Cadê as mulheres na literatura fantástica brasileira?

Estão bem debaixo do seu nariz, colega!

Toda vez que algum grande site, podcast, evento, etc. resolve falar de literatura fantástica brasileira, chama sempre os mesmos autores e entendidos. Estas pessoas quase sempre são homens (nem vou afirmar que são brancos e heterossexuais, pois não tenho todos esses detalhes).

Aí, sempre tem alguém que pergunta “mas e as mulheres?”, e alguém que responde “ah, tem a Carolina Munhóz”, e alguém que diz “é, mas só ela, né?”.

Não, gente. NÃO.

Além da Carolina, há muitas escritoras brasileiras de fantasia. MUITAS. Com obras variadas, que vão do infanto-juvenil ao terror, do realismo mágico à ficção científica hard, passando por contos de fadas, YA, romance sobrenatural, distopia, steampunk, new weird, etc.

Para citar só aquelas das quais já li um livro ou, pelo menos, um conto em coletânea ou site:

Cristina LasaitisNikelen WitterGeorgette SilenAna Lúcia MeregeMartha ArgelGiulia MoonRosana RiosHelena GomesBianca Sousa, Sarah Helena, Roberta NunesLudimila Hashimoto, Paco Steinberg, Nazarethe FonsecaRita Maria Félix da SilvaLuciana Muniz, Maria Helena Bandeira (in memoriam), Érica BombardiCarol ChiovattoAna Cristina Rodrigues.

Para citar algumas que ainda não li, mas lerei: Roberta Spindler, Simone Saueressig, Clara Madrigano, Bárbara Morais, Finisia Fideli, Má Matiazi, Renata Cezimbra, Debora Gimenes, Lady Sybylla,  Celly Borges, Amanda Reznor, Kamile Girão, Carolina Mancini, Claudia Dugim, Laísa Couto

Muitas dessas escritoras não escrevem com frequência, e nem todas escrevem apenas fantasia. Mas todas são autoras de fantasia já publicadas, em papel ou e-book, e são brasileiras. E ainda há aquelas que eu não conheço nem por nome, pois certamente esta não é uma lista exaustiva.

Achou pouco? Pois pedi sugestões ao pessoal da minha timeline no Facebook!

A Luciana Minuzzi (que também é escritora e deve publicar sua primeira obra de ficção em breve!), falou da Paco Steinberg, da Mariana Portella e da Amanda Leonardi.

A Valentina Silva Ferreira (que, aliás, é autora lusófona da Ilha da Madeira e já publicou no Brasil) sugeriu Celly Monteiro, Tânia Souza e Verônica S. Freitas.

A Rosana Rios (prolífica autora de fantasia infanto-juvenil) ofereceu os nomes de Helena Gomes, Laura Bergallo, Anna Claudia Ramos, Nilza Amaral, Lia Neiva e Regina Drummond.

O Cesar Alcázar (escritor e editor da Argonautas Editora) lembrou Alícia Azevedo, Beatrice Santos Witt, Graciele Ruiz, Suzy Hekamiah, Mariana Albuquerque, Luciana Fátima, Anna Franskowiak, Jéssica Lang, Jacira Fagundes, Patrícia Langlois, Flávia Côrtes.

A Celly Monteiro recomendou Sóira Celestino, Pat Kovacs, Jossi Borges, Yane Faria e Maya Blanco.

A Camila Villalba (dona do blog de resenhas My Nerd Bubble) acrescentou Janayna Bianchi Bruscagin Pin, Marcella Rossetti, Denise Flaibam, Thais Lopes, Jéssica Macedo, Camila M. Guerra, Francélia Pereira e Luana Minéia.

A Gabriela Colicigno sugeriu a Vivi Maurey; a Val Ivonica lembrou a Raphaela Ximenes; o Flavio Moutinho citou a Valéria do Val; a Lívia Stevaux pensou na Paola Giometti; a Thaís Jussim falou da Ana Macedo.

Nos comentários a este texto, a Karin Poetisa mencionou a si mesma e a Susy Ramone. A Kássia Monteiro e a Mel Cavichini também vieram contar que são escritoras de fantasias. A Laís Helena, também autora, acrescentou Jana P. Bianchi, Thais Rocha, Thais Lopes, Francine Porfirio e Lhaisa Andria. O Jeferson Sigales lembrou a Ju Lund. A Vanessa Straioto recomendou enfaticamente o trabalho da Simone O. Marques.

