Que querem as mulheres?

sem título
ilustração por Mila F.

Meredith Chivers, pesquisadora da Universidade Queen, no Canadá, reuniu 47 mulheres e 44 homens, fê-los assistir a filmes curtos sobre sexo com os temas mais variados possíveis. Monitorou suas reações fisiológicas ao que viram e pediu que listassem o que mais os excitava. O resultado mostra que para ambos os sexos – e independentemente da orientação sexual de cada um – parece que todo mundo gosta mesmo é de sexo entre mulheres. Vejam este infográfico.

Impressionados? Para dizer a verdade, eu fiquei. Não só com a disparidade entre o que homens e mulheres dizem que os excita mais e o que realmente os excita, o que atribuo mais a fatores culturais e inconscientes do que à insinceridade, mas, mais do que isso, com a conclusão de que, no final das contas, todo mundo, homem ou mulher, quer mesmo é ver a mulherada mandando ver!

Será isso um fator mais cultural que biológico? Afinal, nossa geração cresceu bombardeada pela exposição da figura feminina erotizada na publicidade, no cinema, na poesia, nas artes gráficas etc. Ou será que nós, moças, somos todas um cadinho bissexuais?

Não é de hoje que mulheres admiram enlouquecidamente outras mulheres, com ou sem desejo sexual na jogada. Uma menina tem seus ídolos – não apenas o cantorzinho pop do momento, mas também a diva que ela elege como modelo de mulher linda, poderosa e bem-sucedida, que pode ser desde alguém do seu convívio até (mais provavelmente) uma musa distante e idealizada, a Madonna da vez. Há um limite muito tênue entre a admiração e o desejo da mulher por outra mulher, tênue demais para ser delimitado por regras sociais ou pesquisas científicas. A relação entre amigas é muito mais fisicamente afetuosa do que entre amigos. Mulheres frequentemente fazem-se elogios, dão-se as mãos e acariciam as amigas, às vezes maternalmente, sem com isso pretender puxar o saco – nem todas as mulheres são umas falsas invejosas como a oposiçao diz por aí – ou mesmo erotizar a amizade. Notem que a Bíblia condena a homossexualidade masculina quando fala de Sodoma e Gomorra, mas nada diz sobre a homossexualidade feminina. O limite parece ser tão sutil que as sociedades que deram origem à nossa não souberam identificá-lo; nem sequer imaginavam a possibilidade de uma mulher sentir-se atraída sexualmente por outra. Ou pensavam que elas não teriam criatividade suficiente para isso – uma abordagem bastante obtusa, afinal, quem não sente atração de algum nível pelo que é belo? Quando admiramos alguém, parte de nós deseja ser como o ente admirado ou possui-lo de alguma forma. De que maneira se conquista esse prêmio? A mais antiga e instintiva é o sexo. A atração não é senão o desejo de possuir, figurada ou literalmente, para sempre ou só por um momento, aquilo que mais admiramos. Possuir é superar-se diante do espelho. E o espelho é o outro. Ou a outra.

Ou é tudo loucura minha, oras.

O que vocês acham? Para Meredith, a fêmea é mais flexível e seu universo sexual é mais rico em possibilidades de excitação. Antes de tirarem suas próprias conclusões, leiam a reportagem da Revista Época online, de onde extraí as informações sobre a pesquisa. Mais do que tentar decretar verdades ou estabelecer padrões, Meredith procura esclarecer em seu estudo a complexidade do sexo – especialmente o feminino -, por que ele deve ser encarado sob uma ótica diferente a cada caso e por que não existe um verdadeiro Viagra feminino.

Espero que achem a reportagem tão divertida e intrigante quanto eu.

😉

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21 comentários sobre “Que querem as mulheres?

  1. Esse estudo é show!
    Quanto ao efeito das imagens de sexo entre mulheres, vi resultados na minha pesquisa também.
    E estava querendo publicar na mesma revista que a Meredith publicou (mas tenho receio que minha metodologia seja muito xinfrim pro nível deles).

    Beijos

    • Também gostei muito, Cris. Se eu tivesse mesmo ido fazer psicologia, acho que acabaria gostando mais de estudos de comportamento do que de clínica.
      Que xinfrim que nada, moça. Tá certo que houve limitações relativas a equipamento, mas você pode muito bem encantá-los com a sua abordagem. Experimente!

  2. A representatividade vai depender em que tipo de chavões sexuais estavam inseridos os filmes mostrados e em que tipos de chavões sexuais estavam inseridos os probantes.

