Erro de projeto

“Refiro-me ao fato de que, na minha modesta opinião, o ser humano carrega em seu código genético um erro de projeto que o induz criar religiões, seitas, fundamentalismos e fanatismos. Só pode ser erro de projeto. Não estou criticando as religiões. Estou apenas exercendo a observação de uma tendência de toda a Humanidade. Por isso, quando na extinta União Soviética e religião foi proibidam imediatamente substituiu-a o culto a Stalin.”
DeRose, Yoga a sério

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25 comentários sobre “Erro de projeto

  1. Impressionante como o bater de asas de uma borboleta dá um furacão de proporções épicas. Ops, assunto errado…. mas a analogia é bem válida.
    Por uns míseros genes (ou até menos que isso), grandes carnificinas em nome da religião foram feitas…

    • Oi, Gi,
      Eu suspeito que a carnificina está nos genes mesmo. Gosto de sonhar com uma humanidade mais tranquila, mais serena, mais lúcida e relax, mas às vezes acho difícil de acreditar que conseguiremos chegar lá. Acabamos encontrando sempre uma desculpa pra fazer guerra – e a religião é uma desculpa bem frequente. :-S

  2. Lembro de ter lido em algum lugar que, quando foi criado um ser perfeito, este logo acabou se matando. A razão é que a perfeição tirava a razão da sua existência. Logo depois foi projetado os seres humanos como conhecemos que continuamente cria problemas para si mesmo para serem resolvidos, quando não são outros que aprontam.

    O que importa mesmo é ter uma vida equilibrada. ;D

    • Oi, Jae,
      Taí algo pra se pensar. Espero que você consiga lembrar onde leu isso e me recomende a leitura. 😉

  3. Erro de projeto é esse picareta do DeRose. E não estou criticando a crítica dele. Critico a ELE mesmo. Ô pessoinha mais desprezível.

    • Tibor, com a sua costumeira classe e o seu largamente cultivado talento para botar lenha na fogueira, é só isso que você quer dizer? Fala mais, rapaz. estamos aqui pra isso.

      • O DeRose é um objeto de culto. Não só ele mas a instituição que criou e administra. Antagônico, para dizer o mínimo, reclamar da devoção humana a algum tipo de divindade, quando ele mesmo se enxerga dessa maneira. Se considera um ser superior, acima, muito acima dos meros mortais como nós. Só se esquece de saldar dívidas. Ou será que deuses não tem dívidas?

  4. Sinceramente, como pesquisadora de antropologia e ciências das religiões (e sim, ciências das religiões, o termo não é contraditório), eu devo dizer que o DeRose não sabia do que falava. Ele fez uma grande lambança com temas que não podem ser analisados com tal superficialidade e comparacionismo. Religiões são coisas bem mais profundas do que cultos: são manifestações sociais e não individuais, mas permeadas, aí sim, pelas motivações e desejos humanos pessoais. Fanatismos são reações humanas a religiões, bem como a política, futebol, enfim, a quase toda estrutura criada por nós para viver em sociedade.

    Assim como a opção social por uma religião nasce da necessidade de não sentir-se só. Os cientistas procuram micróbios em outras galáxias e homenzinhos verdes. Crédulos procuram deuses. Cientistas procuram átomos.

    E nas nossas multidões continuamos sozinhos por que, definitivamente, o que todo ser humano sabe fazer de melhor é criticar a vida, a moral e a escolha do outro, daí sim, nascem os fundamentalismos e fanatismos, pois nosso instinto de evolução é pervertido pela nossa mente “civilizada” e passamos a querer extinguir o “concorrente”. O tempo todo.

    Na minha opinião, esse é realmente o ERRO DE PROJETO. E não é um erro da natureza. É um erro social. Perpetuamos isso dia após dia com nossas palavras.

    • Horacio e Janaina, longe de mim defender (ou atacar) uma pessoa que eu não conheço pessoalmente e com cujo trabalho estou apenas começando a me familarizar. Não tenho nada contra religiões, mas tenho muita coisa contra a maneira como algumas pessoas a vivenciam e tentam empurrar para os outros. Independentemente de DeRose ser um grande picareta ou um grande mestre (pelo que vi até aqui não há opiniões nulas sobre o cara, ele é amado ou odiado, simplesmente), achei o comentário de fino bom humor, conforme expliquei antes. Todo mundo quer fazer parte de um grupo (nem que seja o grupo dos renegados…) unido por ideologias e atitudes. Religião para mim é uma das formas pelas quais as pessoas procuram seu grupo e seu lugar no mundo. Contestar também é uma. Eu simplesmente adorei a citação. E confesso que adorei mais ainda o fato de que publicá-la aqui no blog fez com que as pessoas pensassem e se manifestassem de acordo ou contra, com muita classe no caso de vocês. Por isso, só tenho que agradecer a contribuição. E os elogios, valeu, Horacio! Continuem pensando. 😉

  5. Camila como escritora, ilustradora e revisora de textos, nada tenho a dizer que não sejam elógios e a vontade de ver mais do seu trabalho. Sobre o post, me temo que você foi fez uma escolha ruim de citação e de fonte, conheci o “Mestre” DeRose pessoalmente e confirmo o comentário do Tibor: ele é um picareta.

