Moana

Maridoffmann e eu conseguimos achar Moana, um mar de aventuras ainda em cartaz num cinema de rua de Santos.

O filme é lindo, divertido e emocionante. Chorei umas quatro vezes (mas lembrem-se de que não sou um bom parâmetro, caio feito mosca na teia de qualquer cena destinada a comover). Com roteiro bem construído, aborda questões interessantes e atuais, como o progresso desenfreado versus a convivência harmoniosa com a natureza, ponto em que se aproxima fortemente de Mononoke Hime. Aliás, notei uma ou outra referência visual aos filmes de Miyazaki, não sei se proposital ou não.

Moana vive numa ilha belíssima e é a filha do líder da tribo, cuja cultura é de inspiração polinésia. Ela é educada para governar, vivendo não uma vida de luxo, mas de serviço. De fato, é mostrada trabalhando para o povo. Tudo indica que será a primeira mulher a governar a tribo, mas isso não é abordado como novidade ou aberração.

Nos primeiros minutos já sabemos que tipo de pessoa Moana é: desde criança, tem o desejo de atravessar o recife de corais que separa a ilha do mar aberto, o que é proibido, mas está disposta a deixar de lado seus desejos pessoais para ajudar os necessitados (morram de fofura com a cena da tartaruguinha). Tem o perfil de uma líder desbravadora, mais interessada no desenvolvimento que nas tradições impostas pelo pai.

Porém, logo ela encontra um bom motivo para quebrar as regras. Sua missão é encontrar o semideus Maui, fazê-lo devolver o coração que roubou de Te Fiti, deusa da Terra, e com isso restaurar a saúde da própria natureza, em rápido declínio.

Moana é uma protagonista que mete as caras e aprende na marra o que é necessário para desempenhar seu papel. Não segue a cartilha e reivindica aquilo que outros disseram que não era para ela, enfrentando a resistência da família. Ao mesmo tempo que luta por seus sonhos, busca melhorar a vida de todos, servindo a uma causa maior que ela.

Assim, tem muito em comum com Juddy Hopps, a coelhinha do excelente Zootopia. Ambas também passam longe de viver um romance. Estão ocupadas tentando arrastar consigo um parceiro de trabalho relutante e debochado, cujo respeito precisam conquistar. Não por acaso, o roteirista Jared Bush trabalhou nos dois filmes.

Moana, a exemplo de Frozen (“você não pode se casar com alguém que acabou de conhecer”), brinca com alguns paradigmas clássicos da Disney. Há um momento em que a protagonista faz questão de dizer a Maui que não é uma princesa, ao que ele responde algo como: “É filha do chefe, tá de saia e tem um bichinho, então dá no mesmo”. Não conto mais para não estragar as piadas.

A trilha sonora é linda, misturando as canções típicas dos filmes da Disney com músicas do compositor Opetaia Foa’i, cantadas em samoano. Outro compositor da parte cantada é Lin-Manuel Miranda, do elogiadíssimo musical Hamilton.

Se vocês ainda não viram, deem um jeito de ver! Filmaço.

P.S.: A vovó da Moana, todo mundo quer uma avó como ela.

P.S. 2: Se houvesse um concurso de Melhor Animal Ajudante de Mocinha da Disney, o galo Heihei seria páreo duro para o dragão Mushu, de Mulan. “Desonra pra tu, desonra pra tua vaca!” Se bem que Heihei não é ajudante: é atrapalhante!

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