É hora de marchar

Você, leitor ou leitora do meu blogue, está convidado a marchar comigo na Slut Walk São Paulo.

Não sabe o que é? Bom, tudo começou no Canadá e… Ah, clique aqui.

Várias blogueiras já escreveram sobre a chegada dessa marcha a São Paulo. Por isso, não vou me demorar no tema, já que seria como chover no molhado dessas autoras tão eloquentes. Para quem ainda se sente caindo de para-quedas, recomendo as postagens nos blogues Todas Nós, Blogueiras Feministas e Sou Minha. E, se você ainda duvidar da validade dessa manifestação, a Marjorie Rodrigues lista algumas ótimas razões para ir ou, no mínimo, pensar no tema.

Tem muito marmanjo achando que o legal da caminhada vai ser ver gatinhas passeando em trajes mínimos; por mim, eles podem tirar seus pangarés da chuva. Deve até haver algumas garotas ansiosas para exibir seus dotes físicos; maaaaaas, aí é que está: isso não dá a ninguém o direito de passar-lhes cantadas grosseiras na rua, tascar a mão nas suas bundas nem muito menos estuprá-las. O grande mote da Slut Walk é que não importa se está de moletom ou minissaia, se é bonita ou feia, se é rica ou pobre, se é prostituta ou não – nenhuma mulher é “estuprável” e nada dá a um ser humano o direito de forçar outro ao sexo.

Slut Walk não é desfile de moda, concurso de beleza ou competição para ver quem é mais gata, mais sexy, mais tarada ou o que o valha. É um protesto que visa mostrar que a forma como uma mulher se veste não é um “convite ao estupro”. Precisamos dar um fim a essa cultura machista absurda, que ainda impera em países ditos civilizados, de que a vítima de crime sexual “pede” para ser estuprada.

Então, todos vocês, mulheres, homens, hétero, homo, bi ou transexuais, estão convocados a participar. Se puderem, se estiverem em São Paulo, apareçam lá para fazer barulho com a gente, levar a questão aos meios de comunicação e botar o povo para pensar um pouco. Infelizmente, às vezes isso só acontece no tranco, mesmo.

Slut Walk – A Marcha das Vadias
Sábado, dia 4 de junho, a partir das 14 horas
Praça do Ciclista – Av. Paulista entre Consolação e Rebouças

E, se você está no Facebook, acesse a página do evento e confirme sua presença!

É isso.

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8 comentários sobre “É hora de marchar

  1. Obrigada pela indicação, Camila.

    Escrevi muito despretensiosa aquele post, e fico feliz que tenha agradado.

    Nos vemos na marcha, sábado.
    Vou pensar numa forma de me identificar e encontrar as pessoas que ainda não conheço.

    Até lá

    • Legal, Zaíra! Eu marquei de me reunir com algumas amigas da web… vamos ver quem conseguimos encontrar por lá. Pensei em pregar uma “credencial” com meu nome internético no peito, rs. Que tal? Assim todas nos reconheceremos.

  2. Você está corretíssima e qualquer agressor deve ser julgado e punido na forma da lei, porém…, devemos admitir que é melhor prevenir do que remediar, haja vista que não é possível e nem desejavel que coloquem um guarda em cada esquina, vc. sabe no que isso acaba…
    Logo, bom senso não faz mal a ninguém, eu, por exemplo, sempre evitei passar por certos lugares em certos horários, por exemplo, não uso camisa do corinthians próximo de estádios, sedes de torcidas organizadas ou concentração de outras torcidas, apesar de o uso da camisa do corinthians não dar a ninguém o direito de me espancar, o fato concreto é que dada a realidade da condição humana, se eu estiver sozinho ou em menor número ou desarmado, serei espancado e, possivelmente, morto.
    Não há lei ou movimento que mudará isso.

  3. Não, infelizmente não deve haver mesmo lei capaz de mudar o fato de que em certas situações corremos perigo. Agora, sugerir ou sequer imaginar que uma mulher seja estuprada por causa das roupas ou atitude sexual que adota é inadmissível e eu teria VERGONHA de quem quer que defendesse semelhante absurdo. Ou você acha que mulheres vestidas de forma modesta, discreta ou pouco atrativa não são vítimas de estupro?

    Não vou à caminhada deste sábado esperando mudar as intenções dos criminosos. Vou para, juntamente com outras centenas, de preferência milhares de mulheres (e homens também, espero) chamar a atenção da mídia para o assunto, para que as pessoas passem a discuti-lo e a DEFENDER a vítima em lugar de acusá-la de provocar a agressão.

    Eu tenho a esperança de que mais gente desperte da mentalidade machista em que somos mantidos pela (des)educação padrão da sociedade atual e que isso, no futuro, se reflita, SIM, numa diminuição das agressões a quaisquer seres viventes. Um mundo melhor só pode ser construído por um povo melhor.

    É nisso que eu acredito e é por isso que vou marchar.

    🙂

  4. O idealismo é uma maravilha, uma dádiva da consciência humana, devemos sempre exercitá-lo, propagá-lo e multiplicá-lo, mas, eu estava falando de fatos concretos os quais parecem não estar sendo corretamente sopesados na condução do protesto, como o fato de que algumas meninas poderão entender que não precisam se preocupar com a sua segurança por que está havendo uma mobilização social contra o machismo e a violencia sexual.
    É quase tautológico, sempre almejamos alcançar uma humanidade plena em que as pessoas vivam em paz e harmonia, mas não conseguiremos isso simplesmente ignorando a condição humana atual, com seus erros e defeitos, não podemos esquecer que até o momento não passamos de seres pré-históricos e que a maioria de nós só sente realizada quando está satisfazendo suas necessidades animais básicas, ou seja, o ápice da existência da imensa maioria é comer, fazer sexo e dormir, todos os demais atos são meios para satisfazer estes desejos.
    É disso que devemos ter consciência e nesta sociedade que ainda vivemos, é isso que se enfrenta quando saímos da frente do computador, do conforto do apartamento e dos muros do condomínio.

    • Acho justa a sua provocação, Silveira.

      Mas sempre tenho a seguinte postura, quando alguém aponta um problema ou algum defeito em determinada solução que eu (ou um grupo do qual eu participo) apresento/amos:

      Se não acha que a saída que pensamos para tal problema seja correta ou efetiva, apresente outra melhor, e tenha participação na sua aplicação.
      Acredito que só tem o direito de apontar problemas quem pode ajudar a resolver.

      A crítica pela simples crítica, ao meu ver, não ajuda.
      Ao contrário, só desestimula aqueles que têm a mínima intenção de agir pela mudança.

      Mais uma vez, repito, como provocação, são válidas as suas colocações. Mas tenho a IMPRESSÃO de que sua fala não tinha nenhuma intenção se não desqualificar o nosso movimento.

      Felizmente, vivemos em um país que, ao menos por lei, garante a liberdade de expressão, de pensamento e de associação. E isso garante que eu possa me reunir e protestar e que você possa discordar das minhas ideias e ações.

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