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Arquivo da categoria ‘Poemas’

Olhei para as ruínas de 2 mil anos atrás e finalmente compreendi o óbvio: Estamos só de passagem. Tudo isso já estava aqui quando nasci e permanecerá quando eu me for, Inalterado pela minha passagem, Indiferente à minha alegria, à minha dor. Há um mundo inteiro lá fora esperando ser desvendado Enquanto eu examino meu [...]

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“Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito. Só humanitariamente é que se pode viver. Só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos, Só assim – ai de mim! -, só assim se pode viver. Só assim, ó noite, e eu nunca poderei ser assim! Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo, [...]

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Perdoe-me se nem sempre parece que te amo. Nem sempre sou sólida e coesa, sei disso. Você falou da minha instabilidade. Sou instável, sim, inconstante, volúvel, mudo de direção como o vento. Sou brisa e vendaval: refresco seu rosto mas também derrubo sua casa. O sereno me é estranho, como uma veste que lhe cai [...]

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Voices

“Surely, whoever speaks to me in the right voice, him or her I shall follow, As the water follows the moon, silently, with fluid steps, anywhere around the globe.” Walt Whitman (1819–1892)

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Caro Alvaro, Tu não me podes ouvir porque já és morto enquanto eu vivo. O Tempo, no entanto, é irônico e mau: permite que eu leia teus desabafos como cartas para ninguém, às quais eu, destinatária acidental, não posso responder. Se a vida corresse ao contrário uma só vez, eu poderia te dizer: estou contigo. [...]

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Um anjo ocasional passa por mim. Sua tarefa é lembrar-me da minha humanidade. Quando estou bela e leve e firme ele passa por mim, Não andando, Mas a voar, Airoso, Perfeito, Ele… ela. Ela passa por mim, fragmentando minhas certezas, Dizendo, sem nada dizer, “Lembre-se”. Eu obedeço. Lembro-me de que sou humana, Algo baixo que [...]

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Espera aí

Espera aí, não te vás, não antes de ouvir-me. Não negues o que digo, eu confio em meus olhos, E o que vejo e o que canto é a beleza. Maior que a juventude, pois esta passa, Maior que a velhice, pois esta tardará, Maior mesmo que o espanto do início. Encanto: este permanece e, [...]

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Levo comigo um miúdo pedaço Que resta de um íntimo sonho; Velha me vêem, se jovem me ponho; Jovem me querem, se velha me faço. Vejo-me: o espelho de um estilhaço De vidro lançado no palco enfadonho, E fico secreta neste olhar tão baço Que fita dolente, e crêem-no risonho… Minha emoção é tão somente [...]

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Velha

De 1995 a 1999, escrevi muita poesia. O suficiente para juntar tudo em dois documentos que eu tencionava transformar em livros. Tinha até prefácio. Por razões diversas, abandonei a idéia. Muito não necessariamente significa bom. A maior parte do material era extremamente rebuscada, com versos longos demais e métrica caduca ou ausente (nenhum problema com [...]

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Carnívora

texto de 2003 Estranho é quando amantes decidem acariciar-se Com lábios que se torcem, se avizinham, se provocam Como ondas violentas que no oceano se entrechocam Enquanto sua volúpia repele o moral disfarce. Não sei por que razão é bom o beijo, e, se soubesse Não me furtara à prática do ato que se consuma [...]

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