Carnívora

texto de 2003

Estranho é quando amantes decidem acariciar-se
Com lábios que se torcem, se avizinham, se provocam
Como ondas violentas que no oceano se entrechocam
Enquanto sua volúpia repele o moral disfarce.

Não sei por que razão é bom o beijo, e, se soubesse
Não me furtara à prática do ato que se consuma
Enquanto o caos dirige a humanidade em meio à bruma
E o mundo, tão alheio a nós, se espreguiça e envelhece

Os lábios se confrontam – indecente desafio
E as línguas se debatem numa esgrima maliciosa;
Dentes mordiscam peles que se roçam em seu brio
– O afã de devorar é uma cadeia viciosa!

Sabes que, quando bebo tua alma completamente
E sufoco em teu corpo minha sanha inominada,
A boca que te morde sem escrúpulo pudente
Possui igual desejo de ser canibalizada?

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