Feeds:
Posts
Comentários

Arquivo da categoria ‘Poemas’

“Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito.
Só humanitariamente é que se pode viver.
Só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos,
Só assim – ai de mim! -, só assim se pode viver.
Só assim, ó noite, e eu nunca poderei ser assim!
Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi [...]

Ler o post por completo »

Perdoe-me se nem sempre parece que te amo. Nem sempre sou sólida e coesa, sei disso. Você falou da minha instabilidade. Sou instável, sim, inconstante, volúvel, mudo de direção como o vento. Sou brisa e vendaval: refresco seu rosto mas também derrubo sua casa.
O sereno me é estranho, como uma veste que lhe cai tão [...]

Ler o post por completo »

Voices

“Surely, whoever speaks to me in the right voice, him or her I shall
follow,
As the water follows the moon, silently, with fluid steps, anywhere
around the globe.”
Walt Whitman (1819–1892)

Ler o post por completo »

Caro Alvaro,
Tu não me podes ouvir porque já és morto enquanto eu vivo. O Tempo, no entanto, é irônico e mau: permite que eu leia teus desabafos como cartas para ninguém, às quais eu, destinatária acidental, não posso responder. Se a vida corresse ao contrário uma só vez, eu poderia te dizer: estou contigo. Sou [...]

Ler o post por completo »

Um anjo ocasional passa por mim.
Sua tarefa é lembrar-me da minha humanidade.
Quando estou bela e leve e firme ele passa por mim,
Não andando,
Mas a voar,
Airoso,
Perfeito,
Ele… ela.
Ela passa por mim, fragmentando minhas certezas,
Dizendo, sem nada dizer,
“Lembre-se”.
Eu obedeço.
Lembro-me de que sou humana,
Algo baixo que rasteja num chão de poeira e merda.
Lembro-me de como dói amar a Lua [...]

Ler o post por completo »

Espera aí

Espera aí, não te vás, não antes de ouvir-me.
Não negues o que digo, eu confio em meus olhos,
E o que vejo e o que canto é a beleza.
Maior que a juventude, pois esta passa,
Maior que a velhice, pois esta tardará,
Maior mesmo que o espanto do início.
Encanto: este permanece e, na alquimia dos dias, transfigura-se em [...]

Ler o post por completo »

Levo comigo um miúdo pedaço
Que resta de um íntimo sonho;
Velha me vêem, se jovem me ponho;
Jovem me querem, se velha me faço.
Vejo-me: o espelho de um estilhaço
De vidro lançado no palco enfadonho,
E fico secreta neste olhar tão baço
Que fita dolente, e crêem-no risonho…
Minha emoção é tão somente um vulto
Que corre alarmado, ora aqui, ora ali;
Um [...]

Ler o post por completo »

Velha

De 1995 a 1999, escrevi muita poesia. O suficiente para juntar tudo em dois documentos que eu tencionava transformar em livros. Tinha até prefácio. Por razões diversas, abandonei a idéia.
Muito não necessariamente significa bom. A maior parte do material era extremamente rebuscada, com versos longos demais e métrica caduca ou ausente (nenhum problema com os [...]

Ler o post por completo »

Carnívora

texto de 2003
Estranho é quando amantes decidem acariciar-se
Com lábios que se torcem, se avizinham, se provocam
Como ondas violentas que no oceano se entrechocam
Enquanto sua volúpia repele o moral disfarce.
Não sei por que razão é bom o beijo, e, se soubesse
Não me furtara à prática do ato que se consuma
Enquanto o caos dirige a humanidade em [...]

Ler o post por completo »

Inquérito

texto de 1998
O que em tua vida fez o corte?
Má sorte.
O que a cobiça deu-te em paga?
A chaga.
O que ganharás quando te fores?
Algores.
O que em ti vês, que te dá asco?
Carrasco.
O que resta do que te foi santo?
O pranto.
O que quiseras ter conhecido?
Olvido.
Quais foram os teus inquisidores?
Amores.
Que te deu a graça rejeitada?
Espada.
Quem feriste, esgrimindo a [...]

Ler o post por completo »