À beira de ti

espelho03

Levo comigo um miúdo pedaço
Que resta de um íntimo sonho;
Velha me vêem, se jovem me ponho;
Jovem me querem, se velha me faço.

Vejo-me: o espelho de um estilhaço
De vidro lançado no palco enfadonho,
E fico secreta neste olhar tão baço
Que fita dolente, e crêem-no risonho…

Minha emoção é tão somente um vulto
Que corre alarmado, ora aqui, ora ali;
Um léxico falho que sempre consulto
Buscando salvar-me de tudo o que vi:

Distante da estupidez deste culto,
E, acabrunhado, devorando a si,
Um mudo desejo, usualmente oculto
Num canto de mim e à beira de ti…

A foto é de hoje (obrigada, David) e o poema é de 1998, quando eu ainda tentava rimar.

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