    “Os homens sabem o que têm de sentir; as mulheres, não”, frase da psicanalista Diana Corso, de Porto Alegre, pode ser cambiada por “Os homens, tendenciosamente nos países latinos, têm que saber o que sentem e diminuir a fantasia para a ação, se querem fazer acontecer, eles precisam ser duros, as mulheres não precisam saber, podem ser mais maleáveis. E acabam assim tendo um leque bem maior de sensações, que injetam na sensualidade, que aliás já têm de sobra. É um encontro entre duas formas de agir e de encarar. Não se age como se pensa, ou como se sabe, mas sim a intuição fala mais alto. E a intuição é jogo com outra pessoa nesse caso, quer dizer, interação”.

    Mas não dá pra generalizar. Cada par vive a sua troca de papéis mais “duros” e mais “moles”. E além do mais estamos inseridos na sociedade, que ainda tem a família como instituição formada.

    Mas gostei do tema. Você foi feliz na forma como escreveu.

    Abrs
    udo

    • Será que são só os homens latinos, Udo?
      Eu acredito que estamos vivenciando uma época de transformações, nas quais os papéis dos homens e das mulheres estão sendo gloriosamente rasgados em pedacinhos e hoje cada um pode escolher que personagem quer viver na cama – e fora dela. 🙂

  3. Mulher é um bicho complicado mesmo hehe. E isso é mais uma evidência contra aquela velha história de “mulheres se entendem”, porque não é só os homens que não nos entendem como nós também não nos entendemos e nem as outras.
    Ou vai ver que é coisa minha, porque essencialmente eu não entendo absolutamente nada de nenhum ser humano =P

    • Gi, não é só você. Seres humanos no geral são complicadinhos, as mulheres, mais ainda. Mas ainda dá tempo de você conhecê-los melhor. Humanos também agem dentro de padrões, cada um tem o seu; você só precisa observar atentamente para compreender os padrões de cada um como indivíduos e não como gêneros. Mas talvez mais complicado que isso seja curtir intensamente nos homens coisas que não existem nas mulheres e admirar nas mulheres aquilo que os homens em geral não têm. Nos homens, gosto da simplicidade, da objetividade, daquele corpão… Nas mulheres, gosto justamente do que é contrário a tudo isso – e também do corpão… rs! É tanta coisa no menu! Será que posso almoçar num restaurante e jantar no outro???

      • Vamos ver se um dos restaurantes deixa eu entrar… até agora, forbidden entry direto para mim =( O outro não costumo frequentar mesmo… rs.
        Observar humanos pode ser mesmo uma atividade interessante, mas também entendiante dependendo do ambiente…

  4. “Quando admiramos alguém, parte de nós deseja ser como o ente admirado ou possui-lo de alguma forma. De que maneira se conquista esse prêmio? A mais antiga e instintiva é o sexo. A atração não é senão o desejo de possuir, figurada ou literalmente, para sempre ou só por um momento, aquilo que mais admiramos. Possuir é superar-se diante do espelho. E o espelho é o outro. Ou a outra.

    Ou é tudo loucura minha, oras”.

    Por essas e outras q adoro seu blog. rs.
    Baci.

  5. Olha, Camila, eu concordo com tudo o que vc disse. Parafraseando o grande Didi Mocó, muié é bicho tão bão que uma é pouco, duas tá bão, três tá ótimo! Tudo juntinha! =}

  6. “E o espelho é o outro. Ou a outra.”
    Bim.
    Me fisgou só com essas poucas palavrinhas.
    Prometo que vou tentar ler a matéria, mesmo com tantas coisas malucas acontecendo à minha volta!
    beijo!

    • Jorge, de acordo com as pesquisas mais recentes, devidamente noticiadas pela TV, você tem toda razão! A maioria das mulheres declara gostar mais de chocolate do que de sexo com seus parceiros. Acho que a pesquisa foi feita com mulheres hétero. O que será que pensam as lésbicas? :-S

  7. “Espero que achem a reportagem tão divertida e intrigante quanto eu.”

    Não, acho você mais divertida e intrigante que a reportagem…rs

  8. Eu não queria opinar, mas sempre pensei sobre isso e, uma vez que os psicanalistas dizem que a sexualidade humana é infantil, perversa e polimorfa, creio que o resto são os grilhões sociais mesmo. Ou… tudo pode, tudo é permitido salvo se proibido por tabus. Poucas mulheres me disseram que gostam de ver homens se pegando. Já mulheres se pegando… Ou seja, mulheres se beijando é bonitinho. No trem, as pessoas no máximo olham para o outro lado. Só que nenhum casal de homens se beija no trem porque sabe que vão levar porrada. Tudo tem a ver com tudo. Não esqueçamos das relações de poder entre os sexos, tão enraizadas nas tradições. Ou em nós. Preciso ler mais teoria de Estética. Kant? Hegel? Schiller? Adorno?

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