Às vezes eu não gosto da minha cara

Tá, vamos destrinchar um pouco esse título.

Não gosto dos meus olhos meio caídos, das minhas olheiras muito escuras, das minhas pálpebras, nas quais uma vez uma amiga disse que daria para pintar um arco-íris inteiro, tão grandes elas são. Não gosto do ar de cansaço ou embriaguez que isso me dá. Também não gosto do fato de que, quando sorrio para uma foto, meus olhos “desaparecem”, virando dois rasguinhos pretos no meio de tanta pálpebra, em cima, e tanta sarda, embaixo.

Também não gosto das minhas sobrancelhas, que, apesar de terem muito pelo, têm esses pelos todos espalhados para cantos onde não deveriam estar, em vez de se concentrarem num desenho bonito e expressivo. Até que gosto do formato que se revela quando eu tiro o excedente. Mas, se eu passo do ponto, minha mãe diz que fico parecendo “aquele cara feio, o Sr. Spock” (feio?!).

Não gosto muito do meu sorriso. Ele é torto. Disseram-me que eu deveria usar aparelhos nos dentes quando era bem menina, pois se não fizesse isso me arrependeria depois, adulta. Hoje em dia, adultos usam aparelhos numa boa, e dizem por aí que mesmo quem já passou dos 40 anos ainda pode corrigir a dentição. Eu, teimosa e sovina, continuo não querendo colocar aparelho. Mas também continuo não gostando do meu sorriso. Ele é um mal necessário na hora de parecer amável. O que será pior: um sorriso feio ou um sorriso ausente? O feio ainda pode ser simpático. Acho. Enquanto isso, uso meu canino superior direito, principal responsável pela tortice (ou tortura?) do dito sorriso, como abridor de garrafinhas de iogurte. Meu marido acha divertido.

Não gosto do meu queixo imenso, vagamente prognata, que parece ainda maior em fotografias. Ele me dá um ar prepotente e bruto, coisas que eu talvez seja, mas talvez não queira que estejam tão na cara — literalmente. O queixão ainda intensifica a impressão de “cara chupada” que os anos estão me trazendo. Há uma década eu tinha bochechas cheias e juvenis. O tempo levou embora a firmeza dessa época e deixou um rosto magro no lugar. Abaixo das maçãs, vincos cada vez mais fortes se pronunciam, um de cada lado.

Também não gosto da minha boca.  Se não gosto nem do sorriso aberto, como gostar da boca fechada, séria? Ela é pálida. Não tem cor. Não tem o menor destaque no rosto.

Enfim, às vezes — muitas vezes —, eu não gosto da minha cara. Não mesmo. Não gosto de ser aquela menina sempre menos bonita do que as amigas, sempre em segundo (ou terceiro, ou quarto… ou último) lugar na predileção dos rapazes e de algumas moças. Não gosto de não ser notada ou de só ser notada quando me porto de forma ridícula. Não gosto de pensar que talvez tenha perdido alguma oportunidade porque outra pessoa, mais bonita, foi favorecida no lugar da “feinha” aqui. (Observação: também não gosto do meu corpo. Mas ele é um problema maior — e um texto ainda mais chato — do que meu rosto.)

Eu não gosto da minha aparência geral. Pronto, falei. Admito.

Mas aprendi a lidar com isso.

Uma das coisas que me ajudaram foi fazer terapia e usar um medicamento para regular a cuca — e disso eu falarei mais detalhadamente outro dia.

Outra coisa foi ler. Não ler qualquer coisa, mas reportagens, artigos, blogs de gente interessante com ideias relevantes. Textos que me fizeram entender que eu só me castigava por essa ausência de perfeição porque fui educada para isso. Não pelos meus pais nem pelos meus professores, mas pela sociedade em que vivo. Não posso falar disso em amplo aspecto, pois não pesquisei o suficiente sobre “o que é a beleza” no resto do mundo. Mas na sociedade ocidental, ainda mais especificamente na brasileira, beleza é fundamental — se você for mulher. Claro que a beleza masculina também é apreciada e favorecida. Claro que homens também têm complexos relacionados à sua aparência. Claro que eu também adoro olhar para homens bonitos. Para mulheres bonitas, igualmente. Mas olhe à sua volta, observe a publicidade, os comerciais e programas televisivos, as capas de revista, os comentários dos colegas de trabalho… Mulher tem que ser bonita. Ponto. Não adianta ser boa profissional, inteligente, honrada, gente boa e coisa e tal. Se não for linda e bem-cuidada, está “faltando algo”.