  6. Tibor, creio que você está considerando apenas uma parte da citação. O próprio autor diz: “Não estou criticando as religiões. Estou apenas exercendo a observação de uma tendência de toda a Humanidade.” Ele poderia ter falado em fanatismo por times futebol, estrelas da música e outros, mas escolheu um exemplo mais antigo, a religião. Também menciona o culto pela figura de um ditador. Para mim, está bem claro que ele está criticando o fanatismo por qualquer coisa e não as religiões ou sequer a crença num ser superior. Mas a julgar pelos seus comentários sua bronca do DeRose é de nível pessoal. Não importa o que o cara diga, você vai discordar. Mas agradeço pela sua contribuição. 😉

    • O DeRose nos revela um erro de projeto em nosso código genético, que é o de criarmos religiões. Aí volta e diz que não critica as religiões, mas apenas a tendência de criá-los. Ele esta sendo contraditório. Quem critica o ato, critica o objeto resultante.
      A crítica ao fundamentalismo e ao fanatismo vem depois. Primeiro, ele julgou mais importante condenar as religiões. Isso tem sentido, já que é necessário que existam para que se formem fundamentalistas e fanáticos religiosos.
      Mas não podemos generalizar. Fundamentalistas e fanáticos estão aí, a torto e a direito. E as religiões tem uma parcela nisso, nem maior, nem menor.
      A intenção do DeRose era mesmo alfinetar as religiões e não qualquer tipo de fanatismo. O texto é claro.
      E quem o conhece, sabe bem o que pensa a respeito de religião.

  7. Gostei do Blog Camila, impulsiona à reflexão!
    Quanto às religiões, nossa humanidade ainda se encontra em um estado psicomentalmente infantil, sera preciso ainda centenas de anos para que possamos nos livrar de amarras
    que nos atrasam evolucionalmente.
    No caso dareligião ela é útil no que tange ela servir de freio, como dizia Jung é melhor a pessoa ter um Deus qualquer em que acredite, do que uma bobagem qualquer tomar conta de seu psicológico no lugar dessa divindade…

    • Valeu pela contribuição, Eduardo! As religiões têm, sim, sua utilidade, pois servem para afastar muitas pessoas das drogas, da criminalidade e outros comportamentos autodestrutivos e nocivos à sociedade. Quando umaa pessoa não sabe se dominar sozinha, é bom ter um mecanismo de contenção relacionado a algo que ela acredite ser mais poderoso que tudo, como um deus. O problema para mim está no fanatismo, por qualquer coisa e não só por uma religião, pois o fanatismo nubla o raciocínio e incita o preconceito e a violência. Grande abraço.

  8. Depoimento de quem já partilhou de muitos dos pontos de vista do DeRose e também já teve um contato bem próximo com ele:

    Nos primórdios ele era um diletante talentosíssimo (no sentido de não ter instrução formal ou acadêmica em muitos dos temas em que ele se aventurava) e dentro do metier ele logo se destacou pela grande capacidade de articulação num mar de falta de noção generalizada. Muito do carisma, capacidades e senso tático que ele sempre apresentou sem dúvida se devem ao eficiente estilo de Yoga que ele disseminou (mas ele nunca diz diretamente que o criou).

    Agora devo dizer que se acumularam várias evidências quanto a algumas diferenças entre o discurso e a prática. Por exemplo o culto à personalidade que ele foi fomentando claramente com o passar dos anos e a falta de coerência de longo prazo nas formas de se colocar afastou quase todos os que não eram oportunistas da estrutura quase stalinista que ele mantém até hoje. Precisaria de muitos posts para esclarecer mais detalhes a respeito, mas basta saber que o próprio (também talentoso) filho abandonou a estrutura da UniYoga por não aguentar mais viver com as contradições.

    Agora que ele tem umas tiradas que são inspiradas lá isso é verdade (como muitos outros filósofos, escritores e pensadores ao longo da história). Podemos até nos identificar com uma ou outra frase mas a advertência deve ser contra adotar o pacote completo que tem até seus atrativos mas vem com vieses questionáveis.

    • Oi, Ricardo,

      “Podemos até nos identificar com uma ou outra frase mas a advertência deve ser contra adotar o pacote completo que tem até seus atrativos mas vem com vieses questionáveis.”

      Creio que é por essas e outras que a minha instrutora de Swásthya Yoga sempre diz, na parte relaxante da aula, para a gente ouvir atentamente mas sempre filtrando as informações, assimilando apenas o que a gente desejar. 😉

      Muitíssimo obrigada pela sua visita e pela contribuição lúcida ao assunto!

      Beijão.

  9. Independente do pouco intelecto do DeRose (e de um comentarista desse post), acho que, infelizmente, muitas religiões atingiram o patamar de doença crônica. Só não digo que devam ser tratadas pelo SUS pq determinadas instituições pseudo-religiosas já recebem dinheiro demais. Até da Rouanet nego quer tirar.

