Borgen (Adam Price, Dinamarca, 2010-)

Série televisiva, drama político.

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Sidse Babett Knudsen como Birgitte Nyborg Christensen, primeira-ministra fictícia da Dinamarca. Foto: BBC.

Birgitte Nyborg (Sidse Babett Knudsen) fez um trato curioso com o marido: ela passaria cinco anos investindo na carreira enquanto ele cuidava da casa e dos dois filhos, e ao fim desse período seria a vez dele de trabalhar fora. Só que a carreira de Birgitte não é algo simples de interromper. Ela é nada menos que a líder do Partido Moderado na Dinamarca. Devido à discordância em relação ao tratamento dado a estrangeiros refugiados no país, ela retira publicamente seu apoio ao candidato a primeiro-ministro de outro partido (a Dinamarca é uma monarquia parlamentar). Isso engatilha uma série de acontecimentos e, escândalo daqui, reviravolta dali, ela termina o primeiro episódio da série como a candidata preferida ao governo do país.


Não, isso não é spoiler. Já sabemos que Borgen é sobre os desafios colocados diante de Birgitte como primeira-ministra da Dinamarca. O que não sabemos é como ela enfrentará esses desafios, que, aliás, não planejava encarar.


Foi maridoffmann quem descobriu a série para mim. E ela me atraiu por duas razões: uma, acompanhar um drama político fora do mundo anglófono, num país sobre o qual sabemos muito menos do que imaginamos. Outra, conhecer a história de uma protagonista feminina forte e interessante. Forte porque, dada a sua posição, não poderia ser menos; no primeiro episódio ela já mostra a que veio, recusando alianças que atropelem seus ideais. Interessante porque, logo de cara, já parece uma mulher real: é uma mãe, esposa e profissional que odeia escolher roupas porque se sente gorda diante das câmeras nos debates televisivos. Embora seus traços de personalidade sejam apenas esboçados no primeiro episódio (idealista ou ingênua? Segura de si ou ríspida?), fica claro que a família a valoriza mais pela inteligência que pela aparência. Achei bem empoderador. (E quem odeia as palavras “empoderador” e “empoderar” que me dê licença, pois ainda não conheço termos melhores em português e acho que estes vieram para ficar).


Outra personagem interessante é Katrine, a jovem repórter em ascensão que conduz o último debate político televisionado antes das eleições. Inteligente e audaciosa, ela leva seu trabalho muito a sério, mas tem um caso complicado com o assessor do atual primeiro-ministro e uma situação mal resolvida com o spin doctor de Birgitte. Ainda a veremos metida em muita encrenca.


No IMDB, “Borgen” é descrita como “um drama político sobre a ascensão de uma primeira-ministra ao poder, e como o poder transforma um primeiro-ministro”. Desde o começo, fica claro que Birgitte não quer “jogar o jogo dos tronos”, por assim dizer. Resta acompanhar a série e descobrir se ela vai meter o pé no tabuleiro, aprender a jogar ou ser derrubada por jogadores mais hábeis.


Tem 30 episódios até o momento. No Brasil, está passando no canal +Globosat.


Atualização: vi os 30 episódios e é tão bom quanto eu esperava. Aborda sem reservas temas como colonialismo, aborto, legalização da prostituição, saúde pública… VEJAM, simplesmente.

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