Quer um exemplo? Jogadora de futebol. Em vez de dizer “cara, essa mina joga muito”, o comentário mais frequente é “pô, mó baranga”. Sua aparência é mais importante do que seu desempenho. O que não se aplica às suas contrapartes masculinas, já que os melhores jogadores do mundo normalmente são reconhecidos por seu trabalho e não por sua beleza. Sim, eu sei que os homens enfrentam outras cobranças sociais, e não, não acho que ser homem seja fácil. Mas este texto é sobre aparência e, principalmente, sobre minha relação de amor e ódio com o espelho.

Sempre há quem diga: tem olheiras? Use corretivo e base. Boca pálida? Batom resolve. Cara chupada? Engorda um pouquinho (não, obrigada; eu não sou magra demais e não acho que precise engordar). Ou faz uma plástica (não, não mesmo, muitíssimo obrigada!).

Por que essas coisas são cobradas das mulheres? Por que temos de estar sempre maquiladas, alisadas, com acessórios bem escolhidos e belas sandálias de salto alto? O que nos homens é visto como elegância, nas mulheres está muito aquém do esperado. Se estivermos apenas tão arrumadas quanto se espera dos homens — de banho tomado, com um traje alinhado e um par de sapatos em bom estado —, passamos por “desleixadas”.

Sabe o que é, gente? Eu não tenho nada contra querer ser mais bonita. Não tenho absolutamente nada contra maquiagem; até uso em ocasiões especiais, quando a vontade de ficar “na minha melhor forma” é mais forte do que a preguiça, que em geral governa. Ou seja, eu uso quando estou a fim (o que anda cada vez mais raro…). Também não tenho uma postura radical em relação à cirurgia plástica, embora ache que não faria.

É que a maquiagem poderia camuflar os meus defeitos e a plástica poderia realmente corrigi-los… Mas nenhuma dessas coisas mudaria quem eu sou de verdade. E quem eu sou de verdade se sente muito, muito agredida pela simples ideia de que, para obter algo como aprovação social, atração sexual ou, simplesmente, ser notada, eu precisaria mudar o que eu sou. Que, em essência, não tem defeitos gritantes. Tudo funciona muito bem. Isto é: funciona dentro da vida que eu levo.

O fato de ter olheiras, queixão ou o que o valha nunca me impediu de desempenhar nenhuma das funções que me propus. Nunca me impediu de desenhar bem, escrever habilmente, ler com gosto, aprender com facilidade, encontrar trabalho, satisfazer meus clientes e ser a cada dia melhor em tudo o que eu faço. Não me impediu de participar de 10 antologias literárias e ganhar um prêmio para publicar meu primeiro livro solo, Reino das Névoas. Não me impediu de fazer amigos, ter vida social, rir e pensar com as pessoas, receber o e-mail ou telefonema de alguém que simplesmente estava com saudades do meu papo. Não me impediu de encontrar um parceiro incrível para esta vida, alguém que — ironicamente? — eu admirei primeiro pela aparência física e só depois pelo caráter, ao conhecê-lo melhor; alguém com quem posso conversar sobre tudo o que imaginar, sem freios, sem tabus; alguém que continua me surpreendendo diariamente com sua bondade, seu desapego e sua lucidez, apesar de já estarmos juntos há quase 9 anos(update: em 2014 fizemos 11 anos).

Trocando em miúdos 1: o fato de não ser lá muito bonita já me frustrou demais, e às vezes ainda frustra, mas não me impediu de ser bem-sucedida, notada e amada — por quem realmente importa.

