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Não que seja novidade, mas…

O maior favor que se pode fazer a um artista é censurar o seu trabalho. Nada gera mais curiosidade que o proibido. Nada vende mais do que o polêmico. Estou até começando a achar que escritores, bandas de rock e afins proscritos pelas autoridades cristãs, mantenedores da ordem e dos bons costumes e outros que tais na verdade têm um trato com essa gente para ajudar na divulgação do seu trabalho.

Alguém, por favor, me excomungue!

Quem ficou curioso, dê uma olhadinha no Detsche Welle.

Perdoe-me se nem sempre parece que te amo. Nem sempre sou sólida e coesa, sei disso. Você falou da minha instabilidade. Sou instável, sim, inconstante, volúvel, mudo de direção como o vento. Sou brisa e vendaval: refresco seu rosto mas também derrubo sua casa.

O sereno me é estranho, como uma veste que lhe cai tão bem mas não me entra. Você é a única constância em minha vida. Rocha que me detém, que não posso nem quero derrubar. Realidade que posso compreender e amar. Permanência: quero você no meu caminho. O fato de isso ser verdade há 7 anos prova meu amor. Quem mais poderia me ter por tanto tempo?

Desde meu primeiro choro até meu último suspiro não sou outra coisa que não uma mutação ininterrupta. Se você é âncora, eu sou maremoto. Só sei viver gargalhando ou gritando de dor como um palhaço que nada é fora do picadeiro. Às vezes rápido demais, às vezes amante do errado. Mas sempre, no fundo, amando você. Procuro sua lucidez como a mariposa procura o lume, louca por queimar-se. Há uma razão para a rocha resistir ao vendaval. Você também me ama. Então, me ame. E, por favor, tente entender minha forma de amar. Não sei viver senão alucinadamente. Mas não quero viver senão junto a você.

Se escolher não me amar, então, por favor, me odeie. Eu não suportaria sua indiferença.

“Refiro-me ao fato de que, na minha modesta opinião, o ser humano carrega em seu código genético um erro de projeto que o induz criar religiões, seitas, fundamentalismos e fanatismos. Só pode ser erro de projeto. Não estou criticando as religiões. Estou apenas exercendo a observação de uma tendência de toda a Humanidade. Por isso, quando na extinta União Soviética e religião foi proibidam imediatamente substituiu-a o culto a Stalin.”
DeRose, Yoga a sério

Afonso Luiz Pereira gentilmente publicou meu conto A Encantadora em seu site Contos Fantásticos. Vejam a resenha que esse espaço virtual faz ao texto:

Em tempos idos, numa pacata vila, mulher nutre uma paixão arrebatadora por um homem desconhecido. De início a relação vai muito bem, mas no decorrer dos anos, depois de casados, ele começa a se interessar por outras moças, as quais passam a intimidar seriamente a estabilidade do casal. Diante da iminência de perder seu grande amor, a esposa, entendida nas artes ocultas da magia negra, se apropria de objetos pessoais das rivais e passa a “eliminar” discretamente a concorrência. Camila Fernandes, em narrativa limpa e bem estruturada, deixa o seu recado de estréia [no site], com muita competência, por estas paragens literárias.

Valeu, Afonso! Pela publicação, pelas palavras e pelo trabalho de divulgação literária. Para quem ainda não conhece o conto, é uma boa chance de lê-lo. Para quem já conhece, é um ótimo momento para navegar pelo site e ler os Contos Fantásticos de diversos autores. ;-)

Recebi este texto na forma de uma apresentação em PPS. É atribuído a Rita Lee, mas não consegui confirmar a autoria. Mesmo assim, o barato é tão bom que precisa ser dividido com vocês. E por vocês multiplicado, por favor.

Depoimento de Rita Lee (?)
“Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor.
Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças.
Levei apenas uma hora para saber o motivo.
Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra.
Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo
para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.
Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado.
Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico.
O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo.
Realmente; esqueceu, morrendo tuberculosa.
Estes episódios marcaram para sempre e a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres?
Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar.
Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos.
Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas.
Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte-americanas.
Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba.
Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens.
E, com isso, Barbies de facaria, provocaram em muitas outras mulheres – as baixinhas, as gordas, as de óculos – um sentimento de perda de auto-estima.
Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composta de moças.
Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo.
E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.
Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade.
Até porque elas são desarmadas pela própria natureza.
Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais.
Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas.
Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.
As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto.
Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na
marginalidade, na insegurança e na violência.
É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.
E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher.
Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d’água e trouxas de roupa.
Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos.
Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.
São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer à ternura de
suas mentes e a doçura de seus corações.
‘Nem toda feiticeira é corcunda.
Nem toda brasileira é só bunda.’”

