Rogue One e a mulher no mundo nerd

Nós sempre existimos e não vamos embora!

A esta altura, todo mundo já sabe que está rolando uma reação pra lá de negativa de alguns homens ao trailer do próximo filme do universo de Star Wars, Rogue One, que, assim como o anterior, é protagonizado por uma mulher. Alega-se que este é um ambiente masculino, que as mulheres não deveriam se meter no que é dos homens, que o feminismo está estragando o cinema e outros disparates. Quer dizer, Star Wars pertence aos meninos, pô! Por que as meninas estão tentando entrar no Clube do Bolinha? Afinal, mulher não gosta de ficção científica, fantasia, aventura e outras coisas de nerd, né? Né???

Bom… não.

A gente gosta. A gente sempre gostou.

Vou tentar dar uma noção rasa de como as afirmações contrárias são enganosas. Estou num grupo do Facebook chamado Minas Nerds, um ambiente criado só para mulheres que gostam de todas essas coisas que, em geral, galera acha que mina não curte. Livros e filmes de ficção científica e fantasia, HQs de super-humanos, videogames, RPG e tudo mais que for considerado parte da cultura geek/nerd. Neste momento, o grupo tem apenas 2.868 membros, todos eles mulheres, com algumas pessoas trans binárias e não binárias. Note que nem todas as garotas nerds do mundo ou mesmo do Brasil estão nele. E que muitas de nós não só consomem como também produzem essas mídias. Há um bom número de escritoras, roteiristas, quadrinistas, ilustradoras, mestras de RPG e gamers de longa data por lá.

Ou seja, na verdade não existe essa história de “mulher não curte essas coisas”. O que existe é um ambiente geral onde predominam homens e opiniões masculinas e que é hostil à presença feminina, como a reação birrenta de certos internautas claramente demonstra. Nesse ambiente, a mulher que é nerd normalmente não se sentia bem em se expressar, até porque as que faziam isso eram, e ainda são, acusadas de “fazer pose só pra chamar atenção de macho” (como se tudo o que a gente fizesse fosse para os homens, claro, nosso universo pessoal gira em torno deles, esses divos). Só para dar um exemplo, toda mulher gamer tem uma história de assédio e/ou misoginia para contar. Basta você entrar em modo multiplayer com um nickname nitidamente feminino para começar a receber mensagens como “mostra os peitinhos” ou “sai do jogo e vai lavar a louça”. Num universo onde essa é a atitude dominante, diga se dá vontade de “se assumir para o mundo” como mulher nerd…

Mas agora vem a reviravolta da trama! Principalmente graças à internet e às redes sociais, as mulheres nerds de todo o mundo estão percebendo que não estão sozinhas e começando a se dar as mãos. Já há uma porção de sites dedicados à cultura pop/nerd/geek feitos por e para mulheres, proporcionando um ambiente onde elas se sentem seguras para ser quem são e se expressar. Para dar três exemplos óbvios, MinasNerds, Garotas Geeks e The Mary Sue.

Apesar dessa união e dessa clara amostra de que sempre existimos e não vamos embora, claro que continuamos vivendo sob uma chuva de críticas de homens que acham que não deveríamos estar aqui, que roubamos alguma coisa que pertencia somente a eles, quando, na verdade, sempre esteve ao alcance de todas as pessoas.

Quando os filmes e livros de aventura e ficção científica eram só sobre homens e nós, mulheres, reclamávamos da falta de protagonistas femininas, éramos loucas. Tínhamos que “aceitar que o mundo é assim” e “parar de mimimi”. Agora que os criadores de conteúdo para cinema, TV, literatura, games, etc. finalmente perceberam que as mulheres gostam disso e querem se ver representadas, eles começaram a ousar um pouco mais, com personagens femininas que vivem sua própria vida e não estão ali só para servirem como interesse romântico ou trampolim do herói… e um certo número de homens está incomodado com isso.

Será que, agora, eles é que estão loucos? 😉

giphy

Padmé, senadora.
Jyn, rebelde.
Leia, princesa (e general!).
Rey, jedi.
Quem não gostou não precisa ir ao cinema. Não faltará audiência.

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