Trocando em miúdos 2: sabe a Angelina Jolie? Aquela atriz linda e sexy, riquíssima, talentosa, reconhecida e além de tudo engajada em ações humanitárias, casada com outro ator lindo e sexy, riquíssimo, talentoso e reconhecido, e mãe de uma família enorme? Ela sofre de depressão. Ficou deprimida após a morte da mãe e após o parto de um dos filhos, ficou deprimida com o assédio da mídia, com o estresse de ser responsável por uma família tão grande e sei lá mais por quantas coisas às quais a imprensa atribuiu seu estado de espírito. O fato é: Angelina Jolie, aquela linda, tem depressão. Nem a beleza, nem a riqueza, nem o reconhecimento mundial a pouparam disso.

Longe de mim desejar episódios depressivos a ela ou a quem quer que seja, pois só quem já teve essa porcaria sabe o quanto a gente sente vontade de cavar um buraco e se enterrar nele. Mas esse caso específico cabe aqui como referência. A beleza não salvou Angelina. Também não me salvaria. Será que ser linda e notável resolveria mesmo algum dos meus problemas? Não creio. Ainda que eu tivesse a aparência dela, o dinheiro dela, o sucesso dela, mesmo assim eu não estaria a salvo. Inventaria algum motivo de insatisfação — ou minha química cerebral caquética se encarregaria disso para mim. Eu ainda reclamaria de algo. Ainda choraria e me desesperaria por coisas pequenas, como olheiras. E não estaria a salvo das coisas grandes, como depressão crônica, câncer ou a morte de entes queridos.

Então, pensando bem… uma aparência “mais ou menos”, uma família ótima, uma profissão interessante, amigos legais e um marido incrível não constituem exatamente uma situação ruim, né?

Trocando em miúdos 3: eu posso não gostar da minha aparência, mas isso não significa que eu não me ame. Manja aquele cachorro vira-lata velho, feio, muito do sem-vergonha, barulhento e estragão que, mesmo assim, há alguém que adora?

Então. É assim que eu me amo. Com TODOS os meus defeitos reconhecidos e atestados. Tá bom pra você? Pra mim, tá ótimo. 😉

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38 comentários sobre “Às vezes eu não gosto da minha cara

  1. Engraçado que te acho muito bonita. Sério. Daquele tipo de beleza de chamar a atenção entre outras pessoas. Nem te conheço pessoalmente, apesar de ter te visto no Fantasticon e comprado seu livro (mas fiquei sem jeito de chegar perto e me apresentar, sou daquela linha de “pareço arrogante mas sou tímida mesmo”). Daí leio esse texto maravilhoso e fico pensando o quanto beleza e auto-aceitação estão juntos, como o se aceitar como se é (e o quanto a sociedade a todos os minutos te joga na cara o quão feia e imperfeita você é) faz parte do chamar a atenção, do ser bonita. E o quanto esse é um caminho difícil de se trilhar, também. Parabéns pelo texto, para ser lido e passado para as amigas 🙂

    • Oi, Ana Carolina!

      É uma pena que você não tenha se aproximado no Fantasticon! Eu teria adorado assinar o livro pra você. Espero que goste da leitura e que a gente tenha alguma outra oportunidade de se topar. Todo ano tem Fantasticon! 🙂

      Agradeço pelas suas palavras… Eu realmente não me acho linda e nunca me disseram nada assim, sobre eu chamar a atenção. Eu costumo chamar, sim, mas não pela minha aparência, e sim porque falo alto, rio muito, sou meio espalhafatosa… E aí a gente entra naquela da persona ridícula que eu encarno, por impulso, por medo, sei lá por que razão. 😛

      Fico feliz que tenha gostado do texto e se identificado. Beijão.

  2. Ótimo, Camila! Vc escreve muito bem. Tenho a impressão que a gente está piorando nesse sentido de que beleza é essencial para a aprovação social de uma mulher, independente da sua profissão. É como se fossemos forçadas a desfilar eternamente num concurso de miss. Por coincidência, eu havia escrito um texto mais ou menos sobre isso. Planejo publicá-lo na terça ou quarta. Acho que dialoga com o seu.

  3. Mila,
    Preste atenção: você é uma pessoa extraordinária que tem um puta talento e que encontrou uma pessoa maravilhosa para compartilhar a sua vida.