No Twitter, o Antonio Luiz Costa falou da Jarid Arraes e da Mary C. Müller, e a Gloria Azevedo lembrou que a Lygia Fagundes Telles, uma das nossas maiores autoras, já escreveu contos de fantasia. Também é justo que se mencione a Marina Colasanti, porque contos de fadas são fantasia, e ela escreveu vários (que eu adoro!).

Atualizando esta postagem, roubei descaradamente vários nomes que eu ainda não conhecia do ótimo texto da Tatiana Inda, que ainda fez a gentileza de incluir fotos e dados biográficos das escritoras: Bianca Carvalho, Cristina Aguiar, Fernanda Wolf, Flávia Côrtes, Jana P. Bianchi, Jéssica Anitelli, Karen Soarele, Kássia Monteiro, Kel Costa, Lidia Zuin, Lu Piras, Luiza Salazar, Martha Ricas, Priscilla Matsumoto, Renata Ventura, Socorro Acioli, Tatiana Mareto e Viviane Fair.

Enfim, não faltam autoras, nem talento, nem ralação. Talvez falte, neste momento, um número maior de grandes editoras dispostas a apostar nesses nomes e levá-los ao público. Editoras que apostem na escritora como uma marca, assim como apostam no escritor. Mas tenho para mim que esse cenário há de mudar.

Além do mais, as moças não são de reclamar; o negócio delas é escrever. Por isso, continuam na luta. Seguem escrevendo, enviando originais às editoras, publicando por conta própria em papel ou na web…E, sim, tem euzinha também. 🙂

Nós existimos! Procure nossos livros, sites, blogs, páginas na Amazon, no Wattpad, etc.!

E fique à vontade para sugerir suas autoras favoritas. 😉

Adendo 1: Se deixei de colocar links nos nomes de algumas das autoras, é porque não encontrei suas páginas. Escritoras, tenham sites! Isso facilitará a busca por vocês. 🙂

Adendo 2: Pesquisando um pouco mais, descobri que algumas dessas escritoras já lançaram por editoras de renome como L&PM e Globo. Algumas já receberam prêmios literários. Por que mal as conhecemos?

Adendo 3: Alguém comentou (e eu juro que não reprovei o comentário, mas não sei onde ele foi parar!) que prefere escolher seus livros dando uma lida na orelha, vendo se a sinopse é interessante, etc. Isto é: não quer saber se o livro foi escrito por uma mulher ou não. É muito justo. Mas ficam algumas perguntas: quem escolhe os livros que vão parar na livraria para que você possa escolhê-los pela sinopse? Quem faz com que você saiba que seus autores existem? 🙂

Adendo 4: O Rodrigo Van Kampen, editor da Revista Trasgo, disse que se inspirou nesta postagem e compilou uma lista de todas as escritoras que já publicaram contos na Trasgo. Isso inclui algumas das autoras já citadas. O melhor de tudo é que os contos estão online para você ler de graça! Agora, não tem mais desculpa para dizer que não conhece as minas da lit fan. Clique aqui e leia.

Adendo 5: Esta postagem está em constante atualização, pois a galera não para de acrescentar nomes de mulheres que vêm escrevendo literatura fantástica neste nosso Brasil feminil. Não é lindo?

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25 comentários sobre “Cadê as mulheres na literatura fantástica brasileira?

  1. Sinceramente, prefiro escolher um livro pela orelha… Depois de lido eu vejo o autor, para continuar ou não comprando uma próxima obra.
    Particularmente, nos últimos anos tem dado um empate técnico entre homens e mulheres escritores comprados por mim.

  2. Tive o conhecimento do post através do facebook da Kami. E que leitura revitalizadora tive agora. Concordo com você em todas as palavras. Existe muitas mulheres na Literatura Fantástica e seu post retrata muito bem o que anda acontecendo. Falta de crédito das editoras e também por parte dos leitores. Fico feliz em ver que algumas conheço, outras estou tendo a oportunidade de conhecer agora. Obrigada pela preciosa observação e já estou te acompanhando!
    Abraços!

    • Oi, Tamires! Obrigada! Eu mesma não conheço a imensa maioria, se quer saber… Fiz questão de listar todas as indicadas por outrem, para sabermos que elas existem.

