Zona de conforto

Quando uma pessoa está curtindo seu emprego seguro, seus horários certos para tudo e sua vidinha pessoal cômoda, dizemos que está em uma zona de conforto. Essa zona pode não ser divertida, estimulante ou mesmo feliz, mas é certa e desprovida de ameaças – assim como de evolução. E é um território de fronteiras largas: abriga desde um trabalho sem desafios até um relacionamento morno. É, inclusive, um dos lugares mais perigosos onde um escritor pode cair: aquele cantinho onde as fórmulas funcionam sempre, as tramas se repetem, os personagens só mudam de nome e você está apenas contando cada vez mais automaticamente a mesmíssima história.

O mundo está girando. Você, ficando para trás. O conforto vira tédio. O tédio, agonia.

Dizem que a mudança é inevitável e que, por mais que você se apegue a um cotidiano confortável, transformações vão acontecer, quer você peça por elas ou não. Se for assim, creio que a diferença principal está em tornar-se alguém estagnado que tem horror à transformação e não sabe onde se enfiar quando ela acena na esquina ou ser alguém dinâmico que se antecipa a ela, fluindo com ela e dirigindo a maré para onde você decidir. Ou seja, a escolha entre um trauma e uma aventura.

É cômodo permanecer num mundo onde você só precisa fazer as coisas que sabe fazer, ouvir elogios e ter êxito rápido. Muito mais desafiador é ralar para adquirir habilidades inteiramente diferentes das que você já tem e para as quais nunca revelou o que se possa chamar de vocação natural.

Faz muitos anos que eu só faço aquilo que sempre fiz razoavelmente bem: desenhar, escrever e falar inglês. E mesmo que eu tenha migrado do desenho artesanal para o digital, há anos só uso o Photoshop, não aprendi outros softwares para arte.

Mas não preciso desistir de tudo que conquistei só porque subi uma montanha e descobri no alto uma planície onde é cômodo descansar. Posso andar um pouco mais, fazer pequenos desvios sem me afastar do caminho principal, se for aquele escolhi trilhar até o fim.

Eu quero continuar trabalhando com ilustração e escrevendo meus livros. Mas não quero passar o resto da vida apenas desenhando e escrevendo. Também quero aprender a dançar, cantar, nadar e tudo mais que a minha paixonite vier a exigir.

Trocando em miúdos 1: posso não ter o menor jeito para dança, mas vou dançar! Finalmente estou matriculada nas aulas de flamenco e tribal fusion, ensinando na marra meu corpo a fazer coisas que nunca fez. Até onde isso vai? Até onde o prazer mandar. 😉

Trocando em miúdos 2:
o volume III da Coleção Paradigmas traz um conto meu chamado Em Berço Esplêndido, no qual tentei escrever algo diferente das coisas que já escrevi. Aguardem novidades sobre o lançamento desse livro, que será ainda este mês. E depois digam-me se consegui! 😛

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9 comentários sobre “Zona de conforto

  1. Isso aí, mulher! =)
    Não podemos ficar paradinhas não, fazendo as mesmas coisas e tal, a vida, para ser bem vivida, exige um constante aprendizado e um gosto pela exploração de novas habilidades e conhecimentos.
    Depois posta uma foto sua devidamente trajada de flamenco =D E de tribal fusion, claaaaro (a parte mais interessante hehe).
    Tô no aguardo do Paradigmas 3! Puxa, cê anda emplacando em todas hein? E acredito que tu não está caindo na velha fórmula com o seu conto, espero.

    • Pois é, Gi. Rotina mata.
      Quanto aos contos, eu realmente gosto de experimentar novidades na hora de escrever. Há abordagens e temas que me pegam com mais força e que são recorrentes, mas não valeria a pena continuar escrevendo se fosse apenas pra repetir o que já fiz.
      Quanto às fotos, olha que eu publico mesmo, hein?! Meu lado drag queen tá todo empolgado com a possibilidade de “me montar”!

  2. É assim que se fala!

    Só espero que minha zona de conforto seja bem longe de um sofá! E que inclua uma praia (não seria má ideia), ou uma montanha, e eventualmente uma sereia…

    Vou convidar todos os meus amigos pra passar férias na minha zona de conforto!! 😉

    • Eu aceito um bom sofá na minha zona de conforto, acompanhado de uma garrafa de licor de chocolate e um janelão com vista pro mar ou pro mato. Ou os dois. 🙂

  3. Só eu achei esse negócio de passar férias na zona de conforto dos outros meio erótico? rs.

    É isso aí, Mila. Além do sabor de novidade, tem o sabor saúde também. Que seja o primeiro de muitos anos de dança 🙂 Baci!

  4. Ahh! Mas eu quero ver você dançar flamenco! Já que este post não é mais tão novo, como é que vai indo sua tentativa?

    Sair da zona de conforto, para além do significado poético, tem um impacto importante no desenrijecer do cérebro da gente.

    Cheers!
    -Sté

    • Sté, eu sou completamente descordenada e meu progresso tem sido bem lento. Mas há um progresso e isso já conta pra esperança, eheh.
      Dizem que pedra que rola não cria limo. Eu quero as pedrinhas que existem no lugar dos meus miolos bem limpinhas, brilhantes e rolando. 😉

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