The Best of the Three na IGMS

Meu conto “The Best of The Three”, ganhador da terceira edição do Concurso Hydra de Literatura Fantástica, acaba de sair na edição #58 da OSC’s Intergalactic Medicine Show!

No site dá para ler os primeiros parágrafos da história em inglês gratuitamente. Ela foi publicada em português como “A Melhor das Três” na coletânea Bestiário 2, outras criaturas, em 2013.

Agradeço mais uma vez aos organizadores do concurso, Christopher Kastensmidt e Tiago Castro, e ao editor da revista, Scott M. Roberts; sem eles não haveria concurso, nem prêmio, nem publicação. E à Ana Lúcia Merege; sem o convite dela para participar de Bestiário 2, eu nunca teria escrito esse conto. E não estaria aqui agora dando pulinhos e sacudindo alucinadamente as mãos.

Se meu dia começou meio ruim… agora não posso mais reclamar.

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Podcast Curta Ficção #025: Tradução Literária

 

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Imagem oficial de divulgação do Podcast Curta Ficção #025

Mas eu ando muito pimpona mesmo.

Na semana passada corri um bocado e acabei não avisando aqui, mas saiu a edição número 25 do Podcast Curta Ficção, um dos melhores podcasts brasileiros sobre literatura especulativa. Esta edição é sobre tradução literária e tive o privilégio de participar dela com os anfitriões Janayna Bianchi PinRodrigo Assis Mesquita e Thiago Lee, além do também tradutor e escritor Santiago Santos, tão elogiado pelos colegas que vou ter que conferir sua obra. Esse povo todo é sensacional e eu quero andar com eles no recreio.

Acredite se quiser: falei pouco! Mas são 45 minutos preciosos com reflexões sobre a relação entre a literatura e o fazer tradutório (e uma conclusão hilária!).

Para escutar, clique aqui.

Acompanhe a página do Podcast Curta Ficção no Facebook.

E fique com o recado da equipe:

PARTICIPE DO NOSSO PROGRAMA #026!
Enviem suas perguntas sobre escrita e mercado editorial, criação, universo e tudo mais até o dia 05/10 através de comentários no site, mensagem no Facebook, no Twitter ou por e-mail no contato@curtaficcao.com.br.
http://bit.ly/curtaficcao025

David D. Levine, pesquisa e Wild Cards

 

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Imagem oficial de divulgação da Editora LeYa. Ilustração de capa por Marc Simonetti.

“O legal da pesquisa é que você aprende coisas sobre o mundo real que enriquecem a trama. Comecei com uma vaga noção do Tiago como um menino da favela — não sabia nada sobre o Rio, a não ser que era uma cidade grande com umas partes muito ricas e outras muito pobres —, mas as coisas que descobri pesquisando se infiltraram no personagem e na história em desenvolvimento de um jeito que agora parece inevitável. Principalmente quando aprendi sobre os catadores e como eles reciclam lixo e o transformam em coisas úteis, a ligação com Tiago e seus poderes ficou óbvia — mas eu não sabia nada sobre isso até começar a pesquisar. As tensões entre os ricos e os pobres acrescentaram drama ao cenário, e os traficantes de drogas se mostraram vilões perfeitos.”

David D. Levine

David D. Levine é autor de O Reciclador, que conta a história do primeiro personagem brasileiro do universo de Wild Cards, série editada por George R. R. Martin. Nesta entrevista ao Omelete ele conta um pouco sobre o processo de pesquisa e escrita do livro.

Tradução minha (tanto da entrevista quanto do livro). 

Neste link oficial da LeYa você pode ler as primeiras páginas de O Reciclador.

Meu novo livro: Contos Sombrios

Além da edição digital de Reino das Névoas ter finalmente voltado à Amazon por R$ 7,00, lancei também um novo livro: Contos Sombrios, compilação de histórias que escrevi ao longo dos últimos anos editada pela Editora Dandelion. Segue a sinopse:

Dezesseis contos sombrios. Terrores pessoais e coletivos que a escrita tenta exorcizar: sequestradores e assassinos, canibais, vampiros e coisas piores. Talvez você também queira exorcizá-los.

