Vai encarar ou vai afinar?

Bodas de adamantium?

O divórcio está em alta. No Brasil, em 2007, para cada quatro casamentos civis realizados foi registrada uma separação. De 1984, quando o divórcio foi instituído no Brasil (será que antes disso a separação era vista como um tipo de adultério?), até 2007, o número de divórcios subiu 200%.

Se dissermos que isso é bom, é por levar em conta o fato de que hoje o divórcio não é tão mal-visto pela sociedade, os divorciados não são considerados párias “descasados”, a mulher divorciada não é algum tipo de artigo usado e descartado e depende cada vez menos do homem para seu sustento. Afinal, hoje em dia, quantas mulheres casadas com menos de 45 anos são apenas donas-de-casa? Dependência financeira, opinião da sociedade e filhos pequenos deixaram de ser desculpa para duas pessoas que já não se amam nem se aguentam continuarem juntas. Ótimo. Homem e mulher, todos merecem ser felizes, ainda que bem longe um do outro. 😉

Por outro lado, se dissermos que é ruim, é por percebermos que as pessoas têm cada vez menos pique para trabalhar em dupla dentro de casa, como o amor está cada vez mais efêmero e as relações, cada vez mais descartáveis.

Não defendo nem defenderia jamais que um casal vivesse uma mentira, jurasse um amor que já não existe e continuasse preso numa relação insossa e sem afeto, com medo da chuva, como diria Raul. Quem me conhece sabe: tenho bronca de quem diz que todo casamento cedo ou tarde dá treta, pois acredito no amor. Mas afirmo com frequência que o casamento como o conhecíamos, cheio dos seus papéis pré-estabelecidos para cada gênero, é uma instituição ultrapassada, que precisa se renovar para não desaparecer. Alguns casais já estão fazendo isso, estabelecendo uma dinâmica particular de funcionamento. Vemos pais mais atenciosos com os filhos, mães que os paparicam menos, maridos que lavam a louça, esposas que trocam pneu; mais do que isso, vemos casais em que mulher e homem não vivem em universos separados que só se encontram nas necessidades domésticas, mas que vivem em sintonia um com o outro, partilhando gostos em comum, falando a mesma língua. Decresceu aquela barreira entre as “coisas de mulherzinha” e as “coisas de macho”.

Mas confesso que acho esse índice de divórcios um tanto triste. Ou as pessoas estão se unindo a torto e a direito porque confundiram paixão com amor ou estão se largando porque não sabem colaborar uma com a outra.

Vida a dois é doce mas não é mole, não, meu povo. Um tem que ser legal com o outro, ajudar, oferecer a mão. Mas toda essa afetividade tem de ser espontânea, ou não serve. Se acham que não vale a pena, se a vontade de dar no pé é maior do que a de ficar e tentar melhorar as coisas, divorciem-se mesmo, dou o maior apoio.

Diante disso tudo, não há como eu não me emocionar com o caso do casal turco que este ano completou 90 anos de união. Ela tem 110 anos de idade, ele, 112, o que significa que tinham 20 e 22 anos quando se casaram (minha matemática tosca, que apontava 10 e 12 anos, foi gentilmente corrijida pelo Golan Trevise – valeu, Golan!). Elif e Abdullah, ainda lúcidos e saudáveis, afirmam que se uniram por amor. Vale a pena ler a matéria completa no Yahoo! Notícias.

Noventa anos de união são bodas de quê? Adamantium?

Mas, falando em casamentos-chatos-nos-quais-as-partes-insistem-em-ficar-juntas, tem esse outro casal (turco também!) em que um ficou 27 anos sem falar com o outro – morando na mesma casa. Resultado: a mulher morreu e o marido, de tão abalado, seguiu o mesmo rumo duas horas depois. Amor teimoso, não? Taí um bom motivo para a gente fazer as pazes com os queridos o mais rápido possível – afinal, do amanhã não sabemos. :-S

E aí, galera? Vamos encarar ou afinar?

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15 comentários sobre “Vai encarar ou vai afinar?

  1. Valeu pela visita e comentários no meu blog.
    Qdo só tem elogios a gente desconfia.
    O bom da crônica é isso: polemizar e fazer pensar.

    Ótimos textos por aqui. Voltarei para dar uma olhada nos contos.
    E os desenhos são muito bons! Q traço!

