Um estranho numa terra estranha

As pessoas que não leem ficção científica acham que ficção científica é (só) nave espacial, raio laser, explosão. Mas:
 
“O amor é aquela condição em que a felicidade de outra pessoa é fundamental para a sua… O ciúme é uma doença, o amor, uma condição saudável. A mente imatura muitas vezes confunde um com o outro ou presume que, quanto maior o amor, maior o ciúme.”
Robert A. Heinlein, Um Estranho numa Terra Estranha
“Love is that condition in which the happiness of another person is essential to your own… Jealousy is a disease, love is a healthy condition. The immature mind often mistakes one for the other, or assumes that the greater the love, the greater the jealousy.”
Robert A. Heinlein, Stranger in a Strange Land
Traduzi o trecho acima porque esbarrei com ele em outro livro do gênero. Há pérolas espalhadas pelo caminho.
Um Estranho numa Terra Estranha foi lançado no Brasil pela Editora Aleph com tradução do Edmo Suassuna.
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O melhor possível

Pesquise bem, faça o melhor trabalho possível, encare as críticas com serenidade.

Porque as críticas VÃO vir. Não importa o quanto a pesquisa seja detalhada, a atitude, respeitosa e o interesse, genuíno.

Faz parte.

A crítica é uma mensagem importante. Não mate o mensageiro. Aprenda com as palavras dele.

(Sim, o recado é para mim também.)

The Best of the Three na IGMS

Meu conto “The Best of The Three”, ganhador da terceira edição do Concurso Hydra de Literatura Fantástica, acaba de sair na edição #58 da OSC’s Intergalactic Medicine Show!

No site dá para ler os primeiros parágrafos da história em inglês gratuitamente. Ela foi publicada em português como “A Melhor das Três” na coletânea Bestiário 2, outras criaturas, em 2013.

Agradeço mais uma vez aos organizadores do concurso, Christopher Kastensmidt e Tiago Castro, e ao editor da revista, Scott M. Roberts; sem eles não haveria concurso, nem prêmio, nem publicação. E à Ana Lúcia Merege; sem o convite dela para participar de Bestiário 2, eu nunca teria escrito esse conto. E não estaria aqui agora dando pulinhos e sacudindo alucinadamente as mãos.

Se meu dia começou meio ruim… agora não posso mais reclamar.

De máquinas do tempo enguiçadas e grifos que gritam com os vizinhos no elevador

 

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Grifo com a coroa mural da Perúgia, século XIII. Fonte: Wikipédia (sob licença Creative Commons).

Há algum tempo penso em voltar a estudar a língua de modo mais disciplinado, com acompanhamento de um professor e incentivo dos colegas. O objetivo principal, além do óbvio prazer de aprender, seria aprimorar meu inglês o bastante para passar a escrever nessa língua com a mesma propriedade com que escrevo em português, além de oferecer serviços de versão (que tantas pessoas me pedem e eu, ó, nada).

Então fui à Cultura Inglesa fazer uma avaliação do meu nível de conhecimento. Parte dela mandava compor uma redação em inglês. Havia duas opções: resenha de filme e e-mail em resposta a uma amiga ou amigo.

Acabou sendo um exercício de criatividade. Como não tinha o menor compromisso de dar continuidade ao texto, acabei escrevendo uma ficção curta misturando todas as doideiras que me vieram à mente porque sim. (O professor riu bastante. Diverti uma pessoa, estou feliz. Também me diverti escrevendo.)

Maridoffmann quis ler o texto quando voltei, mas ficou com a escola. (Agora, basta esperar até eu virar uma escritora rica e diva e eles podem leiloar o manuscrito por vários dinheiros…) Então, chegando em casa, tentei reescrever a redação. Não é o mesmo texto, pois obviamente não o memorizei e agora tenho o que não tinha naquele momento: um teclado (detesto escrever à mão e tenho letra de médico) e acesso ao corretor do Grammarly para não pisar (muito) na bola.

Minha expressão verbal em inglês é muito limitada, considerando tudo. Então, críticas à forma serão bem-vindas. Mas esquece a trama, ela não existe. (Por enquanto. Vai saber?)

