Hipátia ROCKS!

Hipátia, Hypatia, Ipazia…

Nem lembro de quando li seu nome pela primeira vez. Mas sei que fui (e ainda estou) tomando contato com sua história de forma gradativa, sutil. Hipátia foi filósofa, astrônoma, matemática, professora. Nada de extraordinário nisso, afinal há um grande número de mulheres inteligentes e multitarefas, certo? O que impressiona aqui é Hipátia ter sido quem foi em pleno século IV d.C. Um tempo em que mulher não tinha vez.

Essa sábia pagã desafiou as convenções sociais, rejeitando os clássicos papéis femininos da época, estudando – e dominando – as mesmas disciplinas que todo rapaz helênico instruído deveria conhecer e tornando-se respeitada pelos pensadores de seu tempo. Filha de Theon, possivelmente o último diretor da biblioteca de Alexandria, aos 30 anos já era diretora da Academia Neoplatônica nessa cidade. Infelizmente a maior parte da sua obra foi destruída e o que se sabe da moça vem de citações de outros autores.

Isto aqui é só um resuminho. Para conhecer mais sobre Hipátia, sempre vale recorrer a obras especializadas ou ao onisciente São Google. 😉

Por falar em santo, sabem que fim levou Hipátia? Devemos sua morte a São Cirilo, patriarca da igreja cristã de Alexandria. O “santo” não a condenou diretamente à morte, mas ordenou a destruição de todos os templos não-cristãos existentes no Egito e sua postura fundamentalista iniciou lá uma era violenta de dogmatismo religioso. Séculos antes de a Inquisição ser formalmente inaugurada, hereges (isto é, cristãos de orientação diferenciada) foram massacrados, judeus foram expulsos do país e Hipátia, havia pouco uma respeitada pensadora, passou a ser considerada perigosa. Diz-se que um grupo cristão a culpava pelas relações estremecidas entre Cirilo e o prefeito Orestes, que fora aluno de Hipátia; portanto, seu assassinato teria motivação política e não religiosa, mas…

Um dia, a filósofa foi atacada na rua por um bando de monges descontrolados, que a espancaram, despiram e arrastaram até uma igreja, onde seu corpo foi dilacerado até a morte e, depois, queimado.

Um minuto de silêncio pela morte de Hipátia.

Mas aonde é que eu quero chegar com isso?

Aqui:

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Simplesmente PIREI na segunda-feira à noite, quando, casualmente assistindo a um telejornal, soube que a vida de Hipátia acaba de virar um filme estrelado por Rachel Weisz.

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Rachel: Hypatia

A produção Ágora, do espanhol Alejandro Amenábar (diretor de Os Outros e Mar Adentro) teve sessão especial no Festival de Cannes. O filme focaliza a personalidade severa de Hipátia e a paixão (não correspondida, hááá-há) de dois homens por ela. Segundo Amenábar o trama não se limita ao triângulo amoroso, mas também aborda o fundamentalismo religioso já existente na época.

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Amenábar e Weisz durante as filmagens

Rachel Weisz não conhecia a personagem antes de ser chamada para interpretá-la. A atriz comentou acertadamente: “A primeira coisa que pensei quando tive contato com essa história foi em como muita coisa não mudou. Em alguns lugares do mundo, as pessoas continuam se matando em nome Deus, e mulheres ainda estão sendo privadas do direito à educação”.

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Pára tudo. Eu PRECISO ver esse filme.

Hipátia podia não estar particularmente interessada em revolucionar o papel da mulher na sociedade, talvez quisesse apenas viver a vida do seu jeito, com o nariz metido nos estudos… mas pra mim ela é “o” ícone feminista.

Hipátia ROCKS!

Deliciem-se com o trailler no hotsite do filme!

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12 comentários sobre “Hipátia ROCKS!

  1. Eu já tinha ouvido falar dela, porque ao estudar a história da astronomia, ela também teve contribuições marcantes para essa área. Sempre admirei ela…. e que triste fim ela levou 😦
    Puxa, vai ter filme é? Vou ver! 😀

  2. Nossa. Muito bom. Não conhecia!!
    E que filmão deve ser. Tinha ouvido falar do Ágora, mas não sabia o que era. O Amenábar é muito bom. A Weisz nem se fala! ^^ É por essas e outras que vou intensificar meus estudos de cinema se alá for louvado.

    Bjs! valeu pelas informações.

  3. Nega, vamos ver esse filme juntas!! Girl power!
    Eu já tinha ouvido falar dela, mas não tenho certeza onde… por acaso falam alguma coisa sobre ela naqueles livros do Monteiro Lobato? Acho que não, né?

  4. Carl Sagan cita a Hipatia no livro e na série “Cosmos”;
    Edward Gibbons também conta a estória dela no “Declinio e Queda do Império Romano”

  5. Dani, Gi e Cris: uia, vamos fazer um comboio pro cinema!

    Dani, não sei onde você pode ter ouvido falar dela, pode ter sido em qualquer lugar… eu mesma já sou fã da moça tem um tempo e também não lembro onde vi seu nome pela primeira vez! Rs!

    Eric, é isso aí, rapaz. Precisamos ir ao cinema prestigiar esse tipo de produção para que os chefões do ramo se toquem de que queremos ver mais disso e menos de besteirol. 🙂

    Jorge, eu tinha ouvido falar desses livros, tenho muita curiosidade em lê-los. O “Baudolino” de Umberto Eco tem uma personagem sensacional baseada nela!

    Beijos, pessoal!

  6. Maravilhosa!
    Eu já tinha tropeçado na história dela há alguns anos, no meio de uma pesquisa sobre a “limpeza” que os cristãos fizeram durante esses dois mil anos.
    Vamos aguardar.
    Beijão!

  7. É interessante notar que o Amenábar copia a paleta cromática de um dos mais famosos pintores do movimento neoclassico do final do séc. XiX na pintura, o Lawrence Alma-Tadema.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Lawrence_Alma-Tadema

    Lawrence era famoso não só pela habilidade técnica magistral, mas também por fazer de seus quadros um comentário sobre o decadentismo do Império Romano, talvez dando um estoca nos seus contemporâneos, os ingleses do auge do Império Británico.

  8. Fabi e Ro: mais duas pro comboio… ihihihih!

    Jorge: que lindo! Confesso que não conhecia esse pintor. Mas as cenas paradas que peguei do filme realmente têm uma estética parecida. Se é proposital ou não, já não sei… mas que parecem pinturas, isso parecem. O filme acaba de se tornar ainda mais interessante, eheheh! Valeu pela dica!

  9. Vemos que mulheres inteligentes, talentosas e persistentes em seus propósitos existiram e existem, gostaria de ver esse filme.

    • Isaac, parece que ninguém sabe quando – e se – esse filme sai no Brasil. Depois, reclamam quando o povo pede a ajuda dos corsários.

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