Apesar de eu não ter tido, de fato, um fuzil de plástico, quando criança tive uma espadinha de plástico com a qual eu brincava que era o D’Artagnan, aquele dos mosqueteiros. Sempre me identifiquei com personagens masculinos. Talvez eu desejasse me igualar a eles para ter no mundo o respeito que eles recebiam e que, lá de baixo, de onde eu olhava, parecia inacessível a uma simples figurinha de mulher como eu.

Nem toda mulher é de paz e nem só as mulheres desejam a paz. Tem muita mulherzinha por aí que me faz morrer de vergonha de pertencer ao seu gênero. Mas queremos o respeito dos homens. Mais que isso, já fizemos muito para merecê-lo, como amigas, esposas, mães, filhas, parceiras de trabalho.

É fácil santificar a mulher, clássica vítima que é, como pacificadora natural e infalível, coisa que nem todas são. Mas precisamos de mártires ou santas? Não. Mais do que isso, é preciso que cada um de nós seja um pouco mais mulher. Um pouco mais cuidadoso, um pouco mais sensível, um pouco mais carinhoso com o mais fraco. Da mesma forma que a mulher da nossa era aprendeu com o homem a ser mais competitiva, racional e independente, o homem de hoje pode aprender com a mulher a exercitar sua empatia, sensibilidade e instrospecção.

Num mundo menos limitado por supostas características de gênero, onde saibamos aprender sem reservas com o próximo, cada um de nós será mais completo. E cada um será julgado não como homem ou mulher, mas como ser humano.

Voices

walt

“Surely, whoever speaks to me in the right voice, him or her I shall
follow,
As the water follows the moon, silently, with fluid steps, anywhere
around the globe.”

Walt Whitman (1819–1892)

Pessoal,

Eis aqui algo para ver sem a menor pressa:

Por que isso? Porque é lento pra caramba, mas vale a pena. Lento como tai chi. Mas vale a pena como qualquer boa performance de tribal fusion belly dance!

Essas moças são do grupo Urban Tribal, formado e liderado por Heather Stants – no vídeo, a de nariz mais vistoso (a-do-ro). O grupo se destaca não só pelo visual minimalista (quem já viu um figurino de tribal fusion sabe que o povo curte vários balangandãs), mas também pela absoluta sincronicidade de suas bailarinas e performances que lembram bastante dança contemporânea. No site do grupo, infelizmente, não acho nada sobre mais ninguém além da Heather. Quem são as outras musas?

Anyway. Nessa coreografia, elas conseguem ser incrivelmente sensuais mostrando pouquíssimo seus belos corpitchos numa dança que já começa nos dando a sensação de que estamos meio bêbados, vendo tudo em duplicidade, tamanha é a química profissional das bailarinas. Ora ecoando os movimentos da outra, ora antecipando-os, num quase tocar constante, a performance é sexy e contida, triste e promissora, onírica e intensa… Ah, elas são atrizes. Não dançam apenas, interpretam. E não sei o que tinham em mente, mas para mim essa apresentação fala de amor proibido.

Curtam!

Não morri, não peguei a suína nem desisti de escrever. Só estou com trabalho demais. Volto já com mais cabriolas.

;-)

sem título
ilustração por Mila F.

Ainda há gente tentando resolver aquela questão à qual Freud não soube responder: afinal, que querem as mulheres?

Vocês sabem? Nem eu. Tampouco espero dar solução para um enigma que persiste, inclusive, em mim. Se eu gostasse de coisa complicada, teria me casado com uma mulher, não com um homem… E olhe que não estamos falando de vida pessoal, família, profissão nem nada disso. O negócio aqui é sexo!

Meredith Chivers, pesquisadora da Universidade Queen, no Canadá, reuniu 47 mulheres e 44 homens, fê-los assistir a filmes curtos sobre sexo com os temas mais variados possíveis. Monitorou suas reações fisiológicas ao que viram e pediu que listassem o que mais os excitava. O resultado mostra que para ambos os sexos – e independentemente da orientação sexual de cada um – parece que todo mundo gosta mesmo é de sexo entre mulheres. Vejam este infográfico.

Impressionados? Para dizer a verdade, eu fiquei. Não só com a disparidade entre o que homens e mulheres dizem que os excita mais e o que realmente os excita, o que atribuo mais a fatores culturais e inconscientes do que à insinceridade, mas, mais do que isso, com a conclusão de que, no final das contas, todo mundo, homem ou mulher, quer mesmo é ver a mulherada mandando ver!

Será isso um fator mais cultural que biológico? Afinal, nossa geração cresceu bombardeada pela exposição da figura feminina erotizada na publicidade, no cinema, na poesia, nas artes gráficas etc. Ou será que nós, moças, somos todas um cadinho bissexuais?

Não é de hoje que mulheres admiram enlouquecidamente outras mulheres, com ou sem desejo sexual na jogada. Uma menina tem seus ídolos – não apenas o cantorzinho pop do momento, mas também a diva que ela elege como modelo de mulher linda, poderosa e bem-sucedida, que pode ser desde alguém do seu convívio até (mais provavelmente) uma musa distante e idealizada, a Madonna da vez. Há um limite muito tênue entre a admiração e o desejo da mulher por outra mulher, tênue demais para ser delimitado por regras sociais ou pesquisas científicas. A relação entre amigas é muito mais fisicamente afetuosa do que entre amigos. Mulheres frequentemente fazem-se elogios, dão-se as mãos e acariciam as amigas, às vezes maternalmente, sem com isso pretender puxar o saco – nem todas as mulheres são umas falsas invejosas como a oposiçao diz por aí – ou mesmo erotizar a amizade. Notem que a Bíblia condena a homossexualidade masculina quando fala de Sodoma e Gomorra, mas nada diz sobre a homossexualidade feminina. O limite parece ser tão sutil que as sociedades que deram origem à nossa não souberam identificá-lo; nem sequer imaginavam a possibilidade de uma mulher sentir-se atraída sexualmente por outra. Ou pensavam que elas não teriam criatividade suficiente para isso – uma abordagem bastante obtusa, afinal, quem não sente atração de algum nível pelo que é belo? Quando admiramos alguém, parte de nós deseja ser como o ente admirado ou possui-lo de alguma forma. De que maneira se conquista esse prêmio? A mais antiga e instintiva é o sexo. A atração não é senão o desejo de possuir, figurada ou literalmente, para sempre ou só por um momento, aquilo que mais admiramos. Possuir é superar-se diante do espelho. E o espelho é o outro. Ou a outra.

Ou é tudo loucura minha, oras.

O que vocês acham? Para Meredith, a fêmea é mais flexível e seu universo sexual é mais rico em possibilidades de excitação. Antes de tirarem suas próprias conclusões, leiam a reportagem da Revista Época online, de onde extraí as informações sobre a pesquisa. Mais do que tentar decretar verdades ou estabelecer padrões, Meredith procura esclarecer em seu estudo a complexidade do sexo – especialmente o feminino -, por que ele deve ser encarado sob uma ótica diferente a cada caso e por que não existe um verdadeiro Viagra feminino.

Espero que achem a reportagem tão divertida e intrigante quanto eu.

;-)

terra

Estou lendo Na terra das fadas – análise das personagens femininas, um desses achados de caminhadas a esmo por livrarias. Rápido e apetitoso em suas 119 páginas, tem 4 textos extraídos do famoso A psicanálise dos contos de fadas, de Bruno Bettelheim.

Apesar de eu ter um pé atrás com a psicanálise por considerá-la-la um tanto datada, pelo menos em sua forma tradicional, estou gostando muito. Comprei a obra para pesquisar mais a fundo a essência do que estou escrevendo, mas de brinde a leitura vem me dando insights poderosos sobre relações distorcidas entre pais, filhos e irmãos. Passeamos pelos significados íntimos das histórias de Chapeuzinho Vermelho, a Bela Adormecida e Branca de Neve. Mas meu destaque vai para o ensaio sobre a rainha má, a madrasta de Branca, que trata de uma das falhas de caráter mais espinhosas, fascinantes e inconfessáveis: a inveja.

Aproveitando a inspiração, no último feriadão fui me esconder no meio do mato com meu laptop e consegui iniciar o sétimo e último conto do Reino das Névoas. Não sei quando termino.

Agora, chega de historinhas… os prazos aqui estão curtos, é hora de dormir porque amanhã tem mais lerê.

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