Custa apenas R$ 6,00. Quem compra, apoia a autora. 😉

Na página de compra você pode pedir que uma amostra grátis seja enviada ao seu dispositivo de leitura. Mas, para já dar um gostinho, segue a introdução.

Introdução

Escrevi os contos reunidos neste livro entre 2004 e 2010. Alguns apareceram em blogs, sites e zines. Outros são inéditos. Alguns deles, hoje, eu não escreveria do jeito que escrevi. Outros, não escreveria de jeito nenhum. Já os chamei de contos de terror, mas não tinha a pretensão de aterrorizar quem os lesse. O que eu queria era falar de coisas sombrias. Das minhas sombras. E isso, acho, consegui.

Já que estou aqui, prefaciando meu próprio livro, aproveito para martelar: esta é uma obra de ficção. Não faz apologia à violência e seu propósito não é incitar nenhum tipo de agressão. Confio no discernimento de quem me lê. Mas vale o trigger warning, ou aviso de conteúdo: aqui tem sangue, sim, e morte, e violência sexual. Alguns terrores pessoais, que tentei exorcizar pela escrita. Se você chegou até aqui, talvez também precise exorcizá-los.

Vivemos tempos em que as notícias viajam muito rápido, alimentando nossa curiosidade — inclusive pelo que é sórdido. Enquanto sonhamos em (e, de preferência, fazemos nossa parte para) banir a violência do mundo real, a ficção, a fantasia e a arte nos acenam como válvulas de escape fundamentais. Ao mesmo tempo, a imaginação do ficcionista, essa esponja impregnada de tinta e alucinação, se embebe justamente da realidade, do absurdo nos casos diários. Sequestradores, amantes vingativos, assassinos de ocasião. Psicopatas, fanáticos religiosos, estupradores. Até canibais e vampiros.

Deliramos dentro de nosso horror coletivo, real ou imaginário. Temos um fascínio um tanto doente pelo que é sombrio, uma ânsia de testemunhar e registrar. É o pássaro morto no meio da estrada. Torto e esparramado em meio ao próprio sangue, uma coisa terrível de se ver. Mas a gente não consegue parar de olhar…

Por isso, convido você a experimentar estes pequenos surtos, em forma de contos, de desejo, truculência e morte, entre casos realistas e indícios sobrenaturais. Torço para que a ficção possa tocar os pontos do seu ser que a realidade não alcança.

Não foi para isso que você veio?

Meu livro por R$ 7,00 na Amazon

Antes tarde do que nunca: meu livro Reino das Névoas, contos de fadas para adultos está à venda como e-book na Amazon por R$ 7,00!

Se você gostou do livro, por favor, compartilhe! 🙂

Se ainda não conhece, eis uma chance difícil de perder… 😉

Se quiser saber um pouco mais sobre o livro, visite o blog oficial com resenhas e opiniões de leitores.

Reino das Névoas foi ganhador de uma bolsa para publicação do ProAC (Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura) em 2010. Com sete histórias e ilustrações de minha autoria, contém o conto A outra margem do rio, primeiro lugar no Concurso Hydra de Literatura Fantástica em 2014.

Não tem receita

“Os escritores inexperientes tendem a procurar receitas para escrever bem. Você compra o livro de receitas, pega a lista de ingredientes, segue as instruções e pronto! Uma obra-prima! O Suflê Infalível! Não seria ótimo? Mas, infelizmente, não há receita. (…) O único modo de aprender a escrever bem é tentar escrever bem. Normalmente isso começa quando você lê obras bem escritas por outras pessoas e escreve mal por um bom tempo.”

Ursula K. Le Guin, conforme matéria do The Guardian. Traduzi livremente.

Rogue One e a mulher no mundo nerd

Nós sempre existimos e não vamos embora!

