um microconto
Eu teria perdoado sua beleza, não fosse sua inteligência. Poderia ignorar sua inteligência, não fosse sua beleza. Poderia esquecer a ambas, não fossem seus múltiplos talentos. E a estes eu até faria vista grossa, não fosse sua personalidade bondosa, vibrante e magnética, capaz de se compadecer sem arrasar-se, amar sem perder-se, doar sem esvair-se, [...]
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Conto de 2005.
Há um monstro dentro de mim.
Ele aparece principalmente quando você está por perto.
Observa pelos meus olhos os seus gestos, me retorce as entranhas num nó de fúria e sussurra, de mim para mim, as lições que eu deveria lhe dar.
Esse monstro me mata, amor. E mata devagar. E ele já se mostrou a [...]
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conto de 2005
Meia-noite. O jogo acontecia quando eles voltavam sóbrios, ansiosos por serem só dois amantes sob um dossel, sem multidão.
Diante da penteadeira ela limpava o rouge, o rímel, a pinta artificial na bochecha esquerda que cobria a pinta real cor de canela. Ele, na cama, esperava sob os lençóis.
Vinha limpa e indecente, meias de [...]
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texto de 2005
A tarde é vermelha, pinta os campos e o lago de dourado e aquece o seu rosto que eu encontro a espreitar o meu. Tenho um espelho nas mãos. Encaro-me nele, investigo as rugas que já se insinuam. Mas não você; tudo o que vê em mim é jovem e fresco. Detrás de [...]
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conto de 2006
O beijo dela. Fui pego de surpresa. Primeiro o nome.
Começava num rosnado e terminava em melodia. Rrr, vibrava, sotaque italiano. Depois, duas eles bem molhadas. Rafaella.
E essa coisa interessante que aconteceu primeiro nos meus ouvidos foi parar dentro das minhas calças. Ela viu o volume. Eu falei uma besteira. Levei um tapa no [...]
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Você vem arrastando os pés na relva, sem muita vontade, sem muita coragem. Mas precisa desse ritual – seu coração o exige – muito mais do que você é capaz de admitir.
Posso vê-lo de meu escaninho no arvoredo. Disfarçada estou nas silhuetas de negros ciprestes. Você se ajoelha diante do túmulo mil vezes renegado. A [...]
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