A redação era mais ou menos assim:

Option 1: Answering a friend’s email. Your friend wrote to you telling he/she has just found a job and moved to São Paulo.

Mandatory items:

Comment on your friend’s big news;

Tell him/her what you’ve been doing since you last met;

Mention something extraordinaire that happened to you;

Make plans to see your friend soon.

 

Hi there, Paola! How’s it going?

I’m so glad to hear from you! I’m rather impressed to know that you’re living in São Paulo. Even more so that you’re living in the 21st century. Are you tired of the Renaissance already?

I’m living in Santos ever since my time machine went FUBAR. I finally managed to successfully make a deal with the English pirates so they’d stop getting nasty with the local mermaids in the 1700’s. It was about time! But now I’m pretty much retired from Time Law Enforcement.

Also, I’m now the proud mother of two baby gryphons named Artemisia and Altaïr, and yes, the last one was named after Assassins Creed’s best character ever. I’ll leave you to guess why I haven’t named the first one Sophonisba like I promised your favorite Italian painter back in the 1600’s. I’m having a hard time trying to teach them not to scream at the neighbors in the elevator. Can you give me some tips on how to do it? You’re the expert!

Please come to Santos, David and I will love to have you here. Or else I can go to São Paulo. With the New Transbrazilian Railroad I can get there in less than 30 minutes.

Love you always.

Podcast Curta Ficção #025: Tradução Literária

 

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Imagem oficial de divulgação do Podcast Curta Ficção #025

Mas eu ando muito pimpona mesmo.

Na semana passada corri um bocado e acabei não avisando aqui, mas saiu a edição número 25 do Podcast Curta Ficção, um dos melhores podcasts brasileiros sobre literatura especulativa. Esta edição é sobre tradução literária e tive o privilégio de participar dela com os anfitriões Janayna Bianchi PinRodrigo Assis Mesquita e Thiago Lee, além do também tradutor e escritor Santiago Santos, tão elogiado pelos colegas que vou ter que conferir sua obra. Esse povo todo é sensacional e eu quero andar com eles no recreio.

Acredite se quiser: falei pouco! Mas são 45 minutos preciosos com reflexões sobre a relação entre a literatura e o fazer tradutório (e uma conclusão hilária!).

Para escutar, clique aqui.

Acompanhe a página do Podcast Curta Ficção no Facebook.

E fique com o recado da equipe:

PARTICIPE DO NOSSO PROGRAMA #026!
Enviem suas perguntas sobre escrita e mercado editorial, criação, universo e tudo mais até o dia 05/10 através de comentários no site, mensagem no Facebook, no Twitter ou por e-mail no contato@curtaficcao.com.br.
http://bit.ly/curtaficcao025

David D. Levine, pesquisa e Wild Cards

 

o reciclador

Imagem oficial de divulgação da Editora LeYa. Ilustração de capa por Marc Simonetti.

“O legal da pesquisa é que você aprende coisas sobre o mundo real que enriquecem a trama. Comecei com uma vaga noção do Tiago como um menino da favela — não sabia nada sobre o Rio, a não ser que era uma cidade grande com umas partes muito ricas e outras muito pobres —, mas as coisas que descobri pesquisando se infiltraram no personagem e na história em desenvolvimento de um jeito que agora parece inevitável. Principalmente quando aprendi sobre os catadores e como eles reciclam lixo e o transformam em coisas úteis, a ligação com Tiago e seus poderes ficou óbvia — mas eu não sabia nada sobre isso até começar a pesquisar. As tensões entre os ricos e os pobres acrescentaram drama ao cenário, e os traficantes de drogas se mostraram vilões perfeitos.”

David D. Levine

David D. Levine é autor de O Reciclador, que conta a história do primeiro personagem brasileiro do universo de Wild Cards, série editada por George R. R. Martin. Nesta entrevista ao Omelete ele conta um pouco sobre o processo de pesquisa e escrita do livro.

Tradução minha (tanto da entrevista quanto do livro). 

Neste link oficial da LeYa você pode ler as primeiras páginas de O Reciclador.