    Como se diz na gringolandia: Life doesn’t get any better than this…

    Beijos,

  4. Lembrei de uma cena do filme biográfico Gia. Na cena, Gia Carangi (uma das primeiras supermodels, famosa lá nos anos 70/80, e interpretada por ninguém mais ninguém menos que Angelina Jolie) está num centro de reabilitação para dependentes químicos após praticamente afundar a carreira devido ao vício em cocaína e heroína. Na sessão, todos estão sentados numa roda, desabafando. Uma personagem negra começa a falar como se sentia fora dos padrões de beleza que via nas revistas de moda. Como achava que tudo nela estava errado e precisava ser mudado. Mas que agora, vendo uma modelo ali em carne e osso na sua frente, quase irreconhecível da imagem que aparecia nas capas de revista, percebeu que tudo não passava de uma mentira.

    Esse sentir-se fora dos padrões é meio schopenhauriano. Os “emes” mundo~mídia~moda nos empurram uma fórmula e nos ensinam que só podemos ser felizes daquela maneira. Mas a fórmula, obviamente, é inalcançável, por ser uma construção virtual. Daí ficamos nesse pêndulo de desejar e nunca alcançar. Mudar, mas nunca se satisfazer.

    É difícil se libertar dessas amarras.

    And just for the record, você é linda, Mila (:

    • Você me lembrou de que eu ainda preciso ver esse filme, Alliah. Essa parece ser mesmo uma cena memorável.

      Há pouco eu estava conversando com uma amiga muito querida justamente a respeito dessa ilusão de perfeição, uma coisa que não exigimos dos outros, mas curiosamente exigimos de nós mesmos. Ainda sou menos inteligente do que gostaria, menos bonita do que gostaria, menos simpática do que gostaria e menos bem-paga do que gostaria (rs!), mas se a dona de todos esses “menos” fosse minha filha eu não a amaria menos por isso. Amor incondicional é isso. E depois de muito tempo eu finalmente descobri como me amar assim, feito um cachorro sem sem vergonha, rs!

      E obrigada. 🙂

  5. Nossa, Mila… tive dificuldade de localizar os defeitos que você apontou! rssrsrsr Tem coisa que só a gente vê, mesmo. For what it’s worth: eu acho você linda! 😀

    • É, Dri, o espelho nos confunde… rs!
      Obrigada pelas palavras e por passar por aqui. 🙂
      Beijão…

    • Acho que faz muito tempo que não me acho linda. Mas também faz tempo que não me acho um monstro. Acho que estou (quase) em paz com o fato de ser, simplesmente, normal. 😉

  6. Camila, me sinto bem quiando passo por aqui de vez em quando. Seus textos são uma delícia! Continue, por favor. Te agradeço.
    Um beijo. Beto (MSP)

    • Obrigada, Beto! Infelizmente não tenho tido tanto tempo quanto gostaria para escrever, mas tentarei!

  7. Poxa vida, cai aqui do nada, sabe esses dias que você está navegando sem saber para onde está indo? então, achei este texto e me identifiquei muito, Camila, adorei sua sinceridade, sempre quis escrever que tenho dente torto mas nunca tive coragem, gostei… sou uma simples bibliotecária que adora escrever, mas, ler é uma delícia… e textos assim torna tudo mais fácil… parabéns…

    • Caramba, Daniela, que coincidência: o seu nome é o mesmo da minha irmã, e por um instante achei que era ela quem tinha deixado esse comentário.

      Pra mim, admitir meus defeitos é o primeiro passo para OU corrigi-los OU me conformar com aqueles que não posso mudar. E dizer isso na frente de todo mundo é o meu jeito de dizer: “Sim, tenho tudo isso aí de esquisito e me gosto, mesmo assim.”. 😉

      É muito bom não se sentir obrigada a ser linda. E melhor ainda saber que a gente vale mais do que a aparência indica. E que, felizmente, há gosto para tudo. 😉

      Beijão.

