Resenha: “Nômade” de Carlos Orsi

Há vários meses (!!!) a Érica Bombardi, da Ofício Editorial, me presenteou com um exemplar de Nômade, Uma Aventura no Espaço, primeira incursão de Carlos Orsi no gênero infanto-juvenil pela Editora Autores Associados, inaugurando a coleção Jovem Leitor. Li imediatamente, mas só agora reuni tempo & foco para escrever a resenha que havia prometido. Não bastasse o texto ser de Orsi, a quem considero um dos melhores autores nacionais de FC, o livro é ilustrado por ninguém menos que Renato Alarcão, ilustrador todo-poderoso do qual sou fã de longa data. Babei duplamente.

Lançada ano passado na Bienal do Livro, a obra conta a história da espaçonave Nômade, carregando gerações de humanos em direção ao planeta que devem colonizar. Durante a jornada, adolescentes nascidos a bordo são treinados para sobreviver no novo mundo, primeiro por meio de jogos de realidade virtual, depois num acampamento cujo ambiente reproduz em cada detalhe a atmosfera, a flora e a fauna da colônia. Tudo vai bem até que animais antes inofensivos começam a atacar, acidentes acontecem e tanto o computador central quanto todos os adultos da nave deixam de responder aos apelos dos jovens. Eles precisam, então, driblar todo o sistema de segurança do próprio ambiente para descobrir o problema e sua solução.

Em Nômade, Orsi produz um texto acessível sem emburrecer. É palatável tanto para leitores juvenis como para adultos experimentados. Também não deixa de lado o gosto do autor pelas tramas detetivescas que misturam ficção científica e mistério, já percebidas em seu Dias de Fúria.

O escritor também dribla um problema corriqueiro na literatura fantástica brasileira: se seus personagens tiverem nomes “americanizados”, vão dizer que você é aculturado e antipatriótico; se os nomes forem brasileiros, ninguém vai acreditar na história (haja pessimismo). Simples: os colonos da Nômade possuem apenas nomes gregos. Peleu, Helena, Perséfone, Nestor, Nausícaa e outros fazem forte referência à mitologia e às grandes epopeias da antiguidade clássica, presentes na formação de toda a cultura ocidental. Solução que, pela criatividade, dispensa explicações. 🙂

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