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Arquivo da categoria ‘Sensações’

Caro Alvaro,
Tu não me podes ouvir porque já és morto enquanto eu vivo. O Tempo, no entanto, é irônico e mau: permite que eu leia teus desabafos como cartas para ninguém, às quais eu, destinatária acidental, não posso responder. Se a vida corresse ao contrário uma só vez, eu poderia te dizer: estou contigo. Sou [...]

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um exercício
Da janela nada se vê além dos contornos dos prédios sob a chuva. Feita de pedaços aéreos, desiguais, mais poeira do que chuva, ela voa na horizontal. Desafia as noções de como deveria ser. Assusta pelo movimento insólito, irreal. Vez por outra ruge com mais força, raivosa, como se disposta a pôr abaixo este [...]

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Um anjo ocasional passa por mim.
Sua tarefa é lembrar-me da minha humanidade.
Quando estou bela e leve e firme ele passa por mim,
Não andando,
Mas a voar,
Airoso,
Perfeito,
Ele… ela.
Ela passa por mim, fragmentando minhas certezas,
Dizendo, sem nada dizer,
“Lembre-se”.
Eu obedeço.
Lembro-me de que sou humana,
Algo baixo que rasteja num chão de poeira e merda.
Lembro-me de como dói amar a Lua [...]

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Espera aí

Espera aí, não te vás, não antes de ouvir-me.
Não negues o que digo, eu confio em meus olhos,
E o que vejo e o que canto é a beleza.
Maior que a juventude, pois esta passa,
Maior que a velhice, pois esta tardará,
Maior mesmo que o espanto do início.
Encanto: este permanece e, na alquimia dos dias, transfigura-se em [...]

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um microconto

Eu teria perdoado sua beleza, não fosse sua inteligência. Poderia ignorar sua inteligência, não fosse sua beleza. Poderia esquecer a ambas, não fossem seus múltiplos talentos. E a estes eu até faria vista grossa, não fosse sua personalidade bondosa, vibrante e magnética, capaz de se compadecer sem arrasar-se, amar sem perder-se, doar sem esvair-se, [...]

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Há quanto tempo ela me assombra? Dez, quinze anos? Perdi a conta.
Havia um rosto. Eu o moldara repetidas vezes, obsessivas vezes, a grafite e a nanquim. Não era o meu rosto. Era o dela. Mas também era meu. Ela existia somente na minha imaginação, para minha fantasia, meu deleite. Era o barro ao qual eu [...]

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Levo comigo um miúdo pedaço
Que resta de um íntimo sonho;
Velha me vêem, se jovem me ponho;
Jovem me querem, se velha me faço.
Vejo-me: o espelho de um estilhaço
De vidro lançado no palco enfadonho,
E fico secreta neste olhar tão baço
Que fita dolente, e crêem-no risonho…
Minha emoção é tão somente um vulto
Que corre alarmado, ora aqui, ora ali;
Um [...]

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Quando uma pessoa está curtindo seu emprego seguro, seus horários certos para tudo e sua vidinha pessoal cômoda, dizemos que está em uma zona de conforto. Essa zona pode não ser divertida, estimulante ou mesmo feliz, mas é certa e desprovida de ameaças – assim como de evolução. E é um território de fronteiras largas: [...]

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Useless

Words are useless, especically sentences
They don’t stand for anything
How could they explain how I feel?
[...]

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El baile del flamenco en rojo, de Fabian Perez.
Punta, taco, tacón! Três movimentos dos pés. Pronto. Taí tudo que sei sobre dança flamenca, de uma única aula aberta feita na quinta-feira passada.
O flamenco tem origem difícil de decifrar em termos de época e local exatos. Mas nasceu com toda a certeza na Espanha, filho de [...]

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