    • Marcelo, não existe um livro “Às vezes não gosto da minha cara”, pelo menos não de minha autoria. Isto é apenas um texto. O livro que eu menciono nele, que escrevi e publiquei, é “Reino das Névoas” e pode ser adquirido em livrarias ou diretamente comigo, bastando me mandar um e-mail: milaf.autora@gmail.com
      Um abraço.

  8. Camila, adorei este texto!
    Acho que todo mundo se identifica com ele, por que como vc disse, mesmo o mais lindo encontraria algum “defeito” pra chorar! rs claro, não é meu caso. rsrs Tenho um monte de coisas que não gosto em mim também. Mas felizmente, e bota felizmente nisso, sempre tem quem goste! rsrs

    • Pois é. Sempre tem quem goste. De preferência, nós mesmas. 😉
      Obrigada pelas palavras e pela visita!

  9. Amei o texto, sempre pensei exatamente como você. Parece até que eu estava lendo meus próprios pensamentos quando na verdade lia suas palavras. No geral, os homens nunca assumem essa cobrança por perfeição direcionada a nós mulheres, seja por medo, insegurança, ou pra não admitir que se impressionam demais com uma simples aparência, sendo suas escolhas movidas pela estética e não pela lógica do que de fato será melhor para eles. Já sofri muito por ter nascido a feiazinha com duas irmãs lindas. Ontem mesmo, discuti feio com minha irmã mais velha e mais bonita, e para me atingir os argumentos dela foram que eu sou feia, que ela tem dó de mim, que eu deveria ter vergonha de ter 22 anos e ainda morar na casa de meus pais e não ter um marido, mas que ela entendia isso já que uma pessoa tão feia jamais arrumaria alguém para amá-la. Eu disse a ela que estou solteira por opção, que estou nova e faço faculdade justamente, para diferente dela eu ter minha independência e não precisar me casar com o primeiro que me ofereça luxo ou riqueza caso eu deseje isso para mim. Não quero luxo, não quero riqueza, quero apenas o suficiente para levar uma vida digna, sair, viajar, enfim. Também não estou solteira por opção. Não queria casar tão cedo, realmente, mas ao menos um namorado eu gostaria de ter. Sou tímida e feia, os homens fogem disso. Dizem que eles não são todos iguais, então o problema deve mesmo estar em mim porque não consigo arrumar ninguém. Fui numa festa, conheci um rapaz que quer apenas me ver quando ele quer para me dar uns amassos e tchau. Eu não quero isso pra mim, quero um homem de verdade, que tenha cultura, que estude, que leia livros. Não sou exigente, não ligo pra aparência física, até suporto, apesar de odiar, homem burro, que escreve errado, contanto que tenha assunto, mas nem esses têm surgido. E quando aparece é só pra querer “pegar”. É difícil, nessas condições, não se render a ditadura da beleza, eu até tento, mas diante desses expostos, acabo jogando todo meu esforço pro alto afim de tentar ser menos feia e quem sabe, arrumar alguém pra me abraçar e dizer que me ama. Tenho depressão e nenhuma grana pra fazer terapia. Não quero tomar remédios, pois já vi minha mãe virar uma quase dependente dessas drogas. Arrumei um emprego, dá vontade de quando receber meu salário, gastá-lo todo com roupas, maquiagens, cortes de cabelo, coisas pra melhorar meu aspecto exterior. Mas ao mesmo tempo quero comprar meus games, um pc novo, ir pra BH e me divertir no shopping. O dinheiro é pouco, terei que escolher a melhor opção. Talvez a melhor opção fosse nascer de novo! Hahahaha. Desabafei, digitei um baita texto.
    Até mais, vou dormir. Prazer em conhecê-la. Entrei aqui por acaso e já me sinto íntima, amanhã eu leio suas outras postagens. Abraços…

