Surpresas do sábado

Sair à rua é expor-se a todo tipo de experiências: boas, ruins, melhores. Hoje, foram três.

Tarde típica em Santos.

Tarde típica em Santos. Foto de celular.

A turista. Só para contrariar o frio e a chuva de ontem, hoje o sol chegou-chegando, todo assanhado, disposto a brilhar o dia todo. Maridoffmann e eu aproveitamos a temperatura amena da manhã para fazer uma caminhada antes de engatar na faxina. Pé na água, dali a pouco apareceu uma mulher: Excuse me, can you take a picture of me? Segurei os chinelos do marido enquanto ele atendia o pedido. Reparei na turista: uns 45 anos, túnica rosa, longos cabelos pretos ao vento, argola dourada no nariz. Where are you from?, perguntei. Era paquistanesa! Perguntou se éramos brasileiros e disse que estava gostando daqui, mas só tinha mais meia hora para passear, pois logo pegaria um ônibus de volta a São Paulo. Decidimos não tomar seu tempo. Lembrei-me de um húngaro que, anos atrás, encontramos no Pateo do Collegio (não estranhe, é assim que se escreve), às voltas com um funcionário do local que, por solícito que fosse, não falava inglês suficiente para informá-lo sobre as exposições. Ficamos felizes em explicar tudo o que podíamos, exercitando o inglês e ao mesmo tempo conhecendo um pouco sobre alguém de origem tão diferente da nossa. Também me lembrei do Christian, o norueguês que ciceroneei no Zoológico de São Paulo, uns 10 anos atrás; seus quase 2 metros de loirice escandinava o tornaram mais interessante para as crianças do que o leão do zoo. Era sexta-feira, dia de excursão das escolas; imagine para quantas fotos ele teve de posar quando descobriram que era quase um viking. Cheguei à conclusão de que adoro turistas. A troca de experiências entre habitante e visitante pode ser muito enriquecedora (além de engraçada).

O pinguim. Depois da faxina, macarronada caseira, vinho barato e filme chinês, veio a segunda caminhada do dia, porque o pôr do sol é para isso. E num dos canteiros da orla avistei uma ave inédita. Estou sempre de olho nos bichos nativos, mas esse não era um deles. Era um pinguim. Estava deitado. Estava morto. Suspiro… Felizmente, estávamos perto de um dos postos de bombeiros e fui falar com uma guarda-vidas. É, eles aparecem por aqui nesta época do ano, disse ela. Pegam a corrente errada e vêm parar em Santos. A maioria chega viva, eu mesma já recolhi. Quando estão vivos a gente leva pro Aquário e os biólogos de lá cuidam deles até ficarem bons. Depois eles voltam pro mar. Eu sabia que os pinguins às vezes vinham parar nas praias do sul, mas nunca imaginei que chegassem até aqui. E os que morrem?, perguntei. Pra esses a gente chama o Aquário também, daí não sei o que fazem com o corpo. Mas tem que chamar. Concordo. Lamentei o fim do pinguim e senti uma parcela de culpa por ele, imaginando se comeu plástico.

O coral. Já havia escurecido quando voltávamos para casa e escutamos ao longe… canto! Bem ali, na calçada do Canal 4, em meio ao público dos quiosques, um grupo de pessoas em roda entoava Chega de Saudade. Pela harmonia absoluta das vozes, notamos que eram profissionais. Uma coisa linda que acarinhava os ouvidos. Esperamos a canção terminar, aplaudimos, esperei uma pausa e perguntei a uma cantora: Vocês são um coral?, já me assanhando com a ideia de que seria um grupo local e eu poderia participar e finalmente aprender a cantar e zás e vum e vai. Somos do CoralUSP, esclareceu ela. Viemos nos apresentar hoje no Engenho dos Erasmos. Minha cara caiu. Trata-se de um sítio arqueológico em Santos, onde as ruínas de um dos mais antigos engenhos do Brasil, de 1534, estão sob os cuidados da Universidade de São Paulo, que permite a visitação. Eu estava doida atrás de saber como faço para tomar parte da excursão guiada que leva até lá, e hoje teve uma apresentação de coral nas ruínas e eu não sabia. O-O Já contei que sou history nerd? Já contei que tentei entrar para o CoralUSP uns 10 anos atrás? Era muita coisa boa de uma vez, e eu perdi! Foi amplamente divulgado, informou outra cantora. Mas só lá na região do engenho. Isto é, nas montanhas do outro lado da ilha. Sem problema! Da próxima não perco. É só seguir o coral no Facebook. Aproveita e segue o Engenho também, pois, segundo a cantora, há muitas atividades culturais por lá. Curtimos mais um pouco da música antes de encerrar a caminhada, enquanto o professor de canto bebericava uma cerveja no quiosque mais próximo.

Surpresa boa, surpresa ruim, surpresa ótima = saldo positivo.

Se você curte uma comidinha vegana, aproveite a receita basiquérrima: macarrão integral com

Se você curte uma comidinha vegana, aproveite a receita basiquérrima: macarrão integral com abobrinha e tomate pelado em cubos, cogumelo Paris e azeitona sem caroço fatiados em conserva, cebola e alho refogados em azeite e sal. Finalizado com tempero de cebola, alho e salsa desidratados. Fácil, rápido e bom pra caramba. 🙂

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