E, quando eu vi, ela já tinha chegado….

Eu achei que estaria preparada, mas, quando fui ver — surpresa! —, ela já tinha chegado. Aquela idade fatídica na qual, por causa de um certo escritor, as mulheres se tornam conhecidas como balzaquianas.

Apesar da mulher “madura” apresentada por Balzac não equivaler mais às trintinhas, a idade é icônica e chegar a ela não poderia ser menos que significativo para quem adora fazer drama. Eu, né.

Hoje calhou de eu escrever sobre isso porque uma colega virtual, que além de linda é uns 10 anos mais jovem que eu (aqui entre nós, ainda fico besta cada vez que confirmo que gente nascida em 1990 já é adulta — sim, estou ficando velha) contou que era encanada com a própria aparência e eu respondi: espera só pra ver o que os 30 vão fazer contigo. (Favor imaginar risada diabólica aqui.) Como essa afirmação precisava ser elaborada, o jornal que eu soltei no mural da moça veio parar no blog.

Os 30 são O MÁXIMO!

Sério. Não estou sendo irônica. Minha recém-adquirida balzaquianice está sendo uma idade mágica como nunca imaginei.

Não sei se essa sensação acomete toda mulher, ou todo ser humano, aos 30. Com algumas pessoas, deve acontecer muito antes, com outras, bem mais tarde — ou talvez nunca… Há gente bem-resolvida de nascença e gente que nunca se resolverá. O fato é que os 30 representam — e, para mim, de fato, são — aquela idade clássica em que você revisita sua vida, suas prioridades e suas besteiras. O momento em que para de se comparar com outras pessoas, desiste de gastar seu tempo com chatices e passa espontaneamente a investi-lo no que é bom para você. Começa a assimilar o óbvio da vida na marra. Parece simples? Para mim, certamente não foi, como não é para muitas outras pessoas.

É a hora em que você se toca de que pode ser bonita, mas não precisa ser linda; que pode ser cada dia mais inteligente, mas não precisa ser um gênio; que não é, nem nunca será, intocável, irretocável, irrepreensível, mas mesmo assim pode ser feliz. Não, você não cede aos desleixo nem se livra do perfeccionismo, mas aprende a lidar com a imperfeição — pois, se você for perfeccionista, lamento, mas vai morrer insatisfeita mesmo. E eu não pretendo morrer de outra forma.

Enfim, você não precisa mais nada, mas pode tudo. Diga se não é ótimo.

Os 30 são a hora em que você entende na raça que a vida é curta demais para ser chata, e a juventude, mais curta ainda.

Aos 20 e tantos, a gente ainda arrasta muita bobagem acumulada durante a adolescência: ai, meu cabelo, ai, meu namorado, ai, minhas notas, minha vida social, minha barriga, minha celulite, meu culote, meu cangote, ai, ai, aiiiii, meu, meu meeeeu, tudo eeeeu! Ufa! No final dessa reta, a vontade natural é de refazer as malas, sabe? Não quer dizer que você vá deixar a vaidade morrer, mas passa a aceitar melhor quem é e entender a que veio.

Por que isso? O que faz do trigésimo aniversário uma idade decisiva? Para muita gente, o upgrade para o modelo 3.0 coincide com a conquista da independência financeira e emocional, com uma carreira bem direcionada, com um casamento estável ou uma solteirice bem-resolvida, sem carências. Enfim, se os 30 são mesmo, como dizem por aí, “os novos 20”, é nessa idade que você se torna realmente uma adulta. 😉

Não que eu me ache lá muito madura. Tenho várias criancices que espero nunca perder — e algumas adolescentices das quais ainda hei de me livrar. Mas o lema dos meus 30 é, como diziam os Titãs, “só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder”.

Não fiquei nem mais rica nem mais pobre, nem mais bonita nem mais feia, nem mais magra nem mais gorda. O que me tornei foi mais EU. Livre para ser eu, ainda que muita gente não entenda ou curta esta coisa estranha que sou. E isso ninguém pode dar, vender, comprar ou tomar de você. Ser cada dia mais você é um prazer orgásmico.

Recomendo a todo mundo que chegue aos 30 o quanto antes. Se ainda tiver 20 anos, tudo bem, faça de conta que tem 30. Se já estiver nos 40, sem problemas: finja que acabou de chegar aos 30 e vá ser feliz.

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10 comentários sobre “E, quando eu vi, ela já tinha chegado….

  1. Ah Mila, minha passagem para os 30 foi épica. Esperei como se fosse um presente, por si só, a data. E foi.

    Não sei se é pela simbologia que carrega, ou pela mudança imensa que representa (entrar na casa dos 20 é como deixar de ser menina pra se tornar mulher, o problema é que passamos muito tempo na casa dos 20 e parece que vamos patinando dos 28 aos 30, quando não somos mais meninas), mas uma coisa é certa: minha vida se dividiu em 30 🙂

    Curta muito. Eu não quero mais sair da casa dos 30. Ontem fiz 29, semana passada fiz 34, e isso voa demais.