  3. Cheguei aqui por acaso, porque alguém compartilhou esse post no Facebook e ele apareceu na minha timeline. Mas gostei do post (sinto que minha lista de leitura irá aumentar) e da reflexão que ele propõe. Me chamou a atenção o trecho onde você diz que há pessoas que escolhem o livro pela sinopse, sem olhar se o autor é homem ou mulher, brasileiro ou estrangeiro. É isso o que faço na maioria dos casos: olho a sinopse, procuro resenhas, às vezes uma amostra do livro para ver se gosto da escrita. E, se for olhar a lista de livros que li até o momento, a maioria é de autores homens, o que parece corroborar o que você afirmou: parece que evitam publicar mulheres (certamente a lista não estaria tão desequilibrada se isso não acontecesse).
    Porém, hoje em dia está cada vez mais fácil publicar de maneira independente, e venho conhecendo muitos bons escritores que mostram que é sim possível encontrar livros de excelente qualidade neste meio. E aqui, onde praticamente tudo depende do próprio autor, encontramos muitas mulheres. Dentre elas cito (e recomendo) Jana P. Bianchi (que escreveu Lobo de Rua), Thais Rocha (Tykhe), Thais Lopes (que já tem vários livros publicados), Francine Porfirio (que publicou um conto no Brasil em Prosa e que espero que continue publicando). Dentre as que publicaram por editoras, tem a Bárbara Morais, que li recentemente, e a Lhaisa Andria (série Almakia). Quanto as que ainda estão em minha lista de leitura… Bem, poderia passar a noite inteira listando!
    Abraços e parabéns pelo post!

    • Oi, Laís!
      Pois é. Acho que vale a pena a gente se perguntar como é que os livros vêm parar nas nossas mãos. Autores independentes não chegam às livrarias, e mesmo as editoras pequenas têm dificuldade para colocar seus livros nas lojas. Para conhecer realmente quem está produzindo fantasia no Brasil, precisamos frequentar eventos, pegar indicações com amigos, navegar muito na web, fazer parte de comunidades, etc.
      Não sei se realmente há uma postura contrária ao lançamento de literatura fantástica brasileira escrita por mulheres, mas fico pensando se muitas editoras têm medo de apostar nelas. Ou até se, na fase de avaliação de originais, elas talvez sejam preteridas porque o livro veio com nome de autora… Parece que os nomes femininos só são valorizados se fizerem literatura “voltada para mulheres”, sabendo que é o tipo de livro que a maioria dos homens despreza. O que também é péssimo. Aí há quem diga: ah, mas tem a J.K. Rowling, tem a Marion Zimmer-Bradley, é lit fan e todo mundo adora. Pois é, mas ambas são gringas que venderam muito em outros países antes de serem lançadas aqui, e J.K. ainda foi aconselhada a adotar a sigla do nome para não dar muito na cara que era mulher. Quero ver editoras brasileiras grandes dando às autoras brasileiras a chance de serem também “grandes”.
      É excelente que a Gutenberg tenha apostado na Bárbara Morais. Que sirva como exemplo para muitas outras. 🙂
      Mas também concordo que hoje em dia é mais fácil publicar de forma independente. O que fica faltando, às vezes, é o “selo de qualidade” de uma grande editora, para que os leitores levem a obra mais a sério. Mas nem isso há de nos desanimar, não é mesmo? Meu plano para o romance que estou terminando de escrever é justamente lançá-lo sem intermediários, direto da autora para o leitor. 😉

  4. Camila;
    Antes de publicar o livro que escrevi com extraterrestres, li alguns artigos de editoras relatando que nomes masculinos vendem mais que femininos na ficção fantástica. Lá fora eles preferem colocar só as iniciais da autora para não ficar claro.
    Parece que meninos confiam mais na qualidade se vier de um homem. Temos que educar melhor esses meninos!

    • É verdade, Mel. A história da J.K.Rowling já é emblemática desse fato. Será que nada mudou desde que essa maravilhosa mostrou pra quem ainda não sabia que mulheres sabem escrever fantasia, e muitíssimo bem?

  5. Excelente post, recomendado e compartilhado. Obrigado pela citação em tão boa companhia, espero que quando ler meus trabalhos não se arrependa huehue

  6. Encontrei esse post através do blog da Camila Villalba e amei ❤ Existem mulheres na literatura fantástica e não é pouco!! hahaha Eu também sou :3 Mas escrevo outros gêneros quando bate a inspiração. Minha saga é a Instituição para Jovens Prodígios ❤ Ótima postagem! Beijos!!

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