A esta altura, todo mundo já sabe que está rolando uma reação pra lá de negativa de alguns homens ao trailer do próximo filme do universo de Star Wars, Rogue One, que, assim como o anterior, é protagonizado por uma mulher. Alega-se que este é um ambiente masculino, que as mulheres não deveriam se meter no que é dos homens, que o feminismo está estragando o cinema e outros disparates. Quer dizer, Star Wars pertence aos meninos, pô! Por que as meninas estão tentando entrar no Clube do Bolinha? Afinal, mulher não gosta de ficção científica, fantasia, aventura e outras coisas de nerd, né? Né???

Bom… não.

A gente gosta. A gente sempre gostou.

Vou tentar dar uma noção rasa de como as afirmações contrárias são enganosas. Estou num grupo do Facebook chamado Minas Nerds, um ambiente criado só para mulheres que gostam de todas essas coisas que, em geral, galera acha que mina não curte. Livros e filmes de ficção científica e fantasia, HQs de super-humanos, videogames, RPG e tudo mais que for considerado parte da cultura geek/nerd. Neste momento, o grupo tem apenas 2.868 membros, todos eles mulheres, com algumas pessoas trans binárias e não binárias. Note que nem todas as garotas nerds do mundo ou mesmo do Brasil estão nele. E que muitas de nós não só consomem como também produzem essas mídias. Há um bom número de escritoras, roteiristas, quadrinistas, ilustradoras, mestras de RPG e gamers de longa data por lá.

Ou seja, na verdade não existe essa história de “mulher não curte essas coisas”. O que existe é um ambiente geral onde predominam homens e opiniões masculinas e que é hostil à presença feminina, como a reação birrenta de certos internautas claramente demonstra. Nesse ambiente, a mulher que é nerd normalmente não se sentia bem em se expressar, até porque as que faziam isso eram, e ainda são, acusadas de “fazer pose só pra chamar atenção de macho” (como se tudo o que a gente fizesse fosse para os homens, claro, nosso universo pessoal gira em torno deles, esses divos). Só para dar um exemplo, toda mulher gamer tem uma história de assédio e/ou misoginia para contar. Basta você entrar em modo multiplayer com um nickname nitidamente feminino para começar a receber mensagens como “mostra os peitinhos” ou “sai do jogo e vai lavar a louça”. Num universo onde essa é a atitude dominante, diga se dá vontade de “se assumir para o mundo” como mulher nerd…

Mas agora vem a reviravolta da trama! Principalmente graças à internet e às redes sociais, as mulheres nerds de todo o mundo estão percebendo que não estão sozinhas e começando a se dar as mãos. Já há uma porção de sites dedicados à cultura pop/nerd/geek feitos por e para mulheres, proporcionando um ambiente onde elas se sentem seguras para ser quem são e se expressar. Para dar três exemplos óbvios, MinasNerds, Garotas Geeks e The Mary Sue.

Apesar dessa união e dessa clara amostra de que sempre existimos e não vamos embora, claro que continuamos vivendo sob uma chuva de críticas de homens que acham que não deveríamos estar aqui, que roubamos alguma coisa que pertencia somente a eles, quando, na verdade, sempre esteve ao alcance de todas as pessoas.

Quando os filmes e livros de aventura e ficção científica eram só sobre homens e nós, mulheres, reclamávamos da falta de protagonistas femininas, éramos loucas. Tínhamos que “aceitar que o mundo é assim” e “parar de mimimi”. Agora que os criadores de conteúdo para cinema, TV, literatura, games, etc. finalmente perceberam que as mulheres gostam disso e querem se ver representadas, eles começaram a ousar um pouco mais, com personagens femininas que vivem sua própria vida e não estão ali só para servirem como interesse romântico ou trampolim do herói… e um certo número de homens está incomodado com isso.

Será que, agora, eles é que estão loucos? 😉

giphy

Padmé, senadora.
Jyn, rebelde.
Leia, princesa (e general!).
Rey, jedi.
Quem não gostou não precisa ir ao cinema. Não faltará audiência.