não conhece, eis uma chance difícil de perder… 😉

Se quiser saber um pouco mais sobre o livro, visite o blog oficial com resenhas e opiniões de leitores.

Reino das Névoas foi ganhador de uma bolsa para publicação do ProAC (Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura) em 2010. Com sete histórias e ilustrações de minha autoria, contém o conto A outra margem do rio, primeiro lugar no Concurso Hydra de Literatura Fantástica em 2014.

Caraval

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A história pessoal da Stephanie Garber é um belo exemplo para todos os escritores que estão a ponto de desanimar depois de várias tentativas infrutíferas de obter um lugar ao sol no mercado editorial (e principalmente no coração dos leitores).

A jovem norte-americana é autora de Caraval, young adult que chega ao Brasil pela Novo Conceito com tradução minha. No fim do livro, ela é muito sincera ao fazer “um agradecimento mais que especial aos meus pais, que ajudaram a me manter e me deixaram morar com eles para que eu pudesse terminar este livro. Um agradecimento ainda maior porque vocês dois acreditaram em todos os livros inéditos que vieram antes deste”.

“Antes de Caraval, escrevi outros cinco livros que nunca venderam, nunca foram publicados. Foi doloroso”, conta a autora em entrevista ao Estadão.

Este ano ela finalmente publicou pela primeira vez. Caraval esgotou na Amazon só duas semanas depois do lançamento. É best-seller do New York Times. Foi traduzido para 26 países. Os direitos de adaptação cinematográfica foram comprados pela Twentieth Century Fox. Dizem que estão desenvolvendo um longa-metragem. Na minha opinião, deveriam fazer uma série. O potencial é alto e o momento é perfeito.

É claro que nem toda obra de estreia terá esse impacto. A maior parte NÃO terá. Mas essa não é a primeira história que Stephanie escreve; só a primeira que publica. Ela estava mais preocupada em escrever o que queria do que em publicar. Porém, insistiu até encontrar uma editora que apostasse nela (e depois disso muitas outras). Escritores, façam como ela e não desistam. Insistam. Mais que tudo, evoluam.

VIII Congresso Internacional da Abrates

Agora, sim, deu para sentar e dizer:
O VIII Congresso Internacional da Abrates foi sensacional. É a segunda edição a que vou, desta vez também como palestrante, e a cada vez aumenta minha convicção de que um evento como esse é muitíssimo necessário. Palestras em seis salas ao mesmo tempo, com temas variados para um público igualmente diverso, que vai do iniciante ao veterano, do generalista ao especialista. (Difícil é escolher a palestra, queria poder voltar uma hora no tempo para ver mais de uma, mas cadê máquina do tempo quando a gente precisa?) Chance de troca de conhecimentos, reencontro com velhos conhecidos, criação de novos contatos, enfim, aprendizado em muitos níveis pessoais e profissionais num fim de semana cheio de boa vontade.
Valeu, diretoria da Abrates! Valeu, pessoal da Quest e da Haas, palestrantes e participantes. Ano que vem tem mais e é no Rio de Janeiro.

Ignorante

De uns tempos para cá adquiri o hábito de confessar minha ignorância com todas as letras. Sou ignorante mesmo. Nada de “hum, como assim xyz?” (coisa que a gente ouve muito quando usa uma palavra que o outro não conhece, mas não quer admitir). Mando logo um “desculpe, não entendi, você pode explicar?”, ou então “não sei o que é xyz, me explica?”.
Recomendo. É libertador fazer isso quando você está cansada de ambientes onde parecer inteligente é mais importante que sê-lo de fato. Se isso me fizer parecer a burrinha do rolê, paciência. Quem não pergunta não quer aprender.

Paella vegetariana

Fiz hoje pela primeira vez e gostei do resultado. Como acertar um prato é um verdadeiro acontecimento nesta casa, registrei a obra e a receita. Para quem se interessar, segue abaixo.

 

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Se o desfoque das bordas te incomoda, saiba que é só para desviar sua atenção do fogão sujo. 😛

 

Primeiramente, existem muitas formas de fazer paella, assim como existem muitos modos de preparar arroz. Mesmo que a sua receita se restrinja a ingredientes vegetarianos. Como a vegetariana já é em si uma variação, não uma tradição, o prato é seu e você pode colocar os legumes que quiser: frescos, desidratados ou em conserva. O importante é enriquecer a paella com sabores e texturas diferentes. Já vi até quem sugerisse usar leite e algas japonesas desidratadas. Consultei algumas receitas na internet, umas mais complexas, outras mais simples, com modos de fazer variados, peguei o que tinha em casa e cheguei ao “meu” jeito.

Segundamente, vamos ao que interessa.

1 copo de arroz integral
3 copos de água
1/2 cebola picada
1/3 de uma berinjela grande cortada em cubos
1/3 de uma abobrinha grande cortada em cubos
1/3 de um pimentão vermelho cortado em cubos
1 tomate italiano cortado em cubos
1 punhado de lentilha
1 punhado de feijão branco grande
1 punhado de cogumelo paris fatiado em conserva (pode ser o fresco também)
1 colher de sopa de açafrão em pó (pode ser açafrão-da-terra)
sal a gosto
azeite a dar com pau (ou “quanto baste”, se você for elegante)

Por que esse monte de terços?, você pode perguntar. Se já preparou alguma coisa com abobrinha, berinjela ou pimentão, sabe que esses vegetais rendem muito mais do que a gente espera. Cheguei a picar mais que isso e não consegui usar tudo! Vá por mim, quantidades pequenas é mais seguro. Afinal, são vários ingredientes.

