O que atrapalha é que alguém inventou que temos de tomar decisões!

Desta vez não tem resolução nem desejo de ano novo. Eu (finalmente!) sei o que quero, não preciso alardear. Vocês também sabem o que querem, por isso desejo apenas que encontrem o que buscam. Sinceramente. Mesmo que sejam coisas que vocês percebam, depois, que não eram bem aquilo que queriam. Só chegando lá pra ver. Não é perda de tempo. Faz parte. Aconteceu comigo. Abriu meus olhos. Que abra os de vocês também.

Mas não é pra falar disso que estou aqui. No último combo Natal + Ano Novo, além de dormir horrores, fiz algumas coisinhas interessantes que mais tarde hei de resumir e partilhar aqui. Not yet. Vim aqui porque ao finalmente voltar à vida online (eu estava ilhada há cerca de uma semana e, pasmem, sem sintomas de abstinência!) tive uma surpresa interessante. A Marise, dona do blog Filosofar é Preciso!!!, resgatou uma ilustração minha para a qual ninguém tinha dado bola, que expressava um pouco do que penso sobre a nossa falta de consciência em relação ao mundo em que vivemos. Ela originalmente estava neste meu post, de quase um ano atrás.

Em seu blog, Marise usou minha ilustração (com o devido crédito, valeu, Marise!) para ilustrar o texto O ano de pensar, de Lya Luft, que eu não conhecia e do qual destaco o trecho:

O que nos atrapalha é que alguém inventou que temos de tomar decisões e fazer projetos para esse novo ano. São quase sempre irreais, quase sempre não cumpridos. Aí já nos frustramos neste mundo de tantas frustrações, em que a gente teria de ser bonito, saudável, competitivo e competente, bom de cama e ruim de mesa, e uma lista interminável de “ter de”.

Gente, não sei vocês, mas eu não aguento mais “ter que” nada!

Basicamente, a não ser por seguir as leis da sociedade que habito, sob risco de punição, e respirar e comer, sob risco de morte, eu não tenho que nada! Não tenho que ser a melhor no que faço. Não tenho que ser generosa. Não tenho que ser inteligente. Não tenho que ser engraçada. Não tenho que usar maquiagem ou roupas assim ou assado. Não tenho que sorrir e fazer cara de princesa. Não tenho que ser linda. Não tenho que cumprir este ou aquele papel social porque mamãe, papai, vovô, psôra e chefinho esperavam assim.

O risco de não ter que nenhuma dessas coisas é não ser aceita. Mas sabem o que mais? Eu também não tenho que ser aceita. Já deu! A única coisa que eu tenho de fazer é aquilo que desejo, não o que desejaram para mim ou o que eu achei que, se desejasse, me faria mais feliz. É tudo mentira. É tudo vaidade. É tudo ilusão. Caiu a máscara.

Mas por que você tá toda revoltadinha? Nem esquentem. Não é com vocês. É comigo mesma. É com as expectativas que fiz minhas ao longo do ano que acabou e ao longo da vida que, felizmente, acaba de recomeçar.

Pois tomei uma decisão que contraria as expectativas de muita gente, mesmo daquelas pessoas que só querem o melhor para mim – afinal, o que é melhor para cada um, só cada um para saber.

Pois, hoje, percebo que são muito poucas as pessoas que importam: são aquelas para quem eu não tenho de ser nada; apenas sou. São aquelas que são mais felizes do que eu por saberem disso há mais tempo do que eu. A elas, meu muito obrigada.

Pois, agora, mais do que nunca, faço coro às palavras de Chuck Palahniuk:

Liberdade é perder toda esperança.

Eu chutei a bunda da esperança e sou livre.

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6 comentários sobre “O que atrapalha é que alguém inventou que temos de tomar decisões!

  1. Uau, falou bem nesse post! Curti, acho que farei o mesmo, é bom abrir os olhos de vez em quando.
    É verdade que eu pus umas metas para 2010, mas coloquei pouca coisa e que podem ser perfeitamente alcançáveis.
    Let’s see what happens… mas o importante é não levar as metas a sério e seguir como der =)

    • Nada contra traçar metas para 2010, Gi. Melhor do que não tê-las!
      Força pra você e pra todos nós.
      Beijão…

  2. Nossa, muito bem dito! Todo esse “ter de” acaba deixando a gente menos felizes. Sabe, a gente traça objetivos e então apenas só pensa em alcançá-lo e se esquece de aproveitar o processo, o caminho, que nos leva á eles.
    E quer saber, eu acho que vou fazer o mesmo que você. Parece uma mais divertido e mais feliz viver assim. =)

  3. Putz, é um post contrário ao meu mesmo!! =DDDD
    Mas fiquei feliz ao ler “Não tenho que ser a melhor no que faço.” Bate de frente com o “Eu tenho que ser a melhor em tudo!”.
    É uma libertação, de fato!
    Fiquei muito feliz ao ler este post! 🙂
    bjos

    • Pois é, Vivs, isso é o que eu chamo de o poder do “que se foda”! Quando a gente enche a boca e diz “que se foda”, a vida fica tão mais leve… rs!
      Beijão.

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