Nada fotogênica

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Foto feita por David Hoffmann.

Apesar do que possa parecer, o título deste texto não é um pedido de confete. Realmente, não me acho fotogênica. Contraditório ou não, gosto muito de fotos. Dos outros e de mim mesma.

Eis aqui um exemplo de pessoa que eu amo fotografar (bem mais do que ela gosta de ser fotografada):

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Foto por Camila Fernandes.

É estranho não me achar fotogênica e ao mesmo tempo insistir em tirar fotos. Ora, se acha que não fica bem, por que continua fazendo?

Eu sei por quê.

No espelho, vejo uma versão de mim. Ela é até bem simpática. Talvez por já ter me acostumado a encará-la, não vejo suas irregularidades.

Na foto, o que aparece é imagem invertida. A inversão da versão. É a cara que eu mostro aos amigos. Uma vista de mim que mal reconheço.

Nela eu noto um olho mais aberto que o outro, uma narina maior, o canino saliente, o queixo que aponta mais para um lado que para o outro, o canto da boca que sobe contente à direita e pende desanimado à esquerda. Toda a assimetria que, “de acordo com estudos”, atravanca o caminho da beleza.

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Foto por David Hoffmann.

Esta sou eu, a eu que os outros veem. Embora certamente não vejam da mesma forma.

Fico olhando para ela e procurando coisas das quais gostar, em meio a tantas coisas de que desgosto. Um exercício de autoanálise.

Eu poderia corrigir todas essas inconveniências. Fui instrutora de Photoshop. Poderia fazer correções que ninguém detectaria. Poderia até ficar linda, principalmente para aqueles que não me conhecem pessoalmente. Poderia vender essa imagem.

Mas para quê? Eu vou saber que aquela foto foi editada. Vou saber que aquela não sou eu!

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Foto por David Hoffmann.

Não me acho bonita. Nunca achei. Tá, talvez eu tenha achado até uns 5, 6 anos de idade. Mas qual é a criança que se acha feia? Até que lhe digam o contrário, ela é a perfeição feita gente. Sei que há quem ainda me ache bonita (alô, maridoffmann). Já me disseram. Embora, às vezes, eu pense que é gentileza da pessoa olhar para mim com lentes que veem beleza, e não enxergam menos que isso em alguém querido.

Mas é justamente este o ponto: eu não exijo que meus amigos sejam simétricos e perfeitos para gostar deles.

Por que precisaria ser perfeita para gostar de mim mesma?

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Orquídea é fotogênica.

Pois bem, eu gosto de mim. Com tudo o que há de torto, dentro e fora, no espelho e além. Precisei aprender, e foi difícil, mas eis o resultado: ninguém gosta de mim mais que eu mesma. Ninguém me afaga o ego como eu. E ninguém me puxa a orelha com mais força.

Se isto aqui ficou parecendo uma declaração de amor próprio, bom, é porque é mesmo… Para muita gente, pode ser ninharia. Para mim,é uma conquista.

E vou continuar tirando foto, fotogênica ou não.

(E vou continuar rapando a cabeça sempre que der na telha!)

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