Ferva 2 copos de água numa panela. Acrescente o arroz, a lentilha, o sal e o açafrão e cozinhe em fogo médio. Mexa de vez em quando. (Aqui coloquei também o feijão branco hidratado, mas ele ficou um pouco duro; se quiser usar o feijão é melhor cozinhá-lo previamente.) Desligue antes de ficar totalmente seco.

Aqueça uma paellera (no meu caso foi uma frigideira bem grande), ponha uma dose generosa de azeite e refogue a cebola. Acrescente o pimentão picado, a abobrinha, a berinjela (fiz nessa ordem mesmo) e deixe refogar até “murchar” um pouco. Por último, o tomate, que é mais molinho. Sal à vontade (lembrando que o arroz já está salgado).

Coloque o arroz da panela com os outros ingredientes na paellera ou frigideira. Misture, acrescente 1 copo de água quente (aquele terceiro da lista de ingredientes) e deixe cozinhar em fogo médio.

Toque pessoal: enquanto a mistura toda cozinhava, arrumei uma parte do pimentão e do tomate que havia cortado em tirinhas por cima da paella, como enfeite. Algumas receitas sugerem isso. Nessa hora coloquei também os cogumelos. Pode afundar essas coisas um pouco com uma colher ou escumadeira para que peguem o sabor do resto do cozido. Um último fio de azeite por cima de tudo fica bom também.

Fique de olho. Tá com a cara boa? Tá cremosinho, não muito seco nem muito molhado? Desligue o fogo. Coma. Lamba os beiços!

Tempo de preparo: 40 minutos.

Serve: 3-4 pessoas (ou duas muito comilonas).

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Moana

Maridoffmann e eu conseguimos achar Moana, um mar de aventuras ainda em cartaz num cinema de rua de Santos.

O filme é lindo, divertido e emocionante. Chorei umas quatro vezes (mas lembrem-se de que não sou um bom parâmetro, caio feito mosca na teia de qualquer cena destinada a comover). Com roteiro bem construído, aborda questões interessantes e atuais, como o progresso desenfreado versus a convivência harmoniosa com a natureza, ponto em que se aproxima fortemente de Mononoke Hime. Aliás, notei uma ou outra referência visual aos filmes de Miyazaki, não sei se proposital ou não.

Moana vive numa ilha belíssima e é a filha do líder da tribo, cuja cultura é de inspiração polinésia. Ela é educada para governar, vivendo não uma vida de luxo, mas de serviço. De fato, é mostrada trabalhando para o povo. Tudo indica que será a primeira mulher a governar a tribo, mas isso não é abordado como novidade ou aberração.

Nos primeiros minutos já sabemos que tipo de pessoa Moana é: desde criança, tem o desejo de atravessar o recife de corais que separa a ilha do mar aberto, o que é proibido, mas está disposta a deixar de lado seus desejos pessoais para ajudar os necessitados (morram de fofura com a cena da tartaruguinha). Tem o perfil de uma líder desbravadora, mais interessada no desenvolvimento que nas tradições impostas pelo pai.

Porém, logo ela encontra um bom motivo para quebrar as regras. Sua missão é encontrar o semideus Maui, fazê-lo devolver o coração que roubou de Te Fiti, deusa da Terra, e com isso restaurar a saúde da própria natureza, em rápido declínio.

Moana é uma protagonista que mete as caras e aprende na marra o que é necessário para desempenhar seu papel. Não segue a cartilha e reivindica aquilo que outros disseram que não era para ela, enfrentando a resistência da família. Ao mesmo tempo que luta por seus sonhos, busca melhorar a vida de todos, servindo a uma causa maior que ela.

Assim, tem muito em comum com Juddy Hopps, a coelhinha do excelente Zootopia. Ambas também passam longe de viver um romance. Estão ocupadas tentando arrastar consigo um parceiro de trabalho relutante e debochado, cujo respeito precisam conquistar. Não por acaso, o roteirista Jared Bush trabalhou nos dois filmes.

Moana, a exemplo de Frozen (“você não pode se casar com alguém que acabou de conhecer”), brinca com alguns paradigmas clássicos da Disney. Há um momento em que a protagonista faz questão de dizer a Maui que não é uma princesa, ao que ele responde algo como: “É filha do chefe, tá de saia e tem um bichinho, então dá no mesmo”. Não conto mais para não estragar as piadas.

A trilha sonora é linda, misturando as canções típicas dos filmes da Disney com músicas do compositor Opetaia Foa’i, cantadas em samoano. Outro compositor da parte cantada é Lin-Manuel Miranda, do elogiadíssimo musical Hamilton.

Se vocês ainda não viram, deem um jeito de ver! Filmaço.

P.S.: A vovó da Moana, todo mundo quer uma avó como ela.

P.S. 2: Se houvesse um concurso de Melhor Animal Ajudante de Mocinha da Disney, o galo Heihei seria páreo duro para o dragão Mushu, de Mulan. “Desonra pra tu, desonra pra tua vaca!” Se bem que Heihei não é ajudante: é atrapalhante!