    E… Eu tb só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder, como você.

    Yeah!

    • Tatis, eu posso apenas imaginar a sua passagem… Mas, cara, é uma passagem MESMO! Foi o primeiro aniversário em muitos anos que eu decidi não comemorar em massa, por várias razões. Mas o importante é que o peso da data não me pesou (rs!). Ao contrário, fez de mim alguém mais leve. Ainda me sinto menina, mas uma menina adulta. E adoro!
      Beijo!

  2. Mila, que bom que você tomou o ensejo da década para viver uma nova fase, e muito melhor! Foi marcante pra você, dá pra ver. E por favor agarre seus sonhos, não solte mais e seja feliz!

    Eu ainda não cheguei aos 30, então tenho algumas desculpas, sobretudo financeiras rs (embora, segundo a sua definição, eu deva ter chegado aos 30 uma década antes…).

    É interessante o modo como a gente compartimentaliza as fases da nossa vida. Eu costumo dividir a minha entre infância, coma zumbi e vida adulta.
    Como só costumo levar em conta a fase mais recente, parece que os anos voaram. 22, 23, 24… e de repente 27! Cadê os anos que estavam aqui?

    O que assusta é que tenho a impressão de ter realizado menos do que gostaria, ou do que tinha planejado. Sim, o tempo é implacável! A vida é curta. E os sonhos, se você deixar, batem asas…

    :-*

    • Christie!

      Imagino mesmo que em diversos aspectos os seus 30 devem ter chegado bem cedo e, em outros, ainda sejam apenas uma aspiração. Ainda me lembro de revisar a primeira edição de “Fábulas do Tempo e da Eternidade” de uma garota de 23 anos e aqui estou eu diante de uma experiente escritora nos seus 27. 😉

      Mas somos todos bebês crescidos – nem por isso menos bebês.

      Se analisar em profundidade, meus 30 também ainda não estão completos. Por exemplo, não recheei meus bolsos tanto quanto esperava, não lancei meu livro solo (ainda!), não visitei a Espanha e não aprendi 5 idiomas. Mas não me queixo; mudei muito dos 20 pra cá e é natural que meus sonhos tenham mudado comigo. Se, por um lado, acabamos sempre realizando menos do que desejávamos, por outro, também realizamos muitas coisas que sequer imaginávamos. A vida surpreende e, na maior parte do tempo, isso me deleita. 😉

      Mas, como você dissem, os sonhos batem asas facilmente e precisamos agarrá-los rápido para que nos levem com eles. Força, moça! Pra ti e pra mim também.

      Beijão.

  3. Mila, belo texto! 🙂 Agora não fico com medo mais de chegar aos 30… porque eu tava meio encanada com isso, de estar chegando perto e ter umas coisas na cabeça. Legal saber que essa transição ajuda a ficar bem resolvida, vou tomar o seu exemplo 😀 Quando chegar lá mesmo de fato, precisarei de umas palavrinhas suas hehe.
    Bjos!
    Gi

    • É isso aí, Gi, sem medo de ficar velhinha! Afinal, pense na alternativa. 😛

      Acredite, a gente chega aos 30 bem menos madura do que acreditava que seria. Mas muito cheia de surpresas e novidades, e isso é sempre bom.

      Beijão!

  4. Concordo com tudo que disse, mana!!
    Nunca antes, na história da minha vida (rsrs), fui tão feliz e plena como nos meus 30. Que graças ao universo, ainda não acabaram… rsrs
    E imagino que quando chegar aos 40, estarei melhor ainda. Mais auto-confiante, mais inteira, sabendo o que sou e o que gosto realmente.
    Quando a gente deixa, a vida e o tempo ensinam a gente a ser mais felizes.

    • “Quando a gente deixa, a vida e o tempo ensinam a gente a ser mais felizes.”

      Falou TUDO, preta!!!

      Beijão.

  5. “aqui entre nós, ainda fico besta a cada vez que confirmo que gente nascida em 1990 já é adulta”

    Confesso que tb me espanto com isso. Não sei se há diferenças nesse caso de homem pra mulher. Antes eu temia ser um velho aos 30, mas depois de chegar lá e hoje estando bem no meio do caminho sinto que é a melhor década da minha vida. Tem um provérbio chinês que afirma que o mais feliz dos homens é aquele que torna-se homem sem perder o seu coração de criança. Penso que é essencial não deixar morrer esse coração, deixando viva toda a vontade de aprender. Daí pode vir os 30, os 40, os 50 que estamos preparados pra eles. Beijos.

    • “…depois de chegar lá e hoje estando bem no meio do caminho sinto que é a melhor década da minha vida.” Sabe que também estou me sentido assim, Átila? Esta vai ser a melhor década da minha vida. E aos 40 eu voltarei a dizer isso. E aos 50. E aos 60. E aos 70. E, se tudo der certo, aos 80 também. Claro, vou estar mais enrugadinha e talvez com mais dores nas costas. Mas, de resto, prefiro deixar a vida me surpreender!
      Valeu pela visita e pelos comentários. Um beijão.

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