“Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito.
Só humanitariamente é que se pode viver.
Só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos,
Só assim – ai de mim! -, só assim se pode viver.
Só assim, ó noite, e eu nunca poderei ser assim!
Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi [...]
Arquivo da categoria ‘Sensações’
Torna-me humano!
Publicado em Opiniões, Poemas, Sensações em 05/12/2009 | 1 Comentário »
Sua dor, meu prazer
Publicado em Sensações em 30/11/2009 | 18 Comentários »
Foto de Rene Asmussen com montagem de Mila F.
Creio que tenho esse dom. Assim como algumas pessoas têm a dádiva da fé, eu possuo o dom da culpa. Coisa minha, que não se evita, assim como as sardas e olheiras, senão com alguns quilos de maquiagem social. Disfarce, sorria, acene para a câmera. Estamos sendo [...]
Sete Anos de Perdão
Publicado em Opiniões, Poemas, Sensações em 16/11/2009 | 8 Comentários »
Perdoe-me se nem sempre parece que te amo. Nem sempre sou sólida e coesa, sei disso. Você falou da minha instabilidade. Sou instável, sim, inconstante, volúvel, mudo de direção como o vento. Sou brisa e vendaval: refresco seu rosto mas também derrubo sua casa.
O sereno me é estranho, como uma veste que lhe cai tão [...]
Estou contigo, Alvaro
Publicado em Opiniões, Poemas, Sensações em 26/08/2009 | 13 Comentários »
Caro Alvaro,
Tu não me podes ouvir porque já és morto enquanto eu vivo. O Tempo, no entanto, é irônico e mau: permite que eu leia teus desabafos como cartas para ninguém, às quais eu, destinatária acidental, não posso responder. Se a vida corresse ao contrário uma só vez, eu poderia te dizer: estou contigo. Sou [...]
Chuva horizontal
Publicado em Contos de fantasia, Contos do cotidiano, Sensações, etiquetado arca, chuva, dilúvio, são paulo em 18/08/2009 | 10 Comentários »
um exercício
Da janela nada se vê além dos contornos dos prédios sob a chuva. Feita de pedaços aéreos, desiguais, mais poeira do que chuva, ela voa na horizontal. Desafia as noções de como deveria ser. Assusta pelo movimento insólito, irreal. Vez por outra ruge com mais força, raivosa, como se disposta a pôr abaixo este [...]
Um anjo ocasional
Publicado em Poemas, Sensações em 06/08/2009 | 10 Comentários »
Um anjo ocasional passa por mim.
Sua tarefa é lembrar-me da minha humanidade.
Quando estou bela e leve e firme ele passa por mim,
Não andando,
Mas a voar,
Airoso,
Perfeito,
Ele… ela.
Ela passa por mim, fragmentando minhas certezas,
Dizendo, sem nada dizer,
“Lembre-se”.
Eu obedeço.
Lembro-me de que sou humana,
Algo baixo que rasteja num chão de poeira e merda.
Lembro-me de como dói amar a Lua [...]
Espera aí
Publicado em Opiniões, Poemas, Sensações em 05/08/2009 | 4 Comentários »
Espera aí, não te vás, não antes de ouvir-me.
Não negues o que digo, eu confio em meus olhos,
E o que vejo e o que canto é a beleza.
Maior que a juventude, pois esta passa,
Maior que a velhice, pois esta tardará,
Maior mesmo que o espanto do início.
Encanto: este permanece e, na alquimia dos dias, transfigura-se em [...]
Perfeita
Publicado em Contos de terror, Contos de terror romântico, Sensações, etiquetado beleza, inteligência, morte, perfeição em 30/07/2009 | 21 Comentários »
um microconto
Eu teria perdoado sua beleza, não fosse sua inteligência. Poderia ignorar sua inteligência, não fosse sua beleza. Poderia esquecer a ambas, não fossem seus múltiplos talentos. E a estes eu até faria vista grossa, não fosse sua personalidade bondosa, vibrante e magnética, capaz de se compadecer sem arrasar-se, amar sem perder-se, doar sem esvair-se, [...]
Doença de escritor
Publicado em Opiniões, Sensações, etiquetado doença, escrever, escritoras, remédio, veneno em 26/07/2009 | 5 Comentários »
Há quanto tempo ela me assombra? Dez, quinze anos? Perdi a conta.
Havia um rosto. Eu o moldara repetidas vezes, obsessivas vezes, a grafite e a nanquim. Não era o meu rosto. Era o dela. Mas também era meu. Ela existia somente na minha imaginação, para minha fantasia, meu deleite. Era o barro ao qual eu [...]
À beira de ti
Publicado em Poemas, Sensações, etiquetado à beira de ti, espelho, poema, poesia em 05/07/2009 | Deixar um comentário »
Levo comigo um miúdo pedaço
Que resta de um íntimo sonho;
Velha me vêem, se jovem me ponho;
Jovem me querem, se velha me faço.
Vejo-me: o espelho de um estilhaço
De vidro lançado no palco enfadonho,
E fico secreta neste olhar tão baço
Que fita dolente, e crêem-no risonho…
Minha emoção é tão somente um vulto
Que corre alarmado, ora aqui, ora ali;
Um [...]