    • Ligia, você é muito jovem (eu, com 22 anos, não sabia direito nem quem eu era, muito menos o que queria da vida…), mas já sabe o essencial: que você é MAIS do que sua aparência. Eu nunca a vi. Mas, quer seja bela ou feia, quer seja aprovada ou não por suas irmãs ou por alguns rapazes bobos que já conheceu, lembre-se sempre disto: você vale muito mais do que a sua “casca”. Faça exatamente o que está fazendo: estude, siga seus sonhos, planeje bem seu rumo e seus objetivos. Não se contente com migalhas, mas também não espere que as pessoas lhe entreguem o que você deseja de mão beijada, nem se enfureça quando elas não lhe derem nada. Esqueça os outros, concentre-se em si mesma. Você pode até não estar dentro do que a sociedade considera como uma beleza padrão e pode até ser que haja pessoas que a considerem feia. Mas quando você se ama, não importa a sua aparência: sua autoconfiança se irradia de tal forma que você brilha onde quer que vá. Talvez você até não impressione a maioria das pessoas logo de cara, mas quem sabe conversar e é simpático e amistoso atrai para si as melhores companhias. Amor próprio é sinônimo de luz própria. Beijos!

  10. Olha que engraçado, acho você tão bonita. Uma beleza natural, não sei explicar. Mas o fato é que adoro seu estilo de escrita, despachado, livre. Parabéns pelo blog e pelos seus textos. Finalizei meu primeiro livro com 18 anos, queria ter você morando perto, seria uma honra te ver revisando meu livro. Quem sabe um dia, não é? Muito sucesso pra você! 🙂

    • Uau! Muito obrigada, Sandy. Mas, olhe, não é preciso a gente morar perto uma da outra para eu revisar um livro seu. Isso pode ser feito pela Internet. É assim que eu atendo a maior parte de meus clientes, inclusive em outras cidades. Qualquer coisa, escreva para mim por e-mail: milaf.autora@gmail.com. Um beijão.

  11. Nossa, bom saber. Estava precisando mesmo de um bom revisor. Vou anotar seu e-mail e quando precisar será a primeira a quem vou recorrer! Parabéns mais uma vez pelo blog! *-* Beijos

  12. Tudo que eu queria era ter o queixo grande e entro em depressão porque não tenho. Estava até pensando em fazer cirurgia, porém tenho medo e não tenho dinheiro. Hoje com 26 anos não sei mais o que fazer da vida, pois de tão feia não tenho vontade de sair na rua. Sou casada, porém depois que estava começando a sair da depressão e comecei a trabalhar conheci um cara que por acaso tinha terminado um casamento e sua ex é linda… Estamos juntos até hoje, é uma historia doente e sofrida. Tenho certeza de que se fosse linda minha auto estima seria muito mais elevada, teria forças pra estudar e ser alguém na vida , nos primeiros anos de emprego gastei todo meu dinheiro em roupas bonitas e isso fez bem por um tempo … daí vc acorda e vê que não tem nem dinheiro e nem beleza … estou tentando superar mas tá difícil… foi muito tempo ouvindo que a voz dela era linda, o cabelo, o sorriso… uma destruição psicológica e continuei o relacionamento frio esperando que algum dia ele pudesse me amar da mesma forma … Aqui estou eu … um dia bem e o resto mal pra caramba … entrei no site por acaso pois estava procurando soluções para o meu rosto e os meus olhos inchados de tanto chorar …E vc é linda e não tem motivos nenhum pra se achar feia de forma alguma… Bjs

    • Maria, veja você como são as coisas. Você me diz que sou linda e não tenho motivo nenhum para me achar feia. Sabe, aposto que muita gente te acha bonita também, mas ainda assim você se sente mal. Muita gente já me disse que eu era bonita e isso não me fez sentir bem, simplesmente porque eu não me curtia. Achava que as pessoas estavam apenas sendo educadas, que elas não diriam na minha cara que eu sou feia porque amigos não fazem essas coisas. Talvez algumas delas só estivessem sendo legais mesmo. Mas acho que outras estavam sendo 100% honestas.
      Eu vejo fotos minhas de alguns anos atrás e penso: que menina simpática, sério que eu era assim e me achava pavorosa? Hoje sou menos bonita… mas sou MUITO mais feliz, porque me curto, me aprecio, cuido de mim como cuido das pessoas que eu amo. Meus amigos não precisam ser fisicamente lindos para que eu os ame. Eles também me amam sem que eu seja perfeita. Então, por que eu deveria ME amar menos só por não me achar linda?
      Saiba, Maria, que muitas meninas e mulheres infinitamente mais lindas do que você e eu se consideram horrorosas, sofrem com encucações, acham que nunca serão tão bonitas quanto X ou Y e que, sendo feias, só podem mesmo ser infelizes. Você diz que, se fosse linda, sua autoestima seria mais elevada. Engano seu. Você poderia ser (complete a lacuna com o nome de uma mulher que você ache incrivelmente linda) e ainda assim sofrer com a sensação de inadequação, de feiura, de não merecimento. Já viu pessoas viciadas em cirurgia plástica? Isso não melhorou a autoestima delas. Não sou contra cirurgia plástica, só acho que a questão da autoestima vai muito além de um detalhe “errado” no corpo da gente.
      Maria, não é a beleza que cria uma boa autoestima. Ao contrário, uma boa autoestima é que cria a beleza. Há mulheres que estão fora do padrão vigente de beleza e se acham lindas, se sentem lindas, por isso SÃO lindas. Outras pessoas podem até achá-las feias, mas isso não importa, sabe? Porque elas vivem como quem tem direito à felicidade. Sabem que merecem o que há de melhor na vida e que isso não tem nada a ver com ser gorda ou magra, baixa ou alta, loura ou morena, de cabelo crespo ou liso, de queixo grande ou pequeno, de olhos redondos ou puxados. Elas sorriem para si mesmas, tratam a si mesmas com o mesmo carinho que oferecem aos entes queridos. E, acima de tudo, elas não dão ouvidos a ninguém que diga que elas são “menos”. Menos bonitas do que a ex-namorada, por exemplo. Quem diz isso a uma mulher não se importa com os sentimentos dela. Quem diz isso enxerga a mulher como uma conquista, não como uma pessoa. Por isso, está sempre pensando naquela que ele poderia exibir para os amigos. Para ele, isso é mais importante do que ter uma companheira e mais importante do que fazer com que a sua companheira se sinta bem.
      Maria, quem ama não compara, ampara. E a primeira pessoa que precisa te amparar é você mesma.
      E sabe o que mais? Essas mulheres que se amam não são melhores do que você. São iguaizinhas a você. Algumas delas tiveram a sorte de desde a infância receber os estímulos certos para construir uma autoestima sólida. Outras precisaram ralar muito até aprenderem a se aceitar e se amar tanto quanto elas queriam que os outros as aceitassem e amassem. Até o ponto em que a aceitação e o amor dos outros não importasse muito, porque elas já tinham conquistado o principal: amor próprio.
      Escrevo isso para você chorando, Mara, porque me vejo em você. Sou uma dessas mulheres que levaram muito tempo para gostarem de si mesmas. Mas eu consegui. E não consegui sozinha. Tive companheiro, família, amigas e terapia para me ajudar. Hoje eu não me acho bonita, sabe? O que eu me acho é digna. A beleza ficou em segundo plano quando reconheci as coisas que realmente importavam, e que a beleza nunca conquistaria para mim, mas eu conquistei sem ela. Eu não sou bonita. Sou livre. Menos do que amanhã, mas mais do que ontem. Libertar-se é um trabalho diário.
      Não sei se tudo o que serve para mim servirá para você. Só posso esperar que sim e te deixar com 4 sugestões de coração:
      1. Afaste-se de quem te faz mal.
      2. Cerque-se de quem te faz bem.
      3. Trate a si mesma como gostaria que os outros a tratassem: se abrace, se aprecie, se ame, e não exija de si mesma algo que você nunca exigiria dos outros: perfeição.
      4. Procure uma boa psicoterapeuta. Provavelmente custará menos do que uma cirurgia plástica e fará um bem infinitamente maior a você!
      Torço por você.
      Beijos.

  13. Hoje tive a coragem e mesmo sozinha no mundo, terminei esse meu casamento idiota, quero ser feliz , sei que por um tempo não vou dar conta de mim., mas mesmo usando muletas vou ter que conseguir…

  14. Pingback: Quem (se) ama (se) ampara |

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