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Uma das muitas capas do filme. Jogue no Google e veja várias versões.

Não costumo indicar filmes por preguiça de escrever resenhas (e também por não entender de cinema). Mas quando o filme mexe comigo e é pouco conhecido por aqui, acho que vale a pena recomendar.

O Violino Vermelho (1998), do diretor François Girard, é um filme falado em diversas línguas e passado em diversas épocas e locais, no qual o personagem principal é… um objeto.

O instrumento do título é um violino especial. O último produzido por Nicolo Bussoti, famoso fabricante italiano, após a morte de sua esposa e filho, no parto. Recoberto por um estranho verniz vermelho, ele é considerado tecnicamente perfeito e parece ter o dom de cativar quem o toca ao ponto da obsessão. Da Itália do século XVII ele vai parar num mosteiro alemão onde, no século seguinte, é tocado por um menino prodígio órfão, que é então levado para Viena por um caça-talentos francês…

E daí para o mundo.

Nenhum personagem humano é permanente na história do violino. Ele passa por ciganos, por um virtuoso inglês rock star e uma jovem chinesa em plena Revolução Comunista até ir parar num leilão de objetos históricos no Canadá, já no século XX. E cada subtrama é conduzida pelo violino, pela paixão que ele desperta em cada violinista que tem o privilégio de tocá-lo. O fio condutor é a sequência, que volta várias vezes à tela, da jovem italiana grávida de seu primeiro filho, que pede a uma senhora que leia sua sorte. É fácil perceber que, na verdade, ela está lendo a sorte do violino, cuja conexão com a personagem você será capaz de sacar ao longo do filme ou saberá direitinho no final.

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Jason Flemyng é o violinista doidão Frederick Pope, que ama a escritora Victoria Byrd (Greta Scacchi). Mas entre escritora e violino o páreo é duro.

Mas esse final não é o único final do violino; na verdade, nem é o final da história.

A trilha sonora, composta toda para violino (claro…) por John Corigliano, é literalmente arrepiante. Ouve um pedaço no Youtube.

Filmaço sem frescura nem perda de tempo e, ao mesmo tempo, delicado e envolvente, com Samuel L. Jackson no incomum papel de Charles Morritz, um especialista em instrumentos musicais históricos. Veja o elenco completo aqui.

Recomendadíssimo.

… é sinal de que ou a autora está trabalhando demais, ou está escrevendo demais, ou está passando tempo demais no Facebook. Quem sabe?
‘Bora colocar o comboio de volta à estrada. Há um longo caminho pela frente, e o inverno está chegando.
(Desculpem por essa.)

O cartunista Laerte Coutinho, conhecido não só pelo seu trabalho genial como também pelo hábito de se vestir de mulher, entrou na justiça para ter acesso ao banheiro feminino. A matéria é da Natália Cancian para o caderno Cotidiano da Folha.com. Clique aqui para ler na íntegra. Abaixo, um trecho:

Em uma noite de terça, uma senhora entra no banheiro feminino da Real Pizzaria e Lanchonete, na zona oeste de São Paulo. Ela veste uma minissaia jeans, uma blusa feminina listrada, meia-calça e sandália.

Momentos depois, é proibida de voltar ao banheiro pelo dono do estabelecimento. Motivo: uma cliente, com a filha de dez anos, reconheceu na senhora o cartunista da Folha Laerte Coutinho, 60, que se veste de mulher há três anos.

Ela reclamou com Renato Cunha, 19, sócio da pizzaria. Cunha reclamou com Laerte. Laerte reclamou no Twitter. E assim começou a polêmica. O caso chegou ontem à Secretaria da Justiça do Estado.

Vou contar a vocês: ainda não sei o que pensar sobre isso.

Eu não sei se estou do lado do Laerte ou de quem prefere que ele use o banheiro masculino.

Se, por um lado, não gosto da ideia de homens entrando no banheiro feminino enquanto eu o uso, por outro, sonho em viver num mundo onde a gente não precise se sentir ameaçada pela ideia de entrar tarde da noite, sozinha, num banheiro público e dar de cara com um maluco que se vestiu de mulher só para entrar lá e se aproveitar da situação. É claro que o Laerte não faz esse tipo – ele se veste de mulher apenas porque gosta. Mas se houvesse uma lei dando livre acesso ao banheiro feminino a homens vestidos de mulher, quantos pervertidos não aproveitariam a situação e se fantasiariam só pela chance de pegar desavisadas?

Na verdade, de acordo com a matéria da Folha, tal lei já existe:

A coordenadora estadual de políticas para a diversidade sexual, Heloísa Alves, ligou para Laerte e avisou: ele pode reivindicar seus direitos. Segundo ela, a casa feriu a lei estadual 10.948/2001, sobre discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero.

É aqui que eu me pego num dilema. Oponho-me à imposição de papéis sociais aos gêneros e defendo que pessoas de qualquer orientação ou identidade sexual tenham o direito de ir e vir sem serem barradas ou agredidas, não importa o quanto os caretas se incomodem com isso. Mas já diz o velho ditado: sua liberdade termina onde a minha começa. Ou algo assim. A liberdade de ir e vir termina onde? Na porta do banheiro? Tenho o direito de barrar a entrada de alguém no banheiro que usamos porque a presença daquela pessoa fere, de alguma forma, o meu gosto, a minha liberdade, a minha intimidade? Para quem defende tanto a união dos gêneros, não seria isso uma forma de hipocrisia?

Gostaria de um mundo em que isso sequer levantasse questões. Em que banheiros mistos não fossem apenas point de sexo em casas GLS, onde frequentemente parecem extensões dos famigerados dark rooms, e no qual não importasse o seu sexo na hora de entrar na cabine. Porque, aliás, aqueles mictórios abertos de banheiro masculino são de extremo mau gosto, e conheço muitos homens que não gostam de se expor assim ao urinar.

Por que a gente não pode ser livre e ao mesmo tempo ter privacidade?

Dizem que a gente sonha toda noite, ainda que nem sempre se lembre do que sonhou.

É rara a noite em que eu não me lembre de pelo menos algum elemento sonhado. E sempre tive sonhos bizarríssimos. Tenho o hábito de comentar esses delírios no Facebook, para deleite dos meus colegas internéticos, que riem muito. Vou começar a postá-los aqui, para registro e curiosidade. Alguns deles ainda acabarão virando contos, como aconteceu com A Casa dos Loucos, que publiquei no livro Necrópole – histórias de vampiros. ;-)

Bom. Outro dia, sonhei que estava no meio de um conto de Edgar Alan Poe. Mas eu via tudo como a narradora onisciente de um filme. Os personagens passavam por mim, mas não me viam. Meu marido estava assistindo a isso comigo.

A protagonista era uma mulher, e eu comentei com ele, no sonho:

- Que estranho. O Poe não costuma ter mulheres como personagens principais. Estou achando que o conto não é dele.

Quando a personagem começou a ser devorada viva por um bando de anões canibais (que tinham a aparência de papais noéis pigmeus) , ele disse:

- Pô, ninguém vai socorrer a moça?

Eu respondi:

- Não. Se for mesmo um conto do Poe, o protagonista será para sempre desamparado e maldito.

Putz, né.

“Ai, que coisa feia mulher falar palavrão.”

Quantas vezes ouvi isso? Tanto de homens como de mulheres! Então, tá. Mulher não sente raiva, não pode pôr pra fora, não pode ser agressiva, né? Só homem pode. Além de não poder falar palavrão, mulher também não pode ser direta quanto ao que deseja, não pode “chegar” no cara, porque isso é coisa de mulher atirada, que só serve “praquilo”, e moça que vale a pena tem que ser mais comportada. É repressão pra cá, opressão pra lá… Daí, chamam a gente de falsa, dizem que a gente “faz doce”, que não diz o que quer de verdade… e depois não sabem por que nossa forma preferida de assassinato é o envenenamento.

Escritora, ilustradora, preparadora e revisora de textos, vegetariana, ateia, feminista, blogueira, estudante de tribal fusion, gender non-conforming freak. Eu.

Sou ilustradora e revisora por profissão, escritora por teimosia, as duas coisas por vocação – não poderia, nem quero, escapar a nenhuma delas.

A dança tribal me bateu como uma paixão inesperada – por que não entregar-me? Já passou? Não sei.  Meu eu dançante está hibernando neste momento. Talvez ele resolva sair nadando – mais uma coisa a aprender. Eu só faço o que gosto. ;-)

Em outra vida fui velha, na próxima serei criança. Hoje? Um pouco disto e daquilo, ranzinza e alegre, eufórica e cansada, revoltada e esperançosa. Engraçada é o que dizem. Mas ainda me falta senso de humor. Equilibrada? Eu bem que tento. Coerente? Tanto quanto possível.

Tenho amor e inveja, medo e dignidade, ódio e compaixão. Minha rota é Entusiasmo, meu motor, Inconformismo.

Intensa, eu? Isso é eufemismo de mulherzinha. A palavra aqui é Louca, mesmo! Com L maiúsculo.

There is no greater agony than bearing an untold story inside you.

Maya Angelou

Obrigada, Carol Chiovatto. ;-)

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