    Abraço.

    • Valeu, Márcio! Não deixe de postar suas novidades no Facebook. A gente sempre acaba seguindo com mais facilidade quando a coisa “salta” na nossa tela. 😉

  2. Oi Mila!
    Adorei o post! Concordo completamente com você.
    Eu também fico triste com esse índice de divórcio, o problema, como minha mãe diz, é que hoje talvez as pessoas já entrem num relacionamento com esse pensamento de que se não der certo, separa.
    As pessoas já entram, sem muita vontade de tentar fazer dar certo. Como no filme Recém Casados, que o pai dava um conselho pro flho sobre casamento, sobre algo do tipo: ele disse que uns dias ele iria amar a mulher e em outros, iria ter que se fazer um pouco de esforço pra conseguir.
    Talvez é isso que falte pros casais hoje também.

    Beijos
    Deze

    • Oi, Deze!
      “As pessoas já entram sem muita vontade de tentar fazer dar certo.”
      Acho que isso é verdade em alguns casos, sim. Mas há outros em que por mais que uma das partes se esforce a outra não colabora. É bom saber a hora de tirar o time de campo pra não perder tempo com o que não dá mais certo. Só acho que a gente não deve desistir tão fácil.
      Estou há 7 anos comprometida com a mesma pessoa. Casada (ou melhor, “ajuntada”) há 2 anos. Muita gente vem me perguntar qual é o segredo para ficar tanto tempo com alguém. Eu estranho muito essa pergunta! Na geração dos nossos pais, uniões de 30, 40 anos são comuns. Será que está tão difícil ficar com alguém que 7 anos hoje em dia é tempo pra caramba?

  3. É intrigante que nesses tempos de relacionamentos passageiros e emoções superficiais, que o único segmentos social que ainda defendem casamento tradicional e união estável, seja a comunidade GLBT…

    Mais curioso ainda, que o pais como o maior índice de divórcio do mundo, queira colocar na constituição que casamento é a união oficial de um homem e uma mulher, exatamente o tipo de união que não esta dando mais certo…

    Go Figure… 🙂

    • Eu defendo o casamento como união estável, desde que cada casal seja livre pra praticar sua própria dinâmica e suas próprias regras sem ligar pro que o resto da sociedade acredita ser uma receita de felicidade. Casais que escolhem não ter filhos, por exemplo, ainda são vistos com estranheza e às vezes maldade. Mas estou acostumada com as duas coisas. 😉

    • Bom, Zander, o que é de gosto regala a vida, né? 😉

      Nos meus planos só há um casamento. Você conheceu o David. Não sei se depois de namorar e casar com alguém como ele eu teria saco pra me envolver de verdade com qualquer outra pessoa. Mas também não sei como estaria a minha cabeça caso ficasse solteira. 😉

  4. Eu ainda me envergonho por dizer que sou separada (mas acho que isso tem a ver com as cobranças da minha mãe).
    Mas eu também me orgulho por estar passando por um momento no qual está escrito na minha testa: “solteira convicta”! Háh!

    • Nunca se envergonhe disso, Vivi! Antes separada e livre que amarrada a alguém que você já não ama. Eu quero uma vida orgástica! 🙂

  5. Oi
    Legal, mas se o casal está completando 90 anos de casamento, eles teriam 20 e 22 qdo se maridaram, e não 10 e 12 né?
    110-90= 20
    112-90=22
    Não é tão escandaloso assim 🙂
    abs, Golan

  6. Oi Camila! Ótimo post o seu. Estou “ajuntado” há mais tempo que você, 17 anos.
    Muitos dizem “caracas, como conseguem?”. Também acho isso muito estranho. Na realidade delas, viver com alguém tanto tempo é impossível, pois não acreditam.
    Não é apenas amar ou ter amizade, é acreditar que irá dar certo. Escuto muitas pessoas dizerem para seus filhos como sua vida é fracassada e para não casarem cedo. Estes filhos crescem e não querem seguir o exemplo de seus pais, mas teimam em repetir a “verdade” deles.
    Cresci muito com minha esposa. Sou eternamente grato por ela ter me salvo de uma vida que não era minha.
    Parabéns novamente. Ah, e outro segredo do “eternamente juntos”, é não pensar na matemática. Sou horrível com ela tb.

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