    Soube esses dias que instituições católicas dos States ameaçaram parar de ajudar os pobres, distribuir sopa e cuidar de abrigos caso o casamento gay continue a ser aprovado pelos estados. Coisa muito nobre, né?

    Beijos do sumido pra sumida.

    • Tá certo, Eric, afinal forçar o mundo inteiro a viver como a gente quer é muito mais importante do que ajudar os desvalidos, né? Tsc… Tô chocada.

  10. “a minha instrutora de Swásthya Yoga…”

    Swásthya Yoga ? Hiiiii vc tá desatualizada ! DeRose possui uma gama tão grande de críticos que a rede de tempos em tempos é obrigada a trocar de nome. Já trocou várias vezes, basta pesquisar. Agora se chama “Método DeRose”. Eles simplesmente abandonaram a idéia de que ensinam Yoga, ops, digo, YÔGA. Eles ensinam… Hum… somenthing else.

    • Na verdade, João, acho pouco provável que esteja desatualizada, já que, além de eu ter tido aula de Swásthya Yoga até dezembro do ano passado, minha atual professora de dança também está se formando, em 2010, em Swásthya Yoga. Método DeRose, Swásthya ou “something else”, como você diz, se perguntar a qualquer instrutor do assunto o que ele ensina é, sim, yoga – com ou sem acento. Talvez você devesse se informar melhor com eles. Tudo o que é amado por uns é odiado por outros em igual intensidade. Para mim, só o que importa é que a atividade me faz bem.

  11. começou Svásthya depois virou Lite ex, depois voltou a ser svásthya e depois passou a ser Bi ex, voltou a Svásthya e agora é MetodoDerose. Trabalhei com ele alguns anos, ele é um embuste, inventou tudo isto, copiado do livro Hatha Yoga de Caio Miranda!

    • Bom, se a coisa fica mudando de nome toda hora começa a ser difícil passar credibilidade… Tenho recebido muitas referências negativas do DeRose. E já tem um bom tempo, agora, que não estou mais no Yoga dele. Em todo caso, continuo gostando muito da citação dele que postei aqui. Acho curioso como as pessoas que vêm aqui têm se concentrado na pessoa e não na frase. É como se só porque não gostam do cara ele não pudesse acertar em algo do que disse. 😉
      Eu pretendo voltar ao Yoga, yoga, yôga, ioga etc. E só não volto ao DeRose porque é caro demais para mim, porque eu gostava bastante.

  12. Olá lindinha Camila Fernandes, adorei sua foto. Olha tenho uma surpresa para você, comprei no Ebay por US$ Dólares a primeira edição do Kundaliní Yoga de 1953, livro que na página 73 possui um ÔM identico ao usado pela franquia internacional dele, porém o DeRose colocou no Blog dele que esse não é o ÔM que ele usa na rede, o que você acha? Vou colocar o link aqui da páginha escaneada, sintasse a vontade para usar, se quiser que eu escanei melhor soh falar. http://www.tumblr.com/blog/malsapao

    • Señor Frog, obrigada! Eu não estou mais ligada ao Yoga, mas talvez o link que você postou seja útil para os outros leitores.

  13. Olá, Camila! Parabéns pela maneira como você conduziu suas respostas perante tanta exaltação contra a figura do DeRose. Nota-se que você tem uma atitude exemplar, digna do que ele próprio procura ensinar.

    Eu comecei a praticar o método dele em 2004, e logo descobri que se tratava de um nome forte e muito falado – bem e mal. Como eu gostava muito, só via o bem e não conseguia enxergar o mal. Fui avançando e evoluindo, querendo constatar com a minha própria experiência o que, afinal, haveria de tão polêmico no interior desta cultura proposta por ele. O tempo passou, me formei como instrutor e hoje sou diretor de uma escola deste trabalho em Porto Alegre, no bairro Moinhos de Vento, e continuo não encontrando as acusações que alguns mencionaram.

    Quando falam da idolatria, fico a pensar o que diriam estes acusadores ocidentais se fossem praticar Yôga na Índia e encontrassem nos áshrams as figuras dos Mestres sempre num altar, com flores, oferendas e muito ritual de agradecimento. Às vezes, tem fotos até dos PÉS do dito cujo, para lembrar que os discípulos estão abaixo até mesmo dos pés do Mestre. Aí o DeRose sistematiza um Método aqui no ocidente no qual apenas perpetua a tradição da saudação prévia (pújá) e isto vira idolatria. Obviamente, os acusadores não praticaram Hapkidô ou qualquer outra arte marcial que se preze, pois não sabem que em qualquer relação Mestre-discípulo de verdade, esta saudação ao instrutor/professor/Mestre é tradição obrigatória.

    Eu poderia, com autoconfiança, abordar qualquer um dos itens de acusação. Lá se vão 10 anos de estudo, dedicação e muita observação minha como profissional. Estou falando de uma década estando dentro (inside observation). O que eu vejo é uma cultura saudável, descomplicada e muito legal – em todos os aspectos do termo.

    Deixo um abraço a todos e coloco-me à disposição para maiores esclarecimentos.

    Atenciosamente